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MP vê risco às contas públicas e pede freio em auxílio universitário em Corbélia

Promotoria recomenda que prefeito não sancione projeto de auxílio-transporte por falta de previsão orçamentária e cobra estudos financeiros antes da criação de novas despesas

Por Eliane Alexandrino

MP vê risco às contas públicas e pede freio em auxílio universitário em Corbélia Créditos: Divulgação

O Ministério Público do Paraná (MPPR) recomendou que o Município de Corbélia suspenda a implantação do Programa Qualifica Corbélia, que prevê a concessão de auxílio-transporte para estudantes universitários. A medida foi tomada após a Promotoria de Justiça apontar falhas na tramitação do projeto e ausência de garantias de que o município possui condições financeiras para arcar com a nova despesa.

A recomendação foi encaminhada tanto à Prefeitura quanto à Câmara Municipal e tem como foco o Projeto de Lei nº 252/2026. Na prática, o MPPR orienta que o benefício não seja implementado ainda neste ano por falta de viabilidade orçamentária.

A análise foi realizada no âmbito de um inquérito civil instaurado para apurar a regularidade da proposta. Segundo o Ministério Público, o projeto foi enviado pelo Executivo ao Legislativo sem o Relatório de Estimativa de Impacto Orçamentário-Financeiro, documento exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para a criação ou ampliação de despesas públicas.

Somente após questionamentos da Promotoria o município apresentou o estudo técnico. O relatório elaborado pela contadora responsável concluiu que a implantação do programa em 2026 geraria gastos não previstos na Lei Orçamentária Anual vigente e sem condições de adequação financeira para absorver os custos sem comprometer as contas públicas.

Diante do cenário, o MPPR recomendou ao prefeito que não sancione o projeto e que eventual implementação do programa ocorra apenas em exercícios futuros, desde que haja planejamento adequado, previsão orçamentária e demonstração de compatibilidade com a capacidade financeira do município.

À Câmara de Vereadores, a Promotoria recomendou a interrupção da tramitação da proposta até que todas as exigências legais sejam cumpridas. O Ministério Público destaca que a apresentação prévia dos estudos de impacto financeiro é requisito essencial para que os parlamentares possam avaliar a viabilidade de projetos que criem despesas permanentes.

Apesar da recomendação, o MPPR ressaltou que não é contrário ao auxílio-transporte universitário. O órgão enfatiza que o benefício poderá ser implantado futuramente, desde que sejam observadas as exigências da legislação fiscal e que existam recursos suficientes para garantir sua manutenção sem comprometer o orçamento municipal.

Para a Promotoria, programas de apoio aos estudantes são importantes, mas precisam ser acompanhados de responsabilidade fiscal para evitar que promessas sem respaldo financeiro gerem dificuldades para a administração pública e para os próprios beneficiários.

Foto: Divulgação

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