Créditos: Rovena Rosa/Agência Brasil
Dinheiro do Banco Master migrou para os grandes bancos, diz BC
Relatório de Estabilidade Financeira aponta que bancos de grande porte absorveram mais de 65% dos R$ 37,7 bilhões pagos pelo FGC após a liquidação do conglomerado
O Banco Central do Brasil informou nesta segunda-feira (25) que os recursos devolvidos aos clientes do conglomerado Master após a liquidação extrajudicial das instituições do grupo foram direcionados principalmente para grandes bancos do sistema financeiro nacional.
A avaliação faz parte do Relatório de Estabilidade Financeira referente ao segundo semestre de 2025, divulgado pela autoridade monetária. Segundo o documento, o encerramento das operações do conglomerado não provocou impacto sistêmico no mercado financeiro brasileiro.
De acordo com o Banco Central, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desembolsou R$ 37,7 bilhões entre janeiro e fevereiro deste ano para ressarcir clientes do Banco Master, Master BI e Letsbank.
Do total pago, cerca de R$ 20,7 bilhões foram direcionados para títulos emitidos por instituições financeiras. Outros R$ 1,47 bilhão foram aplicados em títulos privados, enquanto aproximadamente R$ 15,4 bilhões tiveram outras destinações financeiras.
O relatório aponta que os maiores bancos do país concentraram a maior parte dos recursos movimentados após os pagamentos do FGC.
Instituições classificadas pelo Banco Central como categoria S1 - grupo que reúne bancos com ativos equivalentes a pelo menos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) ou forte atuação internacional - absorveram 40,9% dos valores.
Já os bancos enquadrados na categoria S2, considerados de grande porte e relevância sistêmica, receberam 24,2% dos recursos.
Durante a apresentação do relatório, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que a movimentação financeira foi monitorada detalhadamente pela autoridade monetária.
Segundo ele, o acompanhamento ocorreu “CPF por CPF e CNPJ por CNPJ”, permitindo ao BC rastrear o destino dos valores ressarcidos.
Aquino também afirmou que a liquidação do conglomerado não trouxe riscos relevantes ao sistema financeiro nacional. Conforme o diretor, o grupo Master representava cerca de 0,1% dos ativos totais do sistema bancário brasileiro.
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também minimizou os efeitos do caso ao afirmar que uma instituição classificada como S3 não teria potencial para gerar risco sistêmico ao mercado financeiro.
No relatório divulgado nesta segunda, o Banco Central reiterou que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido mesmo em um cenário de juros elevados e aumento da inadimplência.
A autoridade monetária afirmou que os bancos seguem com níveis considerados confortáveis de capitalização e liquidez, além de capacidade para suportar cenários econômicos adversos.
O documento também mostra que o crédito perdeu ritmo ao longo de 2025, tanto para pessoas físicas quanto para empresas. Entre as famílias, houve aumento do comprometimento da renda e crescimento da inadimplência em diferentes modalidades de crédito.
Apesar disso, o Banco Central avalia que as instituições financeiras mantêm provisões suficientes para absorver possíveis perdas.
Outro ponto destacado no relatório foi o avanço do Pix no sistema financeiro brasileiro. Segundo o BC, o meio de pagamento instantâneo respondeu por 29% das transações do varejo no segundo semestre de 2025.
