GCAST

Desaparecimento no Pico Paraná leva Alep a discutir segurança em trilhas e montanhas

Projetos de lei propõem sinalização, pontos de encontro e sistema estadual de informações após jovem ficar cinco dias perdido

Desaparecimento no Pico Paraná leva Alep a discutir segurança em trilhas e montanhas Créditos: Denis Ferreira Netto

O desaparecimento do jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, no Parque Estadual Pico Paraná, reacendeu o debate sobre a segurança em trilhas e áreas de montanhismo no Paraná e motivou a apresentação de projetos de lei na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O caso ganhou repercussão nacional após o rapaz passar cinco dias perdido em uma região de difícil acesso entre os municípios de Campina Grande do Sul e Antonina.

Roberto havia subido ao cume do Pico Paraná, o ponto mais alto da região Sul do Brasil, durante a virada do ano. Ele percorreu mais de 20 quilômetros por trilhas e áreas de mata fechada até conseguir ajuda em uma fazenda no município de Antonina. O resgate mobilizou mais de 100 bombeiros militares, cerca de 300 voluntários e servidores do Instituto Água e Terra (IAT), segundo o Governo do Paraná.

Diante do episódio e de outros registros recentes envolvendo trilheiros que se perderam em parques estaduais, parlamentares apresentaram duas propostas legislativas nesta semana, mesmo durante o recesso parlamentar. A tramitação dos projetos deve começar em fevereiro, com a retomada dos trabalhos na Alep.

Sistema estadual para orientar trilheiros e montanhistas

Um dos projetos foi apresentado pela deputada estadual Flávia Francischini (União Brasil), 1ª vice-presidente da Alep. A proposta cria o Sistema Estadual de Informação e Orientação ao Usuário de Trilhas e Montanhas (SEIOTM), voltado a praticantes de montanhismo, trilhas e ecoturismo.

O sistema prevê a disponibilização de informações por meio de plataformas digitais, como grau de dificuldade das trilhas, tempo médio de percurso, pontos de risco, condições climáticas e contatos de emergência. A gestão ficaria a cargo do Instituto Água e Terra, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná e entidades civis ligadas à prática esportiva e ambiental.

LEIA TAMBÉM:
>Jovem é encontrado após desaparecer durante trilha no Pico Paraná
>O que se sabe sobre o jovem que sumiu após trilha no Pico Paraná
>Com Plano de Uso Público, IAT busca minimizar impacto de visitantes no Pico Paraná

O texto também propõe a classificação técnica das trilhas, com critérios como inclinação, extensão, exposição a intempéries e exigência física. Além disso, cria a Semana Estadual de Conscientização e Segurança em Atividades de Aventura e Ecoturismo, prevista para a primeira semana de janeiro, período de maior fluxo de visitantes em unidades de conservação.

Na justificativa, a deputada cita dados de resgates no Pico do Marumbi, onde 75% das ocorrências acontecem entre outubro e maio. Segundo o levantamento, 58% dos chamados envolvem desorientação, 39% quedas ou fraturas e 3% situações de pânico, afetando principalmente visitantes sem experiência ou preparo adequado.

A proposta ainda prevê a criação de um conselho consultivo, elaboração de uma cartilha de montanhismo responsável e instalação de sinalização informativa nas trilhas e áreas naturais.

Pontos de encontro para facilitar resgates

Outro projeto foi apresentado pelo deputado estadual Matheus Vermelho (PP), que propõe a criação da Política Estadual de Segurança em Trilhas, Áreas de Montanhismo e Ambientes Naturais de Difícil Acesso. O texto prevê a instalação dos chamados Pontos de Encontro Sustentáveis (PES) ao longo dos percursos.

Esses pontos contariam com sinalização de alta visibilidade, mapas, água potável, kits de primeiros socorros e informações básicas para orientação dos usuários. Segundo o parlamentar, as estruturas devem adotar soluções de baixo impacto ambiental, preferencialmente removíveis e compatíveis com as normas de proteção ambiental.

“A ausência de pontos de referência claros dificulta as operações de busca e salvamento. Caso existissem pontos previamente identificados e georreferenciados, o tempo de busca poderia ser significativamente reduzido”, avaliou Matheus Vermelho.

O projeto também prevê que o mapeamento das trilhas seja realizado com apoio de órgãos ambientais, forças de segurança, Defesa Civil e entidades especializadas. O texto destaca que a implementação das medidas deverá ocorrer conforme a disponibilidade orçamentária, sem gerar novas despesas obrigatórias ao Executivo.

Acesse nosso canal no WhatsApp