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Fotos periciais mudam rumo de investigação sobre chacina em Icaraíma Créditos: PCPR

Fotos periciais mudam rumo de investigação sobre chacina em Icaraíma

Imagens anexadas aos autos apontam que as quatro vítimas sofreram agressões físicas graves e podem ter sido amarradas. Principais suspeitos do crime continuam foragidos

Quase dez meses após a chacina que resultou na morte de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Paraná, novos elementos incorporados ao processo judicial podem mudar os rumos da investigação. Fotografias periciais anexadas recentemente aos autos indicam que as vítimas podem ter sido submetidas a agressões e até mesmo tortura antes de serem executadas.

A informação foi divulgada pela advogada que representa as famílias das vítimas, Josiane Monteiro. Segundo ela, as imagens revelam indícios que não haviam sido amplamente discutidos nas fases iniciais da investigação e reforçam a hipótese de que os assassinatos foram precedidos por violência física.

Entre os detalhes apontados pela defesa está o fato de uma das vítimas ter sido encontrada com os pés amarrados por uma corda vermelha. Em outro caso, uma lesão localizada na região da orelha chamou a atenção dos peritos e pode indicar que a vítima sofreu agressões antes de morrer. Por respeito aos familiares, a defesa não informou quais vítimas apresentavam cada um dos ferimentos observados.

As novas evidências também colocam em dúvida uma das principais linhas investigativas adotadas logo após o crime. Inicialmente, a suspeita era de que os quatro homens tivessem sido mortos dentro do veículo utilizado por eles. No entanto, depoimentos colhidos ao longo da apuração e análises técnicas mais recentes apontam que parte das execuções pode ter ocorrido fora do automóvel.

Para os familiares, a inclusão das fotografias no processo trouxe novos questionamentos sobre a dinâmica do crime. A advogada afirma que, durante meses, apenas parte do material pericial estava disponível nos autos, sem a inclusão das imagens dos corpos, cujo acesso vinha sendo solicitado pela defesa.

O caso ganhou repercussão estadual pela extrema violência empregada pelos autores. As vítimas, Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Mariscal, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza Giron, desapareceram e foram encontradas dias depois enterradas em uma área rural do município.

Os laudos periciais já haviam apontado anteriormente que os assassinatos foram cometidos com o uso de pelo menos cinco armas de fogo diferentes, indicando a participação de mais de uma pessoa na execução.

Mesmo diante do avanço das investigações, os principais suspeitos do crime continuam foragidos. Antônio Buscariollo, conhecido como Tonhão, de 67 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, não foram localizados desde agosto de 2025.

Com a chegada dos novos documentos ao processo, familiares das vítimas esperam que a Justiça consiga esclarecer se houve sequestro, cárcere privado ou sessões de tortura antes das mortes.

Os indícios revelados pelas perícias também enfraquecem a versão de legítima defesa levantada no início das investigações. Para a defesa das famílias, os elementos reunidos até agora apontam para uma ação planejada, com características de emboscada e posterior ocultação dos corpos.

A expectativa agora é que as novas provas contribuam para reconstruir a cronologia dos fatos e esclarecer definitivamente as circunstâncias que antecederam uma das chacinas mais violentas registradas no Paraná nos últimos anos.

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