Confiança da indústria cai e chega ao menor nível da série histórica
Icei recuou 1,4 ponto em setembro, para 44,9 pontos, e mantém empresários pessimistas pelo 21º mês consecutivo, segundo a CNI
Créditos: CNI/José Paulo Lacerda
A confiança dos empresários industriais voltou a cair em setembro. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado nesta segunda-feira (14) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), recuou 1,4 ponto, passando de 46,3 para 44,9 pontos.
O indicador permanece abaixo dos 50 pontos, linha que separa confiança de pessimismo. Com o resultado, a indústria completa 21 meses consecutivos sem confiança. Segundo a CNI, é o período mais longo nessa situação já registrado pela série, considerando os anos de 2015 e 2016.
A queda ocorreu nos dois componentes do índice. Tanto a avaliação dos empresários sobre as condições atuais quanto as expectativas para os próximos meses pioraram em setembro.
“Essa queda foi generalizada, verificada em todos os componentes do índice, tanto a avaliação das condições correntes quanto as expectativas”, afirmou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Economia pesa sobre confiança
A avaliação dos empresários sobre a situação econômica brasileira foi um dos principais fatores para a queda do indicador.
O índice que mede a percepção sobre as condições atuais da economia caiu 3,6 pontos, de 36,6 para 33 pontos.
Já o Índice de Condições Atuais recuou 2,5 pontos, passando de 42,7 para 40,2 pontos.
Entre os principais resultados estão:
-
Condições atuais: 40,2 pontos, queda de 2,5 pontos;
-
Economia brasileira: 33 pontos, recuo de 3,6 pontos;
-
Condições das empresas: 43,8 pontos, queda de 1,9 ponto.
Os números mostram que a avaliação negativa não ficou restrita à economia do país. A percepção sobre a situação das próprias empresas também piorou no mês.
Expectativas para os próximos meses também recuam
As perspectivas para os próximos meses também ficaram menos favoráveis. O Índice de Expectativas caiu 0,9 ponto, de 48,1 para 47,2 pontos.
A expectativa em relação ao futuro da economia brasileira recuou de 39,7 para 39,1 pontos. Já a avaliação sobre o futuro das próprias empresas caiu 1 ponto, de 52,3 para 51,3 pontos.
Os resultados foram:
-
Índice de Expectativas: 47,2 pontos, queda de 0,9 ponto;
-
Futuro da economia: 39,1 pontos, recuo de 0,6 ponto;
-
Expectativas para as empresas: 51,3 pontos, queda de 1 ponto.
Mesmo com a queda, a expectativa dos empresários em relação às próprias empresas permaneceu acima dos 50 pontos. Já as perspectivas para a economia brasileira continuaram na faixa de pessimismo.
Desconfiança continua entre empresários
Para a CNI, as altas registradas pelo Icei em alguns momentos de 2026 não foram suficientes para mudar o cenário de desconfiança no setor industrial.
Segundo a entidade, as melhorias observadas ao longo do ano foram pontuais e não alteraram de forma significativa o quadro geral. A falta de confiança continua disseminada entre os empresários industriais.
A pesquisa de setembro ouviu 1.186 empresas industriais entre os dias 1º e 8 de setembro de 2026. Foram entrevistadas 475 pequenas empresas, 441 médias e 270 grandes empresas.
