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Câmara cobra explicações sobre falhas no Hospital Regional de Guarapuava

Pacientes relatam falta de retorno, erros e demora; vereadoras cobram explicações do Governo do Estado

Por Julia Maraschi

Câmara cobra explicações sobre falhas no Hospital Regional de Guarapuava Créditos: Sesa

Parlamentares da Câmara Municipal de Guaíra denunciam nesta terça-feira (7) o Hospital Regional por supostas falhas de atendimento e deficiência estrutural. Foi apontado na sessão ordinária do município possíveis irregularidades na prestação de serviços, que tem afetado diretamente pacientes que dependem do sistema público, e cobram esclarecimento das autoridades estaduais de saúde.  

 

O caso ocorreu em meio a mudança assistencial da unidade, divulgada pela Prefeitura de Guarapuava no começo deste ano, na qual o Hospital Centro-Oeste iniciou 2026 com uma nova gestão assistencial, após o fim do contrato com o Instituto Santa Clara. A partir desse período, o atendimento médico passa a ser responsabilidade da empresa Centro Integrado de Saúde (CIS), enquanto a parte administrativa continua com a Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná. O Governo do Estado apresentou essa mudança como um avanço, com promessas de aumento no número de cirurgias (já na média de 620 por mês), ampliação de leitos (de 92 para até 150), criação de laboratório e banco de sangue e chegada de novas especialidades. A proposta inicial foi reduzir filas e ampliar o atendimento para toda a região.

O Hospital Regional, atende cerca de 20 municípios da região, e a denúncia é levada para o Estado do Paraná, por ser a unidade referência para toda a região centro-sul do Paraná. Enquanto o Estado apresenta planos de ampliação, eficiência e melhoria do atendimento, os relatos recentes de pacientes e vereadores apontam falhas, desorganização e mau atendimento. 

 

Relatos e denúncias 

A denúncia, feita pela Vereadora Professora Bia (PV)  e reforçada pela Vereadora Professora Teresinha (PT), expõem um conjunto de relatos que vêm chegando aos gabinetes e que, segundo elas, indicam problemas recorrentes no atendimento do Hospital Regional de Guarapuava, que é de responsabilidade do Governo do Estado.

A vereadora Bia informou ter recebido diversas queixas de conhecidos e familiares referente ao Hospital, que atende Guarapuava e região. Entre as queixas estão a demora excessiva para atendimento, extravio de prontuários, falhas na realização de exames simples e principalmente relatos de mau atendimento dos servidores. O principal caso citado pela parlamentar foi de uma paciente que ficou o dia inteiro aguardando para realizar uma cirurgia e foi embora sem ser atendida, depois de horas de espera. A parlamentar ainda afirmou:  “As pessoas já chegam fragilizadas para uma cirurgia... e a falta de atendimento adequado faz com que percam até a educação, porque são maltratadas dentro do hospital.”

 

Já a Professora Teresinha criticou a gestão e terceirização da instituição, “Foi um hospital que deveria ser público, hoje é praticamente terceirizado... e as denúncias de mau atendimento são constantes”. E complementou a queixa com o relato de um paciente que saiu do hospital com uma receita médica errada, em nome de outra pessoa, o que levanta suspeitas sobre falhas graves no controle e na segurança do atendimento, e também questiona o modelo de funcionamento do hospital, dizendo que há indícios de problemas na gestão, especialmente por conta da terceirização, com médicos diferentes atendendo o paciente ao longo do processo, inclusive na hora da cirurgia.

Foi destacado pela Vereadora Professora Bia que essa não é a primeira vez que o problema aparece. Ela diz que já houve pedidos anteriores de explicação à Secretaria Estadual de Saúde, mas que as respostas foram consideradas insuficientes ou pouco claras. Por isso, ela apresentou um novo requerimento pedindo dados concretos, como número de atendimentos, cirurgias e explicações sobre o funcionamento do hospital. E informou que o motivo central da denúncia é a percepção de que o Hospital Regional não está garantindo um atendimento adequado, seguro e eficiente, mesmo sendo uma unidade pública de referência e se baseia nos relatos da população. 

 

Pacientes do Hospital Regional de Guarapuava também relatam dificuldades no atendimento pós-operatório. Os depoimentos foram publicados nas avaliações do Google. “Quase seis meses depois da cirurgia no joelho, não consigo agendar retorno. A prótese deu problema e nenhum médico quer mexer. É horas no telefone para ouvir que não tem horário”, afirma uma paciente. Outro relato aponta falhas na comunicação após alta hospitalar: “Mesmo morando a cerca de oito horas de distância, recebi alta no mesmo dia. Depois da cirurgia tive complicações e, para marcar retorno, o telefone não é atendido ou desligam na cara. Não há resposta pelo WhatsApp”. Apesar das críticas, a paciente destaca o atendimento presencial: “As enfermeiras são muito atenciosas e humanas, mas o atendimento não presencial é péssimo”.

Diante das denúncias, a vereadora Professora Bia afirma que espera que o caso resulte em providências concretas por parte do Governo do Estado, com maior transparência na gestão da unidade e melhoria efetiva no atendimento à população. Segundo ela, o objetivo é garantir que o Hospital Regional de Guarapuava cumpra seu papel como referência em saúde, oferecendo um serviço digno, seguro e eficiente. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná solicitando informações detalhadas sobre o funcionamento da unidade, como o número de atendimentos e cirurgias realizados nos últimos seis meses, quantidade de procedimentos cancelados ou remarcados, tempo médio de espera, número de reclamações registradas na Ouvidoria, além de esclarecimentos sobre o modelo de gestão, o papel da Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (FUNEAS), eventuais apurações em andamento e medidas adotadas para garantir a qualidade do atendimento. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp