Irmão de Sandro Alex firma acordo com o MP e amplia desgaste no grupo de Ratinho Junior
Apuração do Diário de Maringá mostra que caso envolvendo o deputado do PSD pressiona o entorno político do governador em meio às articulações para 2026
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Reprodução redes sociais
O acordo firmado pelo deputado estadual Marcelo Rangel com o Ministério Público do Paraná deixou de ser tratado como um episódio isolado e passou a integrar um cenário mais amplo de desgaste político dentro do PSD no estado. Em meio às articulações nacionais do partido para 2026, aliados do governador Ratinho Junior avaliam que a repetição de acordos envolvendo figuras centrais da legenda começa a produzir impacto direto na imagem do grupo. A leitura é reforçada por apuração do Diário de Maringá e por reportagens recentes que mapearam uma sequência de casos semelhantes no Paraná.
O nome de Rangel se soma a uma lista crescente de lideranças do PSD que recorreram a instrumentos como acordos de não persecução para encerrar investigações. No caso do deputado, a apuração envolvia o suposto uso indevido de assessores parlamentares, que teriam atuado fora de suas funções institucionais. Pelo acordo firmado, ele aceitou o pagamento de R$ 130 mil, encerrando o processo sem que houvesse julgamento ou eventual condenação mais severa.
Mas o caso não é isolado. O secretário estadual da Agricultura, Márcio Nunes, assinou, em novembro de 2025, um acordo de não persecução cível relacionado ao uso político de uma doação de respiradores durante a pandemia. Segundo os termos divulgados à época, ele admitiu irregularidades na conduta investigada e concordou em pagar multa de R$ 23 mil. Em contrapartida, a ação foi encerrada sem aplicação de sanções mais graves previstas na legislação de improbidade administrativa.
A permanência de Márcio Nunes em um cargo estratégico dentro do governo estadual ampliou a repercussão do caso. Críticos passaram a questionar se agentes públicos ligados ao grupo governista estariam sendo beneficiados por soluções mais brandas nas investigações. Aliados, por outro lado, sustentam que o acordo seguiu os parâmetros legais e foi devidamente homologado.
Outro episódio que alimenta o debate envolve o deputado estadual Moacyr Fadel, também do PSD. Ele firmou acordo de não persecução penal após confessar o recebimento de R$ 15 mil da empresa Viação Iapó, quando exercia o cargo de prefeito de Castro. O valor foi tratado na investigação como propina. Com o acordo, o processo foi encerrado sem imposição de penas mais severas, o que reforçou o discurso de opositores sobre a possibilidade de resolução de casos por meio de multas e ajustes judiciais.
A lista inclui ainda o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano. Ele firmou acordo após admitir o recebimento de valores do empresário Vicente Malucelli em um caso relacionado a contratos da TV Assembleia. O desfecho evitou o avanço da ação penal tradicional e ampliou a pressão política sobre o núcleo do poder legislativo estadual.
Nos bastidores, a avaliação é de que a repetição desses episódios começa a construir uma narrativa difícil de conter. Não se trata apenas de cada caso individual, mas do efeito acumulado que eles produzem no debate público. A oposição passou a explorar os episódios como indício de um padrão de proteção política dentro da estrutura de poder do estado. Já aliados do governo argumentam que todos os acordos seguem instrumentos legais previstos na legislação e fazem parte de um modelo mais ágil de resolução de conflitos judiciais.
Os acordos de não persecução penal e cível se consolidaram nos últimos anos como mecanismos para acelerar processos, reduzir a sobrecarga do Judiciário e garantir reparação de danos sem necessidade de longas disputas judiciais. No entanto, quando aplicados a agentes públicos, especialmente em casos que envolvem suspeitas de corrupção ou improbidade, acabam gerando questionamentos sobre eventual sensação de impunidade.
No Paraná, o tema ganha contornos ainda mais sensíveis por ocorrer em um momento de pré-disputa eleitoral. Ratinho Junior é apontado como um dos possíveis nomes do PSD para o cenário nacional em 2026, o que amplia o nível de exposição sobre seu entorno político. Nesse contexto, episódios regionais passam a ter repercussão ampliada e deixam de ser tratados apenas como questões locais.
A tendência, segundo analistas políticos e interlocutores ouvidos pelo Diário de Maringá, é que o debate se intensifique nos próximos meses. A oposição já utiliza os casos para questionar o discurso de moralidade administrativa do grupo governista, enquanto aliados defendem que não há condenações definitivas e que os instrumentos utilizados são legais e previstos pelo próprio sistema de Justiça.
O cenário se torna ainda mais sensível com a inclusão de outros nomes no radar político. O deputado estadual Adriano José, que também se filiou ao PSD, já teve o nome citado em denúncias relacionadas a uma suposta rachadinha milionária. Ainda que os casos tenham naturezas distintas, a associação contribui para ampliar o ambiente de desgaste.
Sem acusações diretas contra o governador, o impacto se constrói de forma indireta, pelo acúmulo de episódios envolvendo aliados. E, em política, esse tipo de desgaste tende a se consolidar menos por um fato específico e mais pela repetição contínua de situações que passam a dialogar entre si no debate público.
Créditos: Redação
