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Com quase 600 mortes em um ano, rodovias do Paraná entram na mira da Assembleia

Presidente da Comissão de Obras da Alep exige explicações sobre intervenções nos pontos mais perigosos das rodovias federais e questiona demora na adoção de medidas para reduzir acidentes fatais

Por Eliane Alexandrino

Com quase 600 mortes em um ano, rodovias do Paraná entram na mira da Assembleia Créditos: Reprodução/CGN

O deputado estadual Ney Leprevost (Republicanos), presidente da Comissão de Obras, Transportes e Comunicações da Assembleia Legislativa do Paraná, protocolou um requerimento cobrando explicações das concessionárias responsáveis pelos seis lotes de rodovias federais concedidas no Estado. O parlamentar quer informações detalhadas sobre as obras e ações em andamento para reduzir acidentes, especialmente os que resultam em mortes.

A iniciativa foi motivada por dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que revelam um cenário preocupante nas estradas paranaenses. Somente em 2025, foram registrados 7.620 acidentes nas rodovias federais do Paraná, com 593 mortes — uma média de uma vida perdida a cada 14 horas. Levantamento da própria PRF aponta ainda que o início de 2026 apresentou aumento de aproximadamente 14% no número de óbitos em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Estamos falando de centenas de vidas perdidas todos os anos. Não podemos aceitar que tragédias continuem acontecendo repetidamente nos mesmos locais sem que haja intervenções urgentes e efetivas. A população paga pedágio e espera segurança”, afirmou Leprevost.

Segundo o deputado, diversos trechos das BRs 277, 376, 373 e 476 aparecem com frequência entre os mais perigosos do Estado, mesmo sendo locais já conhecidos pelos órgãos de trânsito e pelas concessionárias.

“O questionamento é simples: se os locais mais perigosos são conhecidos, por que continuam registrando os mesmos acidentes? O que efetivamente está sendo feito para evitar novas tragédias?”, questionou.

No documento encaminhado às empresas, Leprevost solicita informações sobre os pontos críticos de cada lote rodoviário, as intervenções já realizadas para aumentar a segurança viária, as obras em execução ou previstas com cronograma definido, além de indicadores que demonstrem eventual redução de acidentes após as melhorias.

O parlamentar também pede o mapeamento dos locais com reincidência de acidentes e detalhes sobre as tecnologias utilizadas para monitoramento e prevenção, como sistemas inteligentes de tráfego e controle de velocidade.

Para o deputado, não bastam promessas futuras ou justificativas baseadas em metas contratuais de longo prazo.

“A sociedade quer saber o que está sendo feito agora, exatamente nos pontos onde as pessoas continuam morrendo. Cada acidente fatal que se repete no mesmo local não é apenas uma estatística; é um indicativo de que alguma medida necessária ainda não foi tomada”, destacou.

O requerimento foi encaminhado às concessionárias Via Araucária, EPR Litoral Pioneiro, Motiva Paraná, EPR Paraná, Via Campo e EPR Iguaçu, responsáveis pelos lotes rodoviários concedidos pelo Governo Federal no Paraná.

“Estamos diante de contratos bilionários e da cobrança permanente de tarifas de pedágio. Por isso, é legítimo que a população saiba exatamente quais ações estão sendo sendo realizadas para salvar vidas. A segurança viária deve ser prioridade absoluta”, concluiu o deputado.

Foto: Divulgação

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