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Coordenador da Secretaria de Turismo de SP levou namorado a Copa com recursos públicos

O namorado, André Rossi, é pré-candidado no Republicanos

Por Oswaldo Eustáquio

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Coordenador da Secretaria de Turismo de SP levou namorado a Copa com recursos públicos Créditos: Reprodução —

A reportagem da Gazeta do Paraná teve acesso a documentos que, segundo a apuração, comprovam que o coordenador da Secretaria de Turismo de São Paulo, Fabio Henrique Carneiro Voros, levou o namorado, André Rossi, policial civil em São Paulo e pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos, em uma viagem custeada com uma volumosa diária de R$ 22 mil, além da destinação de emendas a organizações ligadas a Rossi.

Fabio

Enquanto os munícipes enfrentam dificuldades na área da saúde, recursos públicos foram utilizados em uma viagem de luxo aos Estados Unidos, que incluiu uma visita a Ronaldo Fenômeno. Antes disso, Fábio e André Rossi passaram pelo centro de quimbanda que frequenta o policial frequenta, para receber um passe, com o objetivo de dar sorte ao Brasil na Copa do Mundo, o que, segundo o relato, não surtiu efeito. Tudo isso sob a legenda de um partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, sigla pela qual André Rossi disputou as eleições deste ano. Esse sincretismo vai contra os princípios do partido.

"Azar no jogo, sorte no amor." O ditado também não teria se confirmado para o casal durante a Copa do Mundo. Além da derrota da seleção brasileira, Fábio e André teriam protagonizado uma discussão logo após deixarem o encontro com Ronaldo Fenômeno. Em seguida, foram a uma festa, onde, segundo o relato, Rossi foi flagrado trocando carícias com o segurança da casa noturna, o que teria provocado um desgaste na relação. O episódio, contudo, teria sido superado após o retorno do casal ao Brasil. Uma fonte ligada à própria Secretaria de Turismo, que se sentiu preterida por não ter sido escolhida para integrar a comitiva, encaminhou à reportagem da Gazeta do Paraná documentos que embasaram a investigação.

Miami. Casa de Ronaldo. Diárias de até R$ 22,5 mil. E um documento que não bate com o que a Prefeitura de São Paulo disse à imprensa.

Enquanto o paulistano enfrenta buraco na rua, fila no posto de saúde e ônibus lotado, a gestão de Ricardo Nunes (MDB) decidiu que a prioridade era outra: mandar uma comitiva para os Estados Unidos acompanhar a Copa do Mundo de 2026. Com dinheiro público. Muito dinheiro público.

O que a Prefeitura disse

Em nota oficial, o Executivo paulistano afirmou que uma "equipe de seis servidores" se revezaria durante o evento, um por semana, em missão vinculada ao programa Discover SP — parceria entre a Secretaria Municipal de Turismo e a agência InvestSP. O destino: Miami, na Flórida. O objetivo declarado: promoção turística da capital paulista.

O grupo é liderado pelo secretário municipal de Turismo, Gustavo Lopes. As diárias, segundo a própria Prefeitura, variam entre R$ 18 mil e R$ 22,5 mil por servidor, calculadas conforme a cotação do dólar.

O documento diz outra coisa

Aqui está o problema. A Prefeitura falou em seis nomes. O processo oficial — 6076.2026/0000353-1 — lista sete.

Nosso núcleo de jornalismo envestigativo encontrou, na escala oficial da Secretaria Municipal de Turismo, um nome que não constava na lista principal divulgada anteriormente à imprensa: Elizabete Maria de Andrade, escalada para representar a pasta entre os dias 6 e 12 de julho.

Por que esse nome ficou de fora do discurso oficial? A Prefeitura não explicou.

Onde o dinheiro público vai parar

O destino final da comitiva não é um centro de convenções, nem um estande institucional qualquer. É a Casa Rede Ronaldo — espaço de produção de conteúdo digital organizado pelo ex-jogador Ronaldo Nazário, montado como estúdio de gravação para o canal dele no YouTube.

Servidores públicos, pagos com dinheiro do contribuinte paulistano, vão circular por um estúdio de conteúdo de um ex-atleta que hoje é empresário do entretenimento. A Prefeitura chama isso de "promoção turística".

A reação nas redes

O caso gerou revolta imediata entre internautas brasileiros, que questionaram o uso de verba pública para bancar uma "missão" que, na prática, parece turismo de luxo disfarçado de trabalho institucional, em plena Copa do Mundo.

A resposta da gestão Nunes foi defender os custos citando o histórico do programa Discover SP — como se histórico de gasto justificasse gasto novo.

O que fica

Fica a pergunta que a Prefeitura de São Paulo não respondeu: por que o número oficial de servidores mudou de seis para sete depois que o processo veio a público? E por que o nome que sobrou de fora foi justamente o de uma mulher, escalada silenciosamente para uma das semanas mais concorridas do evento?

Documento é documento. Discurso é discurso. E quando os dois não batem, químico não sai da equação: alguém está escondendo alguma coisa.

Créditos: Oswaldo Eustáquio Acesse nosso canal no WhatsApp