GCAST

Após escândalo em Brasília, Luciano Alves tem irmã com R$ 50 mil da campanha e cargo na Casa Civil

Caso envolvendo deputado do PSD revela rearranjo do governo Ratinho Junior que abriu vaga em Brasília enquanto familiar assumia cargo no núcleo do Executivo; irmã foi na carona

Por Gazeta do Paraná

Após escândalo em Brasília, Luciano Alves tem irmã com R$ 50 mil da campanha e cargo na Casa Civil Créditos: Reprodução Instagram

O episódio que colocou o deputado federal Luciano Alves (PSD-PR) no centro de uma polêmica em Brasília, após uma discussão com uma garota de programa registrada em vídeo, abriu mais do que um constrangimento público. Trouxe à tona uma engrenagem política que conecta governo estadual, partido e vínculos familiares em uma mesma linha de sustentação de poder.
O vídeo, que circula nas redes e é alvo de apuração, mostra o relato de uma mulher que afirma ter sido abordada pelo parlamentar para negociação de programa, dizendo que ele aparentava estar embriagado e que a abordagem ocorreu na presença da própria mãe. O deputado nega irregularidades. Dias antes, no plenário da Câmara, ele havia feito um discurso emocionado exaltando a mãe e prometendo “dar orgulho” ao Paraná. A repercussão, no entanto, expôs um caminho político que não se explica apenas pelo resultado das urnas.
 


Engrenagem política
Luciano Alves não chegou à Câmara dos Deputados por votação suficiente. Sua ascensão foi viabilizada por um movimento direto do governo do Paraná. Deputados federais do PSD foram chamados para ocupar cargos estratégicos no Executivo estadual, abrindo vagas para suplentes.
Entre os nomes deslocados estão Beto Preto, que assumiu a Secretaria de Estado da Saúde, Sandro Alex, que retornou à Secretaria de Infraestrutura e Logística, e Leandre Dal Ponte, que passou a comandar a área de políticas sociais no governo. Com a saída desses parlamentares da Câmara, abriu-se uma sequência de cadeiras — e foi nesse rearranjo que Luciano Alves assumiu o mandato em abril de 2023. Na prática, a vaga ocupada por ele nasce dentro de uma decisão política do Executivo.
Importante destacar que, antes da política, Luciano Alves atuava como apresentador em emissora do grupo da família do governador Ratinho Junior, a TV Naipi. Foi nesse ambiente que construiu visibilidade regional e estabeleceu relações políticas antes de disputar as eleições. O percurso é contínuo: da mídia vinculada ao grupo político, à candidatura financiada pelo partido, ao mandato viabilizado pelo governo e à presença familiar no núcleo do Executivo.
 
Nomeação da irmã e o dinheiro de campanha
O movimento não ocorreu isoladamente. Ele coincide com outro dado relevante. Pouco antes da abertura dessas vagas, em fevereiro de 2023, Adriany Alves dos Santos Vettori, irmã do deputado, foi nomeada para um cargo comissionado na Casa Civil, por decreto do governador Ratinho Junior. Ela passa a atuar na Superintendência Geral de Articulação Regional, área considerada estratégica por concentrar a interlocução política do governo com prefeitos e lideranças do interior. Segundo o Portal da Transparência, o cargo garante remuneração bruta mensal de R$ 11.553,16. A nomeação ocorre no mesmo eixo político que sustenta o mandato do deputado.


Antes disso, a ligação já estava estabelecida na campanha eleitoral. A prestação de contas de 2022 mostra que Adriany recebeu R$ 50 mil pela administração financeira da campanha do irmão. O valor aparece entre os maiores pagamentos realizados, no mesmo nível de empresas contratadas para estruturar a comunicação eleitoral, indicando participação direta no núcleo da campanha. O financiamento também reforça essa dependência. Dos cerca de R$ 552 mil arrecadados, mais de 98% vieram da direção estadual do PSD, evidenciando concentração de recursos dentro da própria estrutura partidária.
A sequência não se encerra aí. Em 2024, Adriany amplia sua atuação ao assumir a presidência de uma entidade privada de perfil social, mantendo simultaneamente o cargo na Casa Civil. A sobreposição de funções — governo, política partidária e estrutura privada — reforça a inserção dentro do mesmo campo de poder.

 
Efeito dominó
O episódio em Brasília, que inicialmente parecia um fato isolado, passa a funcionar como ponto de exposição de uma estrutura mais ampla. Além do vídeo, vieram à tona dados sobre o uso de recursos públicos, incluindo cerca de R$ 23 mil gastos em hospedagens com verba de gabinete.
O governo que abre espaço na Câmara é o mesmo que nomeia a irmã. O partido que financia a campanha é o mesmo que sustenta a base política do Executivo. E a trajetória do parlamentar se desenvolve integralmente dentro dessa mesma engrenagem.
 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp