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Debate ao Senado no Paraná: Gazeta checa principais declarações dos candidatos e candidatas

Falas sobre Banco Master, Deltan Dallagnol, “saidinhas”, bets, feminicídio, escala 6×1 e STF foram confrontadas com documentos e dados oficiais

Por Ana Zimermann

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Debate ao Senado no Paraná: Gazeta checa principais declarações dos candidatos e candidatas Créditos: site Band

Contrariando o que vem acontecendo entre os candidatos à Presidência que, nas Eleições 2026, vêm esvaziando os debates, os candidatos e as candidatas ao Senado pelo Paraná participaram, na noite de ontem (9), de encontro promovido pela Band, em Curitiba. 

Seis dos nove postulantes às duas vagas ao Senado estiveram presentes: Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Dr. Rosinha (PT), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT). Dividido em três blocos e com um total de 25 pedidos de direito de resposta (apenas oito foram concedidos), o debate teve como temas destacados: STF, Banco Master, segurança pública, feminicídios, bets, escala 6x1, rodovias, saúde e emendas parlamentares.

A Gazeta do Paraná listou e checou as principais declarações, classificando-as em: verdadeira, verdadeira com ressalvas, imprecisa, enganosa, sem comprovação ou falsa. Confira: 

 

1. Deltan Dallagnol: “A Justiça Eleitoral confirmou a minha elegibilidade”.

O candidato afirmou, durante o confronto com Gleisi Hoffmann, que, no dia anterior ao debate, a Justiça Eleitoral havia confirmado sua elegibilidade.

Classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS.

Em 8 de setembro, o TRE-PR deferiu o registro de Deltan para disputar o Senado. O processo é o nº 0601276-56.2026.6.16.0000 e teve placar de 4 votos a 3.

A afirmação necessita de ressalva porque o deferimento ocorreu no Tribunal Regional Eleitoral. A legislação eleitoral prevê recursos contra decisões sobre registros de candidatura, de modo que dizer que a elegibilidade estava “confirmada” poderia passar a impressão de uma decisão necessariamente definitiva e irrecorrível. Consulte a documentação do TRE-PR.

2. Gleisi Hoffmann: “Deltan ‘burlou a Lei da Ficha Limpa’ e foi cassado por isso”. 

Gleisi afirmou que Deltan havia “burlado a Lei da Ficha Limpa” ao deixar o Ministério Público Federal e que teria sido cassado por isso.

Classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS.

Em maio de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral cassou por unanimidade o registro da candidatura de Deltan nas eleições de 2022. Segundo o TSE, ele pediu exoneração do MPF quando havia 15 procedimentos administrativos que poderiam evoluir para processos disciplinares.

No julgamento, o relator, ministro Benedito Gonçalves, empregou expressamente o conceito de “fraude à lei”, entendendo que a exoneração foi antecipada para afastar a incidência da Lei Complementar 64/1990.

A ressalva é que aquela decisão dizia respeito ao registro da eleição de 2022. A situação jurídica da candidatura de 2026 foi submetida a uma nova análise e recebeu decisão favorável no TRE-PR. Veja os fundamentos da decisão de 2023.

3. Deltan Dallagnol: “Gleisi votou contra o ‘fim das saidinhas’”.

Deltan também acusou Gleisi de votar contra o chamado “fim das saidinhas”.

Classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS.

As votações nominais do Congresso mostram que Gleisi votou pela manutenção dos vetos presidenciais aos dispositivos que retiravam a saída temporária para visita à família e para atividades voltadas à ressocialização.

O Congresso derrubou os vetos, contrariando a posição defendida pela então senadora.

A expressão “fim das saidinhas”, no entanto, simplifica o alcance da legislação. Mesmo depois da alteração, não desapareceram todas as formas de saída temporária, permanecendo hipóteses relacionadas a estudo e formação profissional. Confira a votação nominal no Congresso

4. Cristina Graeml: “Filipe apresentou proposta para elevar o FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão” 

No confronto sobre o Banco Master, Cristina Graeml afirmou que Filipe Barros havia apresentado uma proposta para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS.

Filipe apresentou o PL 4.395/2024 em 14 de novembro de 2024. O texto previa cobertura de até R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira.

Hoje, a garantia ordinária do FGC é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado, respeitadas as demais regras do fundo.

A proposta de Filipe permaneceu formalmente em tramitação até fevereiro de 2026. O deputado pediu sua retirada em 2 de fevereiro, e o requerimento foi processado no dia seguinte. A ressalva é apenas terminológica: durante a discussão política, a proposta chegou a ser chamada de “emenda”, mas tecnicamente se tratava de um projeto de lei. Consulte o PL 4.395/2024 na Câmara.

5. Filipe Barros: “Denunciei o Banco Master à PF, PGR e CVM em dezembro de 2024” 

Ao responder às críticas, Filipe disse ter denunciado o Banco Master à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e à Comissão de Valores Mobiliários em dezembro de 2024.

Classificação: SEM COMPROVAÇÃO.

A Gazeta do Paraná não localizou, até o fechamento desta checagem, registros públicos oficiais capazes de comprovar as três representações, nas instituições e na data citadas pelo candidato.

Existem documentos oficiais posteriores relacionados à atuação parlamentar sobre o Banco Master e à CVM, mas eles não demonstram, por si só, que as três denúncias alegadas foram protocoladas em dezembro de 2024.

O selo “sem comprovação” não significa que a declaração seja falsa. Representações à Polícia Federal e ao Ministério Público podem não ser públicas. A afirmação poderá ser comprovada caso sejam apresentados os números de protocolo e as cópias das denúncias. Veja documentação posterior sobre Banco Master e CVM na Câmara.

6. Deltan Dallagnol: “Governo Lula ‘legalizou o jogo do Tigrinho’”. 

Deltan afirmou que o governo Lula legalizou o chamado “jogo do Tigrinho”.

Classificação: IMPRECISA.

As apostas esportivas de quota fixa já haviam sido legalizadas em 2018, durante o governo Michel Temer. A regulamentação sofreu mudanças posteriores e, em 2023, durante o governo Lula, a legislação passou a abranger expressamente também jogos on-line.

Segundo o Ministério da Fazenda, a inclusão dos jogos on-line ocorreu durante a tramitação da proposta no Congresso Nacional e não constava originalmente da medida elaborada pela pasta.

Além disso, nenhuma portaria federal “legaliza o Tigrinho” individualmente. O Ministério da Fazenda esclarece que cada jogo precisa cumprir requisitos técnicos de certificação e ser disponibilizado por operador autorizado. Leia a explicação oficial do Ministério da Fazenda

7. Gleisi Hoffmann: “As bets chegaram ao governo Lula já legalizadas e desregulamentadas”.

No mesmo tema, Gleisi afirmou que as bets chegaram ao governo Lula “já legalizadas e desregulamentadas”.

Classificação: IMPRECISA.

A descrição é adequada apenas em parte. As apostas esportivas de quota fixa foram legalizadas pela Lei 13.756/2018 e chegaram a 2023 sem que o modelo regulatório tivesse sido integralmente implementado.

Por outro lado, os jogos on-line incorporados ao atual mercado de apostas passaram a constar expressamente da legislação apenas em 2023.

Por isso, não é correto tratar todas as modalidades atualmente incluídas no termo “bets” como se já estivessem legalizadas antes do início do terceiro governo Lula. Veja a cronologia oficial da regulamentação.

8. Filipe Barros: “Votei a favor do fim da escala 6×1”.

Filipe Barros afirmou durante o debate que votou a favor do fim da escala 6×1.

Classificação: VERDADEIRA.

O registro de votações nominais da Câmara dos Deputados confirma o voto “sim” de Filipe, em 27 de maio de 2026, nas votações da PEC 221/2019 relacionadas à redução da jornada e ao regime de dias de trabalho.

Neste caso, não foi encontrada divergência entre a declaração do candidato e seu registro parlamentar. Consulte as votações nominais de Filipe Barros.

9. Cristina Graeml: “O Paraná reduziu o feminicídio e vem reduzindo crimes ano após ano”.

Cristina Graeml afirmou que “o Paraná reduziu o feminicídio” e que o Estado vinha reduzindo crimes “ano após ano” durante o governo Ratinho Junior.

Classificação: ENGANOSA.

A primeira parte possui respaldo nos números mais recentes. A Sesp-PR registrou 87 feminicídios em 2025, contra 109 em 2024, uma redução de 20,2%. Entretanto, os dados do próprio governo estadual contradizem a ideia de queda contínua. Em 2024, os feminicídios haviam aumentado 34,6%, saltando de 81 casos em 2023 para 109.

Também não existe redução ininterrupta quando se observa um indicador mais amplo de mortes violentas. A taxa passou de 16,84 em 2019 para 18,21 em 2020 e voltou a subir de 17,14 em 2021 para 18,11 em 2022, antes de entrar em trajetória de queda nos anos seguintes.

Assim, a fala combina um dado verdadeiro sobre a queda mais recente com uma generalização que os números oficiais não sustentam. Veja o balanço de 2025 da Sesp-PR.

10. Alexandre Curi: “Senado terá papel na indicação de até quatro ministros do STF” 

Alexandre Curi afirmou que o Senado terá papel fundamental na indicação de “até quatro” ministros do Supremo Tribunal Federal nos próximos anos.

Classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS.

O cálculo está correto considerando as aposentadorias compulsórias atualmente previsíveis. Os senadores eleitos em 2026 terão mandato de 2027 a 2035. Nesse intervalo, Luiz Fux completa 75 anos em 2028; Cármen Lúcia, em 2029; Gilmar Mendes, em 2030; e Edson Fachin, em 2033. Pela legislação brasileira, ministros dos tribunais superiores se aposentam compulsoriamente aos 75 anos.

A ressalva é que o Senado não faz a indicação original. A Constituição atribui ao presidente da República a escolha do nome. Aos senadores cabe realizar a sabatina e aprovar ou rejeitar a indicação por maioria absoluta. Também não existe garantia de que serão exatamente quatro vagas, já que outras vacâncias podem ocorrer por motivos diferentes da aposentadoria compulsória. Entenda no Senado como funciona a escolha de ministros do STF.

 

Além dos seis participantes do debate realizado pela Band ontem, também disputam vaga no Senado pelo Paraná: Joaquim do MLB (UP), Karen Guerreiro (Missão) e Marcelo Marcelino (PCO). 

Créditos: Ana Zimermann Acesse nosso canal no WhatsApp