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Motociclista que perdeu perna foi atropelado propositalmente, diz Polícia Civil de Cascavel
Vítima que teve perna amputada prestou depoimento no HU; imagens de câmeras de segurança e relato de perseguição após briga por retrovisor mudaram o rumo do inquérito
A Polícia Civil de Cascavel passou a tratar como tentativa de homicídio qualificado um caso inicialmente registrado como acidente de trânsito ocorrido no dia 8 de abril de 2026, no bairro Floresta. A informação foi confirmada na manhã desta terça-feira (14) pelo delegado Julio Bianchi, responsável pela investigação.
O caso aconteceu por volta das 15h, na Rua Arapongas, nas proximidades da Avenida Papagaios, na região Norte da cidade. Um motociclista ficou gravemente ferido após ser atingido por um veículo Hyundai HB20 e acabou sendo arrastado para dentro de um estabelecimento comercial, que ficou parcialmente destruído. Devido à gravidade dos ferimentos, a vítima teve parte da perna amputada.
Inicialmente em estado gravíssimo e entubado, o motociclista apresentou melhora nos dias seguintes e pôde ser ouvido pela Polícia Civil no Hospital Universitário. Em depoimento, ele confirmou que houve um desentendimento momentos antes da colisão.
Segundo as investigações, a confusão começou quando o motociclista realizou uma manobra para acessar um estabelecimento, o que teria gerado reação do motorista do carro. De acordo com testemunhas, o condutor do HB20 teria xingado o motociclista, que passou a segui-lo.
O próprio motociclista relatou que perseguiu o veículo após a discussão e, em determinado momento, quando o carro parou, desferiu um chute contra o retrovisor. Na sequência, ele fugiu, sendo então perseguido pelo motorista por algumas quadras.
Imagens de câmeras de segurança reforçam essa dinâmica. Os registros mostram que carro e motocicleta seguiam no mesmo sentido pela via, quando o veículo aparece em alta velocidade. Em determinado momento, o motociclista olha para trás e tenta desviar, mas acaba sendo atingido.
A família da vítima procurou a polícia e registrou boletim de ocorrência, levantando a suspeita de que o atropelamento possa ter sido intencional. Segundo os familiares, as imagens indicam uma possível tentativa de atingir o motociclista.
O motorista do HB20 também foi ouvido e apresentou uma versão diferente. Ele confirmou que houve discussão, mas negou ter feito ofensas. Segundo seu relato, após o chute no retrovisor, decidiu seguir o motociclista para tentar anotar a placa. Durante a perseguição, afirmou que pegou o celular para registrar a situação, momento em que perdeu o controle do veículo e causou o acidente.
O carro foi apreendido e passará por perícia. Além disso, a Polícia Civil solicitou exames técnicos para apurar a velocidade do veículo e verificar se houve tentativa de frenagem antes do impacto.
Apesar das versões divergentes, a linha de investigação mudou. Conforme o delegado Julio Bianchi, há indícios de que o caso vai além de um acidente.
“A Polícia Civil não trata o caso como acidente de trânsito, mas sim como tentativa de homicídio qualificado, uma vez que o condutor teria assumido o risco de provocar a morte ao realizar a perseguição”, afirmou.
O inquérito segue em andamento e deve avançar com base nos laudos periciais e demais provas reunidas ao longo da investigação.
