Escolha do nome de Caiado tem baixa adesão entre lideranças do PSD
Alguns dos principais nomes do partido estão ao lado ou de Lula, ou de Flávio Bolsonaro para a disputa à presidência
Por Da Redação
Créditos: Divulgação/PSD
O lançamento da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República pelo Partido Social Democrático (PSD) evidenciou um desafio que vai além da disputa nacional: a necessidade de unificar uma legenda marcada por diferentes posicionamentos políticos.
Apresentado com o discurso de superação da polarização, Caiado ainda precisa consolidar apoio dentro do próprio partido. O PSD abriga lideranças que já sinalizam alinhamento com diferentes projetos presidenciais, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador mineiro Romeu Zema (Novo).
O evento de lançamento, realizado em São Paulo, teve baixa adesão de lideranças nacionais. A maioria dos presentes era do próprio estado, e a ausência de manifestações públicas de apoio nas redes sociais de governadores e pré-candidatos do PSD reforçou a percepção de falta de engajamento interno. Dos sete governadores da sigla, quatro não comentaram a pré-candidatura.
Entre as manifestações registradas, o governador do Paraná, Ratinho Junior, foi o único a divulgar apoio público imediato. Ele destacou a experiência administrativa de Caiado, especialmente nas áreas de segurança e educação. Nos bastidores, porém, aliados indicam que Ratinho pode adotar estratégia de “palanque duplo”, mantendo proximidade também com Flávio Bolsonaro para preservar espaço político no eleitorado de direita.
Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que disputava a indicação do partido, criticou a escolha. Em vídeo, afirmou que a decisão tende a manter a polarização política no país e defendeu um caminho alternativo de centro liberal.
Outros governadores do PSD adotam posições diversas. Em Pernambuco, Raquel Lyra busca aproximação com o governo federal e deve manter neutralidade na disputa. Em Sergipe, Fábio Mitidieri já declarou apoio à reeleição de Lula. Em Minas Gerais, Mateus Simões indicou que apoiará Zema, reforçando a fragmentação interna.
A divisão também se reflete entre pré-candidatos aos governos estaduais. Parte deles já construiu alianças com outros presidenciáveis, como o senador Omar Aziz, próximo de Lula, e o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que articula candidatura alinhada ao PT.
No Congresso, lideranças do PSD também mantêm proximidade com o governo federal. O deputado Antonio Brito e a senadora Eliziane Gama não destacaram o lançamento da pré-candidatura, sendo que a parlamentar chegou a publicar recentemente conteúdo ao lado de Lula.
Diante desse cenário, integrantes do partido avaliam que o engajamento em torno de Caiado pode evoluir apenas caso sua candidatura apresente crescimento nas pesquisas de intenção de voto. Até lá, a tendência é de manutenção da autonomia regional das lideranças.
O próprio Caiado reconheceu a necessidade de ampliar o diálogo interno. Segundo ele, a pré-candidatura é resultado de conversas dentro do partido, e haverá esforço para buscar apoio de diferentes alas, incluindo Eduardo Leite.
Com base eleitoral concentrada em Goiás, o governador inicia a pré-campanha com o desafio de transformar sua candidatura em um projeto nacional viável, ao mesmo tempo em que tenta reduzir as divergências dentro de uma das maiores siglas do país.
