Créditos: CNI/José Paulo Lacerda/
Indústria do Paraná supera média nacional e puxa alta na massa salarial
Levantamento aponta que o Estado ganhou 4,62 pontos percentuais de participação no emprego industrial do país; setor de tecnologia já responde por 20,6% do PIB estadual
O Paraná foi o estado que mais ampliou sua participação na indústria brasileira entre 1985 e 2024. É o que mostra um estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), elaborado com base em dados do IBGE e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No período, o Estado aumentou em 4,62 pontos percentuais sua participação no emprego industrial nacional, registrando o melhor desempenho do País.
O levantamento aponta que o avanço ocorreu em um período marcado pela perda de participação relativa da indústria na economia brasileira. Mesmo nesse cenário, o Paraná ampliou sua presença tanto na geração de empregos quanto na produção industrial, fortalecendo setores ligados à inovação, engenharia e tecnologia.
Além do Paraná, os maiores crescimentos na participação do emprego industrial foram registrados por Santa Catarina, com avanço de 3,6 pontos percentuais, Minas Gerais, com 3,2 pontos, e Goiás, com 2,5 pontos.
Outro indicador analisado pelo estudo mostra que o Estado ampliou em 3,38 pontos percentuais sua participação no Valor Adicionado Bruto (VAB) da indústria de transformação, índice que mede a riqueza gerada pelo setor industrial. Atualmente, o Paraná responde por cerca de 7% da riqueza produzida pela indústria de transformação brasileira e por aproximadamente 8% dos empregos industriais do País.
Os dados refletem uma mudança no perfil econômico paranaense. Tradicionalmente associado ao agronegócio, o Estado consolidou ao longo das últimas décadas uma indústria diversificada, presente em segmentos como alimentos, papel e celulose, indústria automotiva, máquinas, equipamentos e produtos químicos.
Entre os estados mais industrializados do Brasil
O estudo também aponta que o Paraná está entre os estados mais industrializados do País. Um dos indicadores utilizados é o grau de industrialização, que mede o peso da indústria na economia e no mercado de trabalho.
Segundo o levantamento, a indústria de transformação representa atualmente 20,6% do Produto Interno Bruto (PIB) paranaense. O percentual supera a média nacional, de 15,2%, e coloca o Estado atrás apenas de Santa Catarina e do Amazonas no ranking nacional. No caso amazonense, o resultado é influenciado pelas características da Zona Franca de Manaus.
Quando o critério é geração de empregos, o Paraná também aparece entre os destaques. A indústria responde por 21,1% dos empregos formais do Estado, enquanto a média brasileira é de 14,8%.
Na prática, isso significa que um em cada cinco trabalhadores com carteira assinada no Paraná atua diretamente em atividades industriais.
Crescimento foi puxado por setores de alta tecnologia
O avanço da indústria paranaense não ocorreu apenas nos setores tradicionais. O estudo destaca o crescimento de segmentos classificados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como de alta e média-alta intensidade tecnológica.
Nessa categoria estão atividades como a indústria automotiva, fabricação de máquinas e equipamentos, produtos químicos e equipamentos elétricos, setores que exigem investimentos mais elevados em inovação, pesquisa e desenvolvimento.
Entre 1985 e 2024, o Paraná ampliou em 4,66 pontos percentuais sua participação no emprego nacional desses segmentos, registrando um dos maiores crescimentos do País.
Segundo o estudo, o fortalecimento dessas atividades contribui para a disseminação de conhecimento, tecnologia e inovação em diferentes áreas da economia.
Mercado de trabalho acompanha crescimento industrial
Os números apresentados pelo IEDI também aparecem em outros indicadores econômicos recentes.
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) mostram que o Paraná alcançou 210 mil trabalhadores em atividades tecnológicas em 2024, um crescimento de 36% na comparação com 2017.
A expansão dos setores mais intensivos em tecnologia também teve reflexos na renda dos trabalhadores. Levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) aponta que o volume total de salários pagos no Estado cresceu 40,9% acima da inflação entre 2018 e 2024.
Nesse período, a massa salarial anual passou de R$ 122 bilhões para R$ 217 bilhões.
Outro dado destacado pelo estudo mostra que o Paraná registrou o maior crescimento do Brasil na relação entre empregos industriais e população. Entre 1985 e 2024, o Estado ganhou 37 empregos industriais para cada mil habitantes.
Nos segmentos de alta e média-alta intensidade tecnológica, o avanço foi de 11,4 empregos por mil habitantes.
Os efeitos desse processo também aparecem nos indicadores de emprego. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do IBGE, o Paraná encerrou 2025 com taxa de desemprego de 3,2%, a menor já registrada na série histórica do instituto.
