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EXCLUSIVO: Vorcaro acusa diretor-geral da Polícia Federal de obstruir colaboração premiada

Já existem elementos para a decretação da prisão preventiva do chefe da Polícia Federal de Lula.

Por Oswaldo Eustáquio

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EXCLUSIVO: Vorcaro acusa diretor-geral da Polícia Federal de obstruir colaboração premiada Créditos: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, Daniel Vorcaro disse que o atual diretor-geral da PF de Lula, Andrei Rodrigues, tentou interferir nas investigações. O motivo, segundo Vorcaro, seriam ligações pretéritas que teve com ele — viagens, ingressos e eventos foram citados pelo banqueiro. É público que a namorada de Andrei, a apresentadora Renata Varandas, tem contratos com empresas ligadas ao Master. Se o ministro André Mendonça entender que de fato existiu algum tipo de interferência ou obstrução na investigação, existem elementos para a decretação da prisão preventiva do chefe da Polícia Federal de Lula.

 

A tortura que veio antes da fala

Antes de acusar, Vorcaro narrou o que disse ter sofrido. Contou que foi trancado em um "caixote" por seis horas, sem ar, suando, durante transporte da Polícia Penal Estadual — e que, ao abrir a porta, ouviu de agentes federais: "Isso que dá, você vai querer falar do chefe?". Relatou ter sido levado de helicóptero, com os olhos cobertos, num transporte que ele mesmo comparou ao usado para deportar Nicolás Maduro. Nesse trajeto, segundo ele, ouviu frases como "é mais fácil, de repente, jogar ele daqui" — ainda no ar. Disse ter passado dez dias sem acesso a advogados, isolado em cela com luz intermitente 24 horas, sem saber sequer por que estava ali. "Eu fui torturado psicologicamente, fisicamente", afirmou ao Ministério Público, presente na sala.

"Ele estaria dentro desse contexto"

É só depois de descrever esse quadro que Vorcaro chega ao ponto central: por que sua colaboração nunca avançou. Questionado diretamente pela própria defesa se o diretor-geral seria um dos nomes citados numa eventual retomada da delação, Vorcaro foi direto: "Ele estaria, sim, dentro do contexto dessa questão do evento de relações que eu acabei desenvolvendo, que eu acabei executando coisas que... para que pudesse me proteger."

O banqueiro afirmou ter pedido reuniões que nunca foram atendidas. Que, quando os advogados conseguiam algum contato, era "de maneira protocolar, sem o menor interesse". Contrastou a postura da Procuradoria-Geral da República — que classificou como "proativa" — com a da Polícia Federal, que segundo ele nunca demonstrou disposição real de ouvi-lo.

A prisão que veio um dia depois da confidencialidade

Vorcaro afirma que assinou termo de confidencialidade com a PGR em 3 de março — e que, no dia seguinte, a Polícia Federal decretou sua prisão. Para ele, não é coincidência: é a prova concreta de que o aparato foi mobilizado no exato momento em que sinalizou disposição de colaborar com a Justiça.

A negação da narrativa de violência

Vorcaro rejeitou, ponto a ponto, a construção midiática que o pintou como "chefe de facção". "Eu nunca tirei uma arma. Eu nunca fiz nada contra ninguém", disse, atribuindo a narrativa a uma estratégia deliberada para justificar sua prisão prolongada e desviar o foco dos fatos reais do caso Banco Master.

O depoimento, gravado em sigilo absoluto e entregue em mãos ao ministro-relator, ainda aguarda decisão sobre eventual liberação de acesso. Mas o conteúdo já é fato documentado: um preso, perante a Justiça, aponta o comandante máximo da Polícia Federal como obstáculo à própria colaboração premiada — na mesma semana em que se sabe que a namorada do diretor recebeu valores milionários de empresa ligada ao esquema investigado.

Créditos: Oswaldo Eustáquio Acesse nosso canal no WhatsApp