Setembro/2026

Caso Tony Garcia mantém investigação sobre atuação de Moro na 13ª Vara

Apuração analisa diligências realizadas durante período em que Sergio Moro comandava a Justiça Federal em Curitiba; ex-juiz e atual candidato ao governo do Paraná nega irregularidades

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Caso Tony Garcia mantém investigação sobre atuação de Moro na 13ª Vara Créditos: Divulgação

Antes de entrar para a política, Sergio Moro (PL) passou 22 anos na magistratura e ganhou projeção nacional à frente dos processos da Operação Lava Jato em Curitiba. Agora candidato ao governo do Paraná, Moro aparece com o maior percentual em pesquisas recentes sobre a disputa estadual.

Parte de sua atuação como juiz federal, no entanto, ainda é objeto de uma investigação que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). O caso envolve acusações feitas pelo empresário e político Tony Garcia sobre diligências realizadas durante uma colaboração firmada com o Ministério Público Federal (MPF) em 2004.

Moro atuou por vários anos na 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, posteriormente denominada 13ª Vara Federal. Além da Lava Jato, passaram pela unidade processos relacionados ao Caso Banestado e às operações Farol da Colina e Agro-Fantasma.

As acusações de Tony Garcia levantaram questionamentos sobre se diligências teriam alcançado autoridades com prerrogativa de foro e, portanto, submetidas à competência de tribunais superiores. O caso permanece sob apuração e ainda é necessário estabelecer quais medidas efetivamente foram realizadas, quem as determinou e se houve alguma irregularidade.

Busca na 13ª Vara

Em dezembro de 2025, o ministro Dias Toffoli autorizou uma operação de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba. A medida foi cumprida pela Polícia Federal depois que documentos e mídias requisitados pelo Supremo não haviam sido encaminhados.

A ação buscava localizar materiais relacionados às acusações feitas por Tony Garcia, que havia sido preso em uma investigação sobre o Consórcio Garibaldi.

Em 2004, Garcia firmou um acordo de colaboração premiada sob a condução de Moro. Anos depois, passou a afirmar que sua atuação teria ultrapassado os fatos originalmente relacionados ao acordo e que teria realizado diligências envolvendo outras pessoas a pedido de integrantes da Justiça Federal e do Ministério Público.

Essas afirmações são objeto da investigação e ainda precisam ser confrontadas com documentos e outros elementos reunidos pelas autoridades.

Relato veio a público em 2021

As acusações ganharam visibilidade em março de 2021, quando Garcia prestou depoimento à então titular da 13ª Vara Federal, Gabriela Hardt, e a uma representante do Ministério Público Federal.

Na ocasião, o empresário pediu para detalhar a extensão de sua colaboração e afirmou ter atuado como uma espécie de agente infiltrado do então juiz e do Ministério Público. Segundo Garcia, algumas das atividades teriam ido além dos fatos relacionados ao acordo firmado em 2004.

A apuração avançou dois anos depois, em 2023, quando Eduardo Appio assumiu a 13ª Vara Federal.

A partir daquele momento, o caso passou a envolver também a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal e o Supremo.

No STF, Dias Toffoli determinou providências para obter processos, documentos, mídias e outros arquivos relacionados a 18 ações que tramitaram na 13ª Vara Federal de Curitiba.

Material segue sob análise

A documentação reunida ainda precisa ser analisada para determinar o que ocorreu e quais acusações encontram respaldo nas provas.

Segundo reportagem publicada pelo UOL no início de 2026, entre os materiais localizados estariam transcrições de escutas envolvendo desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e políticos com prerrogativa de foro.

Parte dessas gravações teria sido realizada por outro colaborador ligado à Vara, o advogado Sérgio Costa.

A existência dos documentos, por si só, não permite concluir que Moro tenha cometido irregularidades. A investigação busca justamente esclarecer as circunstâncias em que as diligências foram realizadas, quem as autorizou e se respeitaram os limites de competência da Justiça Federal de primeira instância.

Moro nega irregularidades

Sergio Moro nega as acusações feitas por Tony Garcia.

Em manifestações públicas sobre o caso, o ex-juiz afirmou que não teve acesso aos autos do inquérito e classificou os relatos do empresário como “fantasiosos”.

Moro também sustenta que as investigações realizadas entre 2004 e 2006 seguiram as práticas e a jurisprudência existentes naquele período.

Em outubro de 2023, afirmou ainda que nunca autorizou gravações ou medidas investigatórias contra magistrados da Justiça Federal, do TRF-4 ou do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A reportagem-base aponta que documentos posteriormente encontrados na 13ª Vara incluem despachos e outros registros atribuídos ao então juiz relacionados a interceptações e gravações envolvendo autoridades com prerrogativa de foro. O alcance desses documentos e sua relação com as acusações de Garcia fazem parte dos pontos que ainda precisam ser esclarecidos pela investigação.

Entre as questões em aberto estão quais diligências foram efetivamente realizadas por Garcia, quem determinou cada uma delas, quais autoridades foram monitoradas e qual destino foi dado ao material produzido.

A apuração também deverá esclarecer se as medidas adotadas durante o período em que Moro comandava a Vara estavam dentro de sua competência e se houve irregularidades na produção, no armazenamento ou na utilização das gravações e dos relatórios.

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