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Caixa Econômica Federal tem greve nacional dos bancários nesta quinta

Funcionários da Caixa iniciaram greve por tempo indeterminado após rejeitarem proposta sobre o custeio do plano de saúde; no Banco do Brasil, paralisação ocorre apenas em parte das bases

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Caixa Econômica Federal tem greve nacional dos bancários nesta quinta Créditos: José Cruz/Agência Brasil

Bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil iniciaram uma greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10). A paralisação ocorre em meio ao impasse nas negociações sobre o custeio dos planos de saúde dos funcionários.

Na Caixa, a greve tem caráter nacional. No Banco do Brasil, apenas parte dos trabalhadores aderiu à paralisação. Outras bases aceitaram a proposta apresentada pela instituição.

A categoria assinou uma convenção coletiva de trabalho nesta quarta-feira (9), com reajuste salarial acima da inflação para cerca de 500 mil bancários. O mesmo percentual será aplicado aos benefícios, como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche.

Os trabalhadores também terão direito à Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

O principal ponto de divergência com os dois bancos públicos está relacionado aos planos de saúde. Segundo Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, não houve acordo sobre o tema, principalmente nas negociações com a Caixa.

Caixa tem greve nacional

Atualmente, os funcionários da Caixa pagam 3,5% do salário-base pelo plano de saúde, além de R$ 480 mensais por dependente. Para dependentes com idade entre 24 e 27 anos, o valor é de R$ 800.

A proposta apresentada pela Caixa previa aumento desses valores. A contribuição sobre o salário passaria de 3,5% para 5,5%. O valor mensal por dependente subiria para R$ 870 e, para dependentes com idade entre 24 e 27 anos, chegaria a R$ 1.050.

A proposta foi rejeitada pelos trabalhadores, que decidiram iniciar a greve, mas também aceitaram retomar as negociações.

Nas assembleias, 93 bases sindicais aprovaram a paralisação. Outras 35 rejeitaram a proposta, mas optaram pela continuidade das negociações. Nas demais bases, o acordo foi aprovado.

"A expressiva rejeição da proposta nas assembleias realizadas em todo o país demonstra que ela está muito distante das necessidades e das expectativas dos trabalhadores da Caixa. A principal preocupação é com o Saúde Caixa, uma questão que precisa ser tratada com a complexidade e o cuidado que necessita", afirmou Neiva Ribeiro.

Em nota, a Caixa informou que mantém o diálogo com as entidades que representam os empregados e que continua trabalhando pela renovação do acordo coletivo.

"O objetivo é construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas, com foco na valorização dos empregados, na sustentabilidade da instituição e na continuidade da prestação de serviços à sociedade", afirmou o banco.

Banco do Brasil tem adesão parcial

No Banco do Brasil, o impasse também envolve o custeio do plano de saúde.

Durante as assembleias, 39 sindicatos aprovaram a proposta de aporte de R$ 360 milhões para garantir a manutenção do plano até novembro deste ano. Entre as bases que aprovaram a proposta estão São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Niterói e Jundiaí.

Por outro lado, 60 sindicatos rejeitaram a proposta e decidiram pela retomada das negociações. Entre eles estão as bases de Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.

Outros 27 sindicatos decidiram pela greve a partir desta quinta-feira. A paralisação foi aprovada, por exemplo, nas bases de Belo Horizonte, Bahia, Ceará e Piauí.

O Banco do Brasil informou que participa da mesa única de negociação da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que reúne representantes dos bancos, além de manter uma mesa específica para tratar das reivindicações de seus funcionários.

"Para a data-base de 2026, foram realizadas várias rodadas de negociação, que resultaram na proposta apresentada às entidades sindicais e aprovada em diversas assembleias em todo o país", informou o banco.

Como ficam os atendimentos do Banco do Brasil

O Banco do Brasil orienta os clientes a utilizarem os canais digitais e os demais serviços de atendimento durante a greve.

Entre as alternativas estão o aplicativo, o internet banking, os correspondentes bancários e o atendimento telefônico.

Os clientes podem entrar em contato pelo número 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, ou pelo 0800-7290001, para as demais localidades. O banco também disponibiliza atendimento pelo WhatsApp, no número (61) 4004-0001.

Segundo Neiva Ribeiro, as instituições financeiras devem orientar os clientes sobre as alternativas disponíveis para pagamentos de contas, boletos, tributos e outros compromissos financeiros durante a paralisação.

"A greve é um direito constitucional dos trabalhadores e não deve resultar em prejuízos aos clientes", afirmou.

Reajuste dos bancários

O percentual de reajuste salarial dos bancários será divulgado nesta sexta-feira (11). O índice terá como base a inflação medida pelo INPC entre setembro de 2025 e agosto de 2026, acrescida de 0,6% de aumento real.

A categoria também terá direito à PLR. O benefício não tem um valor fixo e varia de acordo com o salário do trabalhador e o lucro registrado pelo banco.

A regra básica da PLR corresponde a 90% do salário-base e das verbas salariais fixas, acrescida de uma parcela fixa. Há ainda uma parcela adicional, que corresponde à distribuição de 2,2% do lucro líquido do banco entre os empregados elegíveis.

A fórmula possui limites individuais e também limites relacionados ao lucro de cada instituição financeira.

A PLR referente a 2026 será paga até o fim de março de 2027. Uma antecipação, no entanto, está prevista para este mês.

De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, essa antecipação terá uma parcela calculada com base no salário e outra vinculada ao lucro obtido pelo banco no primeiro semestre.

Os valores fixos e os limites previstos na fórmula da PLR serão atualizados de acordo com o reajuste salarial.

O movimento ocorre após 13 rodadas de negociação e mais de dois meses de mobilização da categoria. Segundo Neiva Ribeiro, as próximas discussões também devem envolver questões relacionadas à saúde mental dos trabalhadores e às regras da NR-1.

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