EUA isentam 471 produtos brasileiros de nova sobretaxa; café, petróleo e suco de laranja ficam fora da medida
Lista divulgada pelo governo norte-americano exclui itens estratégicos da tarifa adicional de 12,5%; demais produtos poderão enfrentar tributação total de 37,5%
Créditos: Tania Rego/Agência Brasil
Os Estados Unidos divulgaram nesta quinta-feira (23) a lista de produtos brasileiros que ficarão de fora da nova sobretaxa de 12,5% anunciada pelo governo norte-americano. Ao todo, 471 itens foram excluídos da medida, entre eles café, petróleo, gás natural, fertilizantes, madeira, suco de laranja e derivados de açaí.
A relação foi publicada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e reúne exceções distribuídas em 20 categorias de produtos.
A nova tarifa passa a valer na madrugada desta sexta-feira (24). Para os produtos que não integram a lista de isenções, a sobretaxa será aplicada de forma cumulativa à tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos nesta semana, elevando a tributação para 37,5% em parte das exportações brasileiras.
Produtos estratégicos ficaram de fora
Segundo o governo norte-americano, as exceções contemplam produtos considerados importantes para o abastecimento da economia dos Estados Unidos ou insumos utilizados pela indústria do país.
Entre os principais itens isentos da nova sobretaxa estão:
café;
petróleo e derivados;
gás natural;
fertilizantes;
madeira e produtos de madeira;
suco de laranja;
derivados de açaí;
defensivos agrícolas;
couros e peles;
ferro-gusa;
resíduos e sucata de alumínio;
equipamentos para fabricação de semicondutores;
determinados medicamentos e ingredientes farmacêuticos;
obras de arte, antiguidades e itens de coleção.
A lista também inclui diversos minerais, resíduos metálicos e insumos utilizados pelas cadeias industrial, tecnológica e farmacêutica.
Entenda a nova tarifa
A sobretaxa de 12,5% foi anunciada após uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
Segundo o USTR, o Brasil está entre os países que, na avaliação do governo norte-americano, não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Apesar da conclusão da investigação, o órgão decidiu excluir centenas de produtos da nova cobrança.
De acordo com o governo dos Estados Unidos, a definição das exceções levou em conta fatores como a importância de determinados insumos para a economia americana, acordos comerciais existentes e características específicas de alguns mercados.
Parte das exportações pagará 37,5%
Para os produtos que não aparecem na lista de exceções, a nova alíquota será somada à tarifa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira (22).
Com isso, parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano passará a pagar 37,5% de tributação.
A nova cobrança substitui a tarifa global temporária de 10% aplicada pelos Estados Unidos desde fevereiro deste ano.
Outros países tiveram tratamento diferenciado
Além das exceções concedidas a produtos brasileiros, o governo norte-americano estabeleceu regras específicas para alguns parceiros comerciais.
Países e blocos como Argentina, Bangladesh, Camboja, Equador, El Salvador, União Europeia, Guatemala, Indonésia, Jordânia, Malásia, Suíça, Taiwan e Reino Unido receberam tratamento diferenciado em razão de acordos comerciais ou de mecanismos considerados mais robustos de combate ao trabalho forçado.
Em alguns casos, como nas importações de vestuário e produtos têxteis de Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia, os Estados Unidos criaram um sistema de cotas que permite a entrada dos produtos sem a tarifa prevista na Seção 301, desde que sejam utilizados algodão e outros insumos produzidos em território norte-americano.
