Créditos: Rovena Rosa/Agência Brasil
Banco Master emprestou R$ 336 milhões a investidores da Biomm, diz reportagem
Segundo reportagem do UOL, operações ocorreram durante a valorização das ações da Biomm e são comparadas ao modelo analisado pela CVM no caso Ambipar
O Banco Master concedeu cerca de R$ 336 milhões em empréstimos a acionistas, conselheiros e investidores ligados à farmacêutica Biomm ao longo de 2024, período em que as ações da empresa registraram valorização superior a 300% na Bolsa de Valores. As informações foram publicadas em reportagem do colunista Rubens Valente, do portal UOL.
Segundo a publicação, as operações ocorreram ao mesmo tempo em que Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ampliava sua participação na Biomm. Ainda conforme a reportagem, a estrutura das transações apresenta características semelhantes às investigadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no caso da Ambipar, em que o órgão apura uma suposta atuação coordenada para impulsionar artificialmente o preço das ações.
Como os empréstimos do Banco Master foram utilizados na Biomm?
De acordo com a reportagem, parte dos recursos liberados pelo Banco Master foi utilizada por investidores que participaram do aumento de capital realizado pela Biomm no início de 2024.
Entre os beneficiados estariam os fundadores da empresa, Walfrido dos Mares Guia e Guilherme Emrich, além de pessoas ligadas ao grupo controlador da farmacêutica.
O levantamento também cita operações envolvendo Pedro Mesquita, indicado pelo Banco Master para integrar o Conselho de Administração da companhia, e o investidor Lucas Kallas, apontado como o maior tomador dos empréstimos, com aproximadamente R$ 254 milhões.
Segundo o UOL, alguns contratos apresentavam valores praticamente idênticos, circunstância que chamou a atenção durante a análise da documentação relacionada às operações.
Ações da Biomm subiram mais de 300% durante as operações
As concessões de crédito ocorreram durante um período de forte valorização das ações da Biomm na B3.
Os papéis da empresa foram emitidos por R$ 5,75 durante o aumento de capital encerrado em fevereiro de 2024. Poucos meses depois, no início de maio, as ações chegaram a ser negociadas por aproximadamente R$ 17,80, acumulando alta superior a 300%.
Ainda segundo a reportagem, Daniel Vorcaro tornou-se acionista relevante da farmacêutica após participar da operação por meio do fundo Cartago.
Posteriormente, essa participação foi transferida ao Banco de Brasília (BRB) dentro de um acordo relacionado ao ressarcimento envolvendo carteiras de crédito. Em seguida, os papéis passaram para a gestora Alaska, que também adquiriu a participação da Cedro Participações.
Reportagem compara operações ao caso investigado pela CVM na Ambipar
A reportagem afirma que o modelo das operações lembra o caso atualmente investigado pela Comissão de Valores Mobiliários envolvendo a Ambipar.
Nesse processo, a área técnica da CVM apura se Daniel Vorcaro, o investidor Nelson Tanure e o presidente da Ambipar, Tercio Borlenghi Junior, atuaram de forma coordenada para elevar artificialmente o preço das ações da companhia ao longo de 2024.
O levantamento também menciona outra operação semelhante envolvendo a Oncoclínicas.
Na ocasião, o Banco Master teria concedido um empréstimo de R$ 517 milhões ao fundador da empresa para viabilizar sua participação em um aumento de capital liderado por Vorcaro. Conforme a reportagem, após uma valorização inicial, as ações perderam grande parte do valor de mercado.
O que disseram os citados na reportagem
Segundo o UOL, representantes de Pedro Mesquita, da Exa Capital, de Lucas Kallas e da Cedro Participações foram procurados, mas não responderam aos pedidos de posicionamento até a publicação da reportagem.
Já Walfrido dos Mares Guia informou que os empréstimos obtidos por ele e por integrantes de sua família tiveram como finalidade financiar a participação no aumento de capital da Biomm.
Até o momento, não há informação sobre abertura de investigação específica da CVM em relação às operações envolvendo a Biomm.
BRB encerra negociação para venda de ativos do Banco Master
Em outro desdobramento envolvendo o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) informou que encerrou as negociações para vender R$ 15 bilhões em ativos da instituição à Quadra Gestão de Recursos.
Em fato relevante divulgado na sexta-feira (17), o BRB afirmou que a operação não foi concluída porque etapas previstas no memorando de entendimentos deixaram de ser cumpridas. Apesar disso, informou que continuará buscando interessados na aquisição dos ativos, classificados pelo mercado como de maior risco de recuperação.
A intenção de vender esses ativos foi anunciada em abril, poucos dias após a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, investigado por supostamente facilitar a compra de ativos sem valor econômico em troca de vantagens indevidas.
Segundo as investigações, as vantagens envolveriam R$ 146 milhões em imóveis de alto padrão na cidade de São Paulo. A apuração indica que parte da negociação teria sido efetivada, envolvendo imóveis avaliados em R$ 74,6 milhões. A defesa do ex-dirigente nega irregularidades e afirma que irá demonstrar sua inocência durante o processo.
O BRB tenta levantar cerca de R$ 6,6 bilhões para enfrentar problemas de liquidez. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde foi firmado um acordo prevendo a obtenção dos recursos por meio de um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Entre os principais entraves da operação está a definição das garantias exigidas para a liberação do crédito. O Tesouro Nacional recusou participar diretamente da operação, mas auxiliou na formação de um consórcio de bancos privados para oferecer garantias ao FGC. Caso haja inadimplência, as instituições financeiras deverão ser ressarcidas com recursos dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).
Apesar do acordo firmado, a operação de crédito ainda não foi concluída. Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, um parecer elaborado em abril apontou dúvidas sobre a capacidade financeira do Governo do Distrito Federal para cumprir o pagamento das parcelas previstas.
