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Cascavel aparece em investigação bilionária sobre combustíveis adulterados; empresários são citados pelo Gaeco

Gazeta do Paraná revela com exclusividade os nomes dos investigados em esquema bilionário de combustíveis adulterados

Por Eliane Alexandrino

Cascavel aparece em investigação bilionária sobre combustíveis adulterados; empresários são citados pelo Gaeco Créditos: Divulgação

A cidade de Cascavel passou a integrar oficialmente o mapa de uma das maiores investigações recentes envolvendo adulteração de combustíveis no país. Documentos obtidos com exclusividade pela Gazeta do Paraná revelam detalhes da Operação Fluxo Oculto, conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro, fraude tributária, falsidade ideológica e comercialização irregular de combustíveis adulterados.

As investigações apontam que um endereço localizado às margens da BR-369, em Cascavel, foi alvo de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça paulista. O imóvel aparece listado entre diversos pontos investigados nos estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Segundo o procedimento investigatório criminal, os empresários Raffaele Vestenius Masi, Aldo Antônio Masi, João Eduardo de Albuquerque, Ítalo Giovanni Bergamo, Igor de Souza Amorim e Gilmar Amorim são apontados pelas autoridades como integrantes da suposta organização criminosa.

De acordo com os documentos, o grupo teria atuado entre junho de 2023 e maio de 2026 utilizando uma complexa estrutura empresarial e financeira para ocultar o desvio de nafta petroquímica, substância derivada do petróleo controlada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

As investigações afirmam que os envolvidos inseriram informações falsas “por centenas de vezes” em Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) e Conhecimentos de Transporte Eletrônico (CT-e) para mascarar o destino real da substância e dificultar o trabalho de fiscalização tributária e regulatória.

Segundo o Ministério Público, o esquema buscava conferir aparência de legalidade à movimentação do produto químico, que posteriormente seria utilizado na adulteração de combustíveis comercializados ao consumidor final.

Os documentos revelam que a nafta desviada era misturada irregularmente à gasolina tipo A em terminais de armazenamento localizados nas cidades paulistas de Paulínia e Arujá. Após a adulteração, o combustível seria distribuído principalmente para postos da região metropolitana de São Paulo.

A investigação aponta possível violação da Resolução nº 902 da ANP, de 2022, que proíbe expressamente a utilização de nafta petroquímica como combustível automotivo. Conforme os investigadores, além do prejuízo tributário, a prática poderia comprometer a qualidade do combustível vendido ao consumidor e causar danos mecânicos aos veículos.

As autoridades também investigam movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelas empresas envolvidas. Os autos citam depósitos milionários em espécie, circulação de recursos por fintechs e mecanismos utilizados para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

Entre as empresas mencionadas nos documentos estão Derivados Ltda, FJG Envasamento e Produtos Químicos Ltda, High Level Serviço e Comércio, V.E.S. Transportes Ltda, S. Jota Transportes Ltda, Vogel Indústria e Comércio Ltda e Brox Indústria e Comércio Ltda.

Além do endereço em Cascavel, outro imóvel localizado em Paranavaí também aparece na lista de locais alvo das buscas autorizadas pela Justiça.

As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital paulista.

A Operação Fluxo Oculto é considerada um desdobramento da Operação Carbono Oculto e mobilizou equipes da Receita Federal, Gaeco, Secretaria da Fazenda de São Paulo, ANP, Polícia Civil e Polícia Militar em diversos estados brasileiros.

Segundo os investigadores, as análises de celulares, documentos, equipamentos eletrônicos e movimentações financeiras apreendidas durante a operação devem aprofundar o rastreamento do dinheiro movimentado pelo grupo e auxiliar na identificação de novos envolvidos no esquema.

Até o momento, as defesas dos empresários citados nos documentos não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.

Foto: Divulgação

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