Empresa de assessor de Tião Medeiros recebeu R$ 126 mil do gabinete de Adriano José na Alep
Pagamentos com verba pública para locação de veículos expõem ligação entre deputado estadual do PP e empresário que atua como secretário parlamentar no gabinete do deputado federal Tião Medeiros
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Reprodução Instagram
Uma sequência de pagamentos feitos com dinheiro público pelo gabinete do deputado estadual Soldado Adriano José (PP), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), abriu uma nova frente de questionamentos políticos no noroeste do Estado.
Levantamento divulgado pelo portal O Diário de Maringá revelou que o gabinete do parlamentar registrou R$ 126 mil em despesas com locação de veículos, pagos à empresa Douglas Veículos, sediada em Paranavaí.
Agora, cruzamento de informações indica que o proprietário da empresa é assessor parlamentar do deputado federal Tião Medeiros (PP) — aliado político de Adriano José e integrante do mesmo partido.
O caso mistura verba pública, vínculos partidários e relações políticas regionais, criando um enredo que começa a chamar atenção no meio político.
A sequência de pagamentos
De acordo com as reportagens publicadas, os gastos foram realizados por meio de 12 notas fiscais de R$ 10.500 cada, emitidas pela empresa Douglas Veículos.
A sequência de documentos chamou atenção por ocorrer praticamente de forma contínua ao longo do período analisado.
Somados, os pagamentos chegam a R$ 126 mil, valor suficiente para a compra de veículos novos em algumas categorias populares.
A despesa foi realizada com recursos da verba de ressarcimento parlamentar, destinada a custear atividades do mandato.
Embora esse tipo de despesa seja permitido, a repetição de pagamentos elevados costuma acender alerta sobre critérios de economicidade e eventuais relações entre fornecedores e agentes políticos.

O dono da empresa
O proprietário da Douglas Veículos seria Luiz Douglas Arneiro Santos.
Registros da Câmara dos Deputados mostram que ele ocupa cargo comissionado de secretário parlamentar no gabinete do deputado federal Tião Medeiros, com atuação vinculada ao gabinete do parlamentar.
Dados públicos de remuneração indicam que o cargo é um posto político dentro da estrutura parlamentar, com vencimentos superiores a R$ 9 mil líquidos mensais, além de benefícios.
Nas redes sociais, Douglas Arneiro mantém perfil público no qual se apresenta como empresário do setor automotivo, vinculado à marca Douglas Veículos.
Ou seja: o mesmo nome que aparece nas notas fiscais pagas pelo gabinete do deputado estadual também figura como assessor parlamentar em Brasília.
O fator político
A coincidência não para por aí.
O deputado estadual Adriano José e o deputado federal Tião Medeiros pertencem ao mesmo partido, o Progressistas (PP).
Ambos atuam politicamente no noroeste do Paraná, especialmente na região de Paranavaí.
Em publicações eleitorais nas redes sociais, os dois aparecem juntos em agendas políticas e eventos de campanha municipal, apoiando candidatos da região.
Em um comício realizado em Inajá, por exemplo, os dois foram citados publicamente como apoiadores da campanha local.
O elo partidário e regional levanta questionamentos inevitáveis:
é apenas coincidência comercial ou há proximidade política demais em contratos pagos com dinheiro público?
O outro fantasma: rachadinha
O episódio ocorre justamente no momento em que o nome de Adriano José volta a circular em outra frente delicada.
Reportagem recente citou denúncia que menciona possíveis movimentações financeiras que poderiam chegar a R$ 5 milhões envolvendo o gabinete do deputado.
O caso envolve suspeitas relacionadas ao chamado esquema de rachadinha, prática em que assessores devolvem parte de seus salários a políticos ou intermediários.
As denúncias já haviam surgido anos atrás, quando um ex-assessor acusou o gabinete de operar um esquema desse tipo.
O deputado negou as acusações na época e afirmou ser alvo de perseguição política.
Até hoje, o caso segue cercado de controvérsias.
O cenário político em Paranavaí
Adriano José é um dos principais nomes políticos da região de Paranavaí e costuma participar de agendas institucionais e eventos políticos locais.
Seu nome aparece, por exemplo, em sessões itinerantes da Assembleia Legislativa realizadas na cidade, ao lado de outras lideranças regionais.
Nos bastidores da política regional, a proximidade entre lideranças locais e estruturas de poder costuma ser vista como natural.
O problema começa quando empresas ligadas a assessores parlamentares passam a aparecer como beneficiárias de contratos pagos com verba pública de outros gabinetes.
Perguntas que ficam
Os novos elementos não significam, por si só, irregularidade.
Mas deixam perguntas inevitáveis no ar:
Por que o gabinete de um deputado estadual contrata serviços de uma empresa cujo proprietário atua como assessor parlamentar em Brasília?
Houve outros fornecedores consultados?
Qual foi o critério para a escolha da empresa?
E, principalmente: até onde vão as conexões políticas por trás dos contratos pagos com dinheiro público?
Créditos: Redação
