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Contrato de entre escritório ligado a Ibaneis e fundo da Reag amplia pressão política no DF

Apesar da repercussão, a defesa de Ibaneis Rocha afirma que o governador não teve participação na negociação

Por Da Redação

Contrato de entre escritório ligado a Ibaneis e fundo da Reag amplia pressão política no DF Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um contrato de R$ 38 milhões firmado entre o escritório de advocacia associado ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e um fundo ligado à gestora Reag ampliou a pressão política sobre o chefe do Executivo distrital. A operação foi revelada em reportagem do jornal O Globo e ocorreu em maio de 2024, período em que o Banco de Brasília (BRB) já realizava negociações envolvendo ativos do Banco Master.

Segundo a apuração, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria vendeu ao fundo então chamado Reag Legal Claims — atualmente denominado Pedra Azul — direitos creditórios sobre honorários advocatícios relacionados a precatórios. Os créditos tinham valor nominal de R$ 38 milhões, com data-base de dezembro de 2021.

Esse tipo de operação envolve a cessão do direito de receber valores provenientes de decisões judiciais definitivas contra o poder público. Como o pagamento de precatórios costuma demorar anos, esses ativos geralmente são negociados com deságio e risco elevado. No caso citado, a dívida total vinculada ao fundo Pedra Azul chegava a R$ 381,2 milhões, sem registro de recebimento dos honorários relacionados à operação até o momento.

O contrato foi assinado pela gerente administrativa do escritório, Luzineide Getro de Carvalho, e por Ramon Pessoa Dantas, diretor da Reag. Também participou da operação o escritório Engels Augusto Muniz Sociedade Individual de Advocacia.

A transação ganhou repercussão por envolver a Reag, gestora apontada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como peça central no esquema investigado no colapso do Banco Master. Segundo investigadores, a empresa integraria uma rede de fundos utilizada para movimentar recursos em operações consideradas irregulares, dificultando a rastreabilidade do dinheiro.

As investigações também apontam conexões entre a Reag e o fundo Borneo, que teria participado de operações envolvendo ações do BRB. O mesmo representante ligado ao grupo participou de assembleias de acionistas do banco público distrital em nome desse fundo. Parte dessas ações acabou bloqueada por decisão judicial.

Apesar da repercussão, a defesa de Ibaneis Rocha afirma que o governador não teve participação na negociação. Em nota assinada por seis advogados, o grupo afirma que ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018 e que não possui informações sobre tratativas realizadas anos depois.

“A defesa do Governador Ibaneis Rocha esclarece que ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018, de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento”, diz o texto. A nota também afirma que o governador nunca participou de negociações com representantes da empresa.

O caso ocorre em meio à crise enfrentada pelo BRB após as investigações sobre operações relacionadas ao Banco Master. A instituição pública tem adotado medidas para reforçar liquidez e reduzir riscos após a revelação de uma carteira de crédito considerada problemática.

A revelação do contrato acrescenta um novo elemento ao debate político no Distrito Federal, onde já existem pressões e questionamentos sobre as decisões envolvendo o BRB e a relação do banco com o Banco Master. Até o momento, a Reag não se manifestou sobre o assunto.

 

*Com informaç~eos de Brasil 247.

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