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Fornecedores cobram pagamentos após inauguração da Ponte de Guaratuba, obra símbolo do governo

Faixa instalada às margens da nova ligação entre Guaratuba e Matinhos pede que Consórcio Nova Ponte “honre com seus fornecedores”; relatos nas redes sociais apontam supostos atrasos de pagamentos a empresas e trabalhadores ligados à construção

Por Gazeta do Paraná

Fornecedores cobram pagamentos após inauguração da Ponte de Guaratuba, obra símbolo do governo Créditos: Rádio Guaratuba

Menos de dois meses após a inauguração da Ponte de Guaratuba, uma das obras mais emblemáticas da gestão Ratinho Junior, uma nova polêmica começou a ganhar visibilidade no litoral paranaense. Uma faixa instalada nas proximidades da estrutura cobra publicamente o pagamento de fornecedores e direciona o apelo ao Consórcio Nova Ponte, responsável pela construção da obra.

“A ponte ficou linda… mas precisamos receber. Consórcio Nova Ponte honre com seus fornecedores”, diz a mensagem exibida em local de grande circulação de veículos. A imagem foi publicada pela Rádio Guaratuba.

A manifestação ocorre justamente após a entrega da ponte, inaugurada em maio deste ano como a principal vitrine de infraestrutura do governo estadual. A estrutura substituiu a histórica travessia por ferry boat e recebeu investimentos superiores a R$ 400 milhões ao longo de sua execução.  

Embora a faixa não identifique os autores da cobrança, comentários publicados em redes sociais sugerem que a reivindicação não estaria isolada.

Em uma das manifestações, uma mulher afirma que o marido trabalhou na obra e que ainda não teria recebido valores devidos. "Meu marido trabalhou na ponte e não recebemos”, escreveu.

Outro internauta afirmou que “tem muito fornecedor que está passando por uma situação muito difícil por causa de não receber da Nova Ponte Consórcio”.

As publicações também desencadearam intenso debate entre moradores. Enquanto alguns responsabilizam diretamente o governo estadual pela situação, outros argumentam que eventual inadimplência caberia ao consórcio executor da obra, e não ao Estado, desde que os pagamentos contratuais tenham sido efetuados regularmente.

Obra foi executada por consórcio formado por três gigantes da engenharia. A Ponte de Guaratuba foi construída pelo Consórcio Nova Ponte, formado pelas empresas OECI S.A., Carioca Christiani-Nielsen Engenharia S.A. e Goetze Lobato Engenharia S.A. O grupo venceu a licitação promovida pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) com proposta inicial de R$ 386,9 milhões.  

Ao longo da execução, entretanto, o contrato recebeu sucessivos aditivos. Levantamento já divulgado pela Gazeta do Paraná apontou que o custo da obra ultrapassou R$ 488 milhões, representando aumento superior a R$ 100 milhões em relação ao valor originalmente contratado.  

Agora, a discussão parece deixar o campo dos aditivos e alcançar outra esfera: a relação do consórcio com fornecedores, prestadores de serviço e empresas subcontratadas.

Relações “éticas, saudáveis e justas”

A situação ganha contornos ainda mais delicados quando confrontada com documentos institucionais de uma das integrantes do consórcio.

A Política de Fornecedores da Goetze Lobato Engenharia (GEL) estabelece que a empresa busca manter relações comerciais “saudáveis, éticas e justas” com seus fornecedores e parceiros de negócios. O documento afirma ainda que os compromissos assumidos não são unilaterais e também vinculam a empresa perante seus fornecedores.  

A política interna determina que contratos devem especificar claramente valores e formas de pagamento, além de prever monitoramento contínuo do cumprimento dos compromissos assumidos pelas partes.  

O documento também prevê canais de denúncia para comunicação de eventuais irregularidades envolvendo a relação entre a empresa e seus fornecedores.  

Histórico recente já acumulava questionamentos

A cobrança pública surge em um momento em que a obra já vinha sendo alvo de questionamentos.

Em abril, denúncia recebida pela Gazeta do Paraná apontou suspeitas envolvendo novos aditivos contratuais e possíveis irregularidades relacionadas à gestão da obra. Na ocasião, o DER foi procurado para prestar esclarecimentos.  

Outro episódio chamou atenção em 2024, quando a OEC, uma das empresas integrantes do consórcio, ingressou com pedido de recuperação judicial envolvendo passivos bilionários. Na época, a empresa afirmou que a medida não afetaria a execução da Ponte de Guaratuba e o governo estadual garantiu que não havia risco de paralisação das obras.  

 

Perguntas que permanecem sem resposta

A principal questão agora é objetiva: existem fornecedores efetivamente sem receber?

Caso a resposta seja positiva, outras perguntas surgem naturalmente.

Quantas empresas estariam nessa situação? Há quanto tempo aguardam pagamento? Qual o valor total das pendências? Os débitos são de responsabilidade direta do Consórcio Nova Ponte ou de empresas terceirizadas contratadas por integrantes do grupo? O DER-PR quitou integralmente as medições da obra ou há valores ainda pendentes junto ao consórcio?

Até que essas respostas apareçam, a faixa instalada às margens da ponte permanece como um símbolo incômodo.

Afinal, depois de décadas de espera, a Ponte de Guaratuba foi entregue. O que parte dos fornecedores afirma agora é que a obra pode ter terminado para os usuários, mas ainda não terminou para quem aguarda receber pelo trabalho realizado.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp