corbelia maio

Disputa por precatórios vira estopim de crise e leva ameaça de greve na Sanepar

Após pagamento de dividendos e disputa bilionária envolvendo precatórios, presidente do Saemac diz que PPR está garantido, mas ameaça paralisação total se acordo não for cumprido

Por Gazeta do Paraná

Disputa por precatórios vira estopim de crise e leva ameaça de greve na Sanepar Créditos: Reprodução GCast

A disputa bilionária em torno dos precatórios da Sanepar ganhou um novo capítulo e elevou o nível de tensão dentro da empresa. Em pronunciamento direcionado aos trabalhadores, o presidente do Saemac, Rodrigo Picinin, afirmou que o acordo coletivo firmado com a diretoria será cobrado e colocou abertamente no horizonte a paralisação dos serviços no estado.

“Se para os acionistas tem dinheiro para pagar os seus dividendos, é inadmissível que tenha murmores de que os trabalhadores talvez não receberão”, afirmou.

A declaração ocorre poucos dias após a assembleia geral ordinária da companhia deliberar o pagamento de dividendos aos acionistas, em um momento em que a empresa está no centro de uma disputa envolvendo a Agepar, o governo do Estado e a opinião pública sobre a destinação de cerca de R$ 4 bilhões em precatórios.

Segundo Picinin, há um acordo coletivo assinado com a diretoria da Sanepar que prevê a participação dos trabalhadores nesses valores. “Vamos receber o nosso valor, que é de direito, inclusive com parte dos precatórios, assim como foi assinado o nosso acordo coletivo”, disse.

Apesar do tom contundente, o dirigente não apresentou elementos concretos de que a empresa deixará de cumprir o acordo. O alerta se baseia em relatos internos de “murmores” entre trabalhadores e na ausência de informações oficiais detalhadas por parte da companhia.

O tom, no entanto, se transforma em ameaça direta ao tratar de um eventual descumprimento. “Se a diretoria não cumprir com o acordo, nós vamos colocar um caminhão de som na porta da sede da empresa e só vamos sair de lá assim que o nosso direito esteja restabelecido.”

Na sequência, Picinin explicita o cenário extremo. “Se preciso for, o saneamento no estado do Paraná vai parar. Do atendimento à produção de água.” A declaração coloca, na prática, a greve como instrumento de pressão no centro do conflito e eleva o nível da crise dentro da companhia.

O pano de fundo está na disputa sobre o destino dos recursos bilionários. Em declarações recentes, a própria direção da Sanepar indicou outro caminho para os valores. O presidente da companhi, Wilson Bley Lipski, afirmou que os precatórios devem ser utilizados para redução das tarifas de água e ampliação de investimentos no sistema, em resposta à pressão pública e ao embate com a Agepar.

A sinalização abre uma frente direta de conflito. De um lado, trabalhadores cobram o cumprimento de acordo que prevê impacto desses valores na remuneração. De outro, a companhia aponta para a necessidade de destinar os recursos à modicidade tarifária e à expansão dos serviços.

No meio da disputa, a decisão recente de pagamento de dividendos adiciona um novo elemento de pressão. Para o sindicato, a liberação de recursos aos acionistas reforça o argumento de que há disponibilidade financeira para cumprir os compromissos firmados com os trabalhadores. “Cabe nós cobrar da diretoria por que assinaram um acordo sem ter legitimidade de pagar os trabalhadores”, afirmou Picinin.

O episódio expõe uma disputa que vai além de números. Com bilhões em jogo e interesses cruzados entre governo, regulador, mercado e trabalhadores, a destinação dos precatórios se transforma em um ponto de pressão que agora inclui, de forma explícita, a possibilidade de paralisação de um serviço essencial em todo o Paraná.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp