Menos hospitais, mais pressão: rede de saúde do Paraná opera no limite
Estado perdeu cerca de 150 unidades em dez anos enquanto atendimentos emergenciais disparam até 284% em hospitais de referência
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Arquivo CGN
O fechamento de aproximadamente 150 hospitais no Paraná ao longo da última década deixou de ser um dado histórico para se tornar um problema mensurável no presente. Os números mais recentes da rede de urgência e emergência mostram que a estrutura que restou já opera sob pressão crescente.
No Oeste do Estado, os dados do primeiro trimestre de 2026 evidenciam esse cenário. Em Foz do Iguaçu, o Hospital Municipal Padre Germano Lauck registrou 1.199 atendimentos por vaga zero entre janeiro e março, contra 487 no mesmo período de 2025. O aumento de 146% indica que um mecanismo criado para situações excepcionais passou a ser utilizado com maior frequência.
No mesmo período, a unidade também somou 188 pacientes encaminhados por determinação regulatória, ampliando a demanda sobre a estrutura hospitalar.
O crescimento é ainda mais acentuado no Hospital Itamed, também em Foz do Iguaçu. Os registros de vaga zero e encaminhamentos regulatórios passaram de 78 para 300 em um ano, alta de 284%. Apenas em março de 2026, foram 175 casos, contra 30 no mesmo mês do ano anterior.
Em Cascavel, o Hospital Universitário do Oeste do Paraná apresenta pressão constante. Em 2025, foram registrados 4.870 encaminhamentos regulatórios, média de 406 por mês. Em 2026, apenas no primeiro trimestre, já são 1.245 casos, elevando a média mensal para 415.
Os números indicam que o aumento da demanda não é pontual.
Na prática, o crescimento dos encaminhamentos mostra que hospitais de referência vêm recebendo um volume cada vez maior de pacientes em situações que exigem atendimento rápido ou especializado. Parte dessa demanda, segundo gestores da área, pode estar relacionada à dificuldade de absorção em outras unidades da rede.
A vaga zero é utilizada para garantir atendimento imediato a pacientes em risco iminente de morte, mesmo sem disponibilidade de leito. Já os encaminhamentos regulatórios são definidos pela central de regulação com base na gravidade do caso, na especialidade necessária e na estrutura disponível.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, esse fluxo está inserido na Política Nacional de Atenção às Urgências e é coordenado pelas Centrais de Regulação vinculadas ao Samu.
Em Foz do Iguaçu, a central municipal atende os nove municípios da 9ª Regional de Saúde. Em Cascavel, o sistema é integrado ao Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste, abrangendo as 10ª e 20ª regionais.
A própria estrutura regional ajuda a explicar a concentração da demanda. O Hospital Municipal de Foz do Iguaçu concentra atendimentos de urgência e emergência, enquanto o Itamed recebe casos de alta complexidade, como cardiologia, oncologia e gestação de alto risco. Em Cascavel, o HUOP atua como referência macrorregional em diversas especialidades.
Esse modelo faz com que hospitais de maior complexidade absorvam demandas que dependem da articulação de toda a rede.
A Secretaria de Estado da Saúde afirma que trabalha para fortalecer a regionalização e ampliar a capacidade de atendimento, incluindo a previsão de construção de ambulatórios médicos de especialidades em Foz do Iguaçu e Toledo.
O cenário, no entanto, já revela os efeitos da redução da estrutura hospitalar ao longo dos últimos anos. Com menos unidades em funcionamento, especialmente de menor porte, a rede perde capacidade de absorção intermediária e concentra atendimentos em poucos centros.
Os dados indicam que o sistema segue operando sob pressão crescente, com aumento de encaminhamentos emergenciais e maior dependência de hospitais de referência.
Créditos: Redação
