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Gaeco deflagra operações no Oeste do Paraná contra esquema envolvendo policiais militares

Investigações apuram corrupção, peculato, comércio ilegal de armas e uso de estrutura policial para favorecer compristas vindos do Paraguai

Por Eliane Alexandrino

Gaeco deflagra operações no Oeste do Paraná contra esquema envolvendo policiais militares Créditos: Divulgação

Os núcleos de Cascavel e Foz do Iguaçu do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público do Paraná, deflagraram na manhã desta quinta-feira (28) as operações Clear Sky e Vera Cruz para desarticular um suposto esquema criminoso envolvendo agentes das forças de segurança no Oeste do estado.

As investigações apontam suspeitas de corrupção passiva, peculato, falsidade ideológica, comércio ilegal de armas de fogo e outros crimes. Entre os investigados estão nove policiais militares e um policial civil.

Durante a operação, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nos municípios de Céu Azul e Vera Cruz do Oeste. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar do Estado do Paraná e pelo Juízo das Garantias da Comarca de Matelândia.

As ações ocorreram com apoio de equipes do 6º Batalhão da Polícia Militar do Paraná e das corregedorias das Polícias Militar e Civil do Paraná.

Segundo o Gaeco, os investigados utilizariam a estrutura pública e viaturas policiais para realizar abordagens irregulares de compristas vindos do Paraguai. Conforme as apurações, mediante pagamento de propina, os agentes garantiriam “passe livre” para o transporte de mercadorias estrangeiras pela região de fronteira.

As investigações também apontam que parte dos produtos apreendidos, especialmente eletrônicos de alto valor, era desviada pelos próprios agentes para benefício pessoal, sem encaminhamento aos órgãos responsáveis.

Outro ponto identificado pelo Ministério Público é o uso de tecnologia avançada para monitoramento das fiscalizações. O grupo investigado utilizaria drones de alta performance e câmeras clandestinas instaladas em estradas rurais, postos de combustíveis e até nas proximidades da Aduana Brasileira para acompanhar em tempo real a movimentação de compristas e das forças policiais e aduaneiras.

Além disso, o Gaeco apura o uso irregular da estrutura policial para prestação de serviços privados de segurança armada em uma propriedade rural localizada no estado da Bahia. Há ainda suspeitas de intermediação e venda ilegal de armas de fogo e munições por meio de aplicativos de mensagens.

Os celulares, documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais apreendidos serão submetidos à perícia técnica e análise financeira para aprofundamento das investigações e identificação de outros possíveis envolvidos no esquema.

Foto: Divulgação

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