Créditos: :Valdir Amaral/Alep
Deputado cobra clareza sobre impactos do projeto em Guaraqueçaba
Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alep cobra a participação de comunidades caiçaras e aponta que o Ibama e o Ministério Público Federal acompanham o caso
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) voltou a questionar os impactos da chamada BR do Mar na região de Superagui, em Guaraqueçaba, no Litoral do Paraná. Durante pronunciamento na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), nesta terça-feira (9), o parlamentar defendeu a realização de um debate mais amplo sobre o projeto e cobrou maior participação das comunidades locais, pesquisadores e órgãos ambientais nas discussões.
Segundo Arilson, ainda faltam esclarecimentos sobre os possíveis efeitos ambientais, sociais e econômicos das intervenções previstas para a região. O deputado afirmou que é necessário avaliar de forma detalhada quem será beneficiado pelo projeto e quais impactos poderão atingir as populações que vivem no território.
De acordo com o parlamentar, a discussão vai além da ampliação da navegação para embarcações de maior porte e envolve uma das áreas ambientalmente mais preservadas do litoral brasileiro.
Arilson destacou que a Ilha de Superagui abriga uma extensa área de Mata Atlântica preservada e concentra comunidades tradicionais formadas por pescadores artesanais, famílias caiçaras e trabalhadores que dependem diretamente dos recursos naturais para geração de renda e subsistência.
Presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Alep, o deputado afirmou que moradores da região manifestam preocupação com possíveis mudanças no território após a execução de grandes projetos de infraestrutura.
Segundo ele, comunidades locais temem que futuras intervenções possam aumentar a pressão imobiliária e provocar disputas por áreas atualmente ocupadas por moradores tradicionais.
O parlamentar também lembrou que a região já enfrenta desafios relacionados a ocupações irregulares e pressões sobre áreas ambientalmente protegidas, situação que, na avaliação dele, exige cautela na análise de novos empreendimentos.
Outro ponto levantado por Arilson foi o potencial econômico já existente em Guaraqueçaba por meio de atividades ligadas ao turismo sustentável. O deputado citou iniciativas de turismo comunitário desenvolvidas por moradores locais, incluindo passeios conduzidos por pescadores, pousadas familiares, restaurantes administrados por residentes e roteiros voltados à valorização da cultura caiçara.
Na avaliação do deputado, atividades ligadas à preservação ambiental e ao turismo de base comunitária podem contribuir para a geração de emprego e renda sem comprometer o patrimônio natural da região.
Durante o pronunciamento, Arilson também mencionou que órgãos e instituições acompanham a discussão sobre o projeto. Segundo ele, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) solicitou estudos complementares relacionados à proposta, enquanto o Ministério Público Federal acompanha os desdobramentos do tema.
O deputado defendeu que o Governo do Paraná apresente informações detalhadas sobre os impactos previstos e promova mecanismos de participação popular antes de qualquer avanço do projeto.
Para o parlamentar, o debate precisa conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e proteção das comunidades tradicionais que vivem na região de Superagui.
