Créditos: Isabella Mayer/SECOM
Curitiba já tem mais idosos do que crianças, revela IBGE; capital é a 8ª do país em longevidade
População com 60 anos ou mais chega a 17,9% na capital e supera grupo de até 14 anos; dados da PNAD Contínua 2025 mostram que cidade envelhece mais rápido que a média nacional
Curitiba já tem mais moradores com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de até 14 anos. O dado consta na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua 2025), divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A capital paranaense aparece como a oitava entre as capitais com maior proporção de idosos.
Segundo o levantamento, os idosos representam 17,9% da população, o equivalente a cerca de 328 mil pessoas. Já o grupo de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos soma 290 mil moradores, ou 15,8% do total. A diferença é de aproximadamente 38 mil pessoas. Em 2025, Curitiba tinha população estimada em 1,83 milhão de habitantes.
O cenário local contrasta com o panorama nacional. No Brasil, a população jovem ainda é maior, com 19,5% de crianças e adolescentes, contra 16,6% de idosos. No Paraná, o padrão também se mantém, com 19,1% de jovens e 16,7% de pessoas com 60 anos ou mais.
Dentro do grupo de idosos em Curitiba, 227 mil pessoas têm 65 anos ou mais, o que representa 12,4% da população. Já os chamados “super-idosos”, com 80 anos ou mais, somam 48 mil moradores. A proporção atual indica 113 pessoas com mais de 60 anos para cada 100 crianças e adolescentes.
Serviços e políticas públicas
Com a mudança no perfil demográfico, a gestão municipal tem ampliado ações voltadas à população idosa. A Secretaria de Desenvolvimento Humano investe em iniciativas como os Espaços Conviver, que oferecem atividades culturais, aulas de idiomas e práticas físicas para pessoas com mais de 60 anos. Os participantes também realizam atividades em áreas externas, como parques e espaços culturais.
Outro programa em funcionamento é a Universidade Aberta à Pessoa Idosa, desenvolvida em parceria com o governo estadual. A iniciativa já atende moradores nas regionais Cajuru, Boa Vista e Bairro Novo, com atividades em sala e também em campo.
Acessibilidade e mobilidade
A adaptação da cidade ao envelhecimento da população também envolve intervenções urbanas. Espaços públicos têm recebido melhorias voltadas à acessibilidade, como calçadas niveladas, travessias seguras e áreas de descanso. A Alameda Prudente de Moraes é um dos exemplos, com estrutura adaptada e bancos protegidos.
Outras regiões com intervenções semelhantes incluem o entorno da Cruz do Pilarzinho, as ruas Bley Zorning e Niterói, a Avenida República Argentina e a Rua Voluntários da Pátria. A Rua São Francisco também passou por revitalização, com implantação de faixas acessíveis no Largo da Ordem.
Ações integradas
As políticas voltadas à população idosa envolvem diferentes áreas da administração. A acessibilidade também é considerada na renovação da frota do transporte público e na requalificação de estações-tubo e terminais.
Outras iniciativas incluem mutirões de limpeza urbana, manutenção de parques e praças, ampliação da segurança com o programa Muralha Digital e modernização da iluminação pública.
Na área de qualidade de vida, programas como o Curitiba em Movimento oferecem atividades físicas gratuitas. Já na saúde, o aplicativo Saúde Já permite o agendamento de consultas na rede básica do SUS sem necessidade de deslocamento.
A população idosa também é atendida na educação, por meio das turmas de Educação de Jovens e Adultos. Na área social e cultural, há projetos como o Nosso Canto e cursos oferecidos pela Fundação Cultural de Curitiba e pela Fundação de Ação Social.
