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Obras paralisadas somam quase R$ 49 milhões no Paraná; maioria não tem previsão de retomada

Levantamento do Portal da Transparência aponta 13 contratos de obras e serviços de engenharia interrompidos no Paraná

Por Gazeta do Paraná

Obras paralisadas somam quase R$ 49 milhões no Paraná; maioria não tem previsão de retomada Créditos: José Fernando Ogura/AEN

Um levantamento feito pela Gazeta do Paraná, com base em dados disponível no Portal da Transparência do Governo do Paraná mostra que, até maio de 2026, ao menos 13 contratos de obras e serviços de engenharia estavam classificados como paralisados pela Secretaria das Cidades. Juntos, eles representam aproximadamente R$ 49 milhões em contratos públicos que tiveram a execução interrompida em diferentes estágios.

Os dados fazem parte do relatório de gestão de contratos de obras públicas e revelam empreendimentos espalhados por diversas regiões do Estado, envolvendo áreas como segurança pública, saúde, infraestrutura viária, assistência social e administração pública.

Entre as obras paralisadas, a de maior valor é a construção do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), em Marechal Cândido Rondon. O contrato, vinculado ao programa financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), soma R$ 36,6 milhões. Apesar de mais de 32% da execução física registrada, a obra está parada e, segundo o relatório oficial, encontra-se em “processo de análise para retomada”, com avaliação jurídica em andamento e sem data prevista para reinício.

Outra obra de destaque é a construção da sede administrativa do 2º Subgrupamento de Bombeiros Independente, em Pato Branco. O contrato tem valor de R$ 6,49 milhões, mas apenas 2,9% da execução foi realizada. O relatório aponta que o empreendimento está em trâmite para rescisão amigável do contrato, também sem previsão de retomada.

Somadas, essas duas obras representam mais de R$ 43 milhões, o equivalente a cerca de 88% de todo o valor contratado das intervenções atualmente classificadas como paralisadas.

Contratos rescindidos e inexecução parcial

A maior parte das paralisações está associada a situações classificadas pelo governo como “inexecução parcial” dos contratos. Em vários casos, os documentos registram rescisões unilaterais ou amigáveis, sem cronograma definido para nova contratação ou continuidade dos trabalhos.

Na capital, Curitiba concentra quatro contratos paralisados. Entre eles estão obras de reparos no estacionamento coberto da sede do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), melhorias em edifícios administrativos do próprio órgão e intervenções na Delegacia de Delitos de Trânsito.

Os contratos do DER somam mais de R$ 3,1 milhões. Em todos os casos, o relatório informa rescisão unilateral por inexecução parcial e ausência de previsão para retomada.

Também chama atenção a situação do Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá. A obra possui contrato de aproximadamente R$ 847 mil e já alcançou cerca de 88% de execução física. Mesmo assim, foi classificada como paralisada após rescisão contratual.

Outro exemplo é a reforma da 40ª Ciretran de Cambará, vinculada ao Detran-PR. O contrato de R$ 302 mil registra pouco mais de 56% de execução e permanece sem previsão para continuidade.

Obras em diferentes áreas

Além das intervenções ligadas à segurança pública e infraestrutura, o relatório aponta paralisações em equipamentos sociais e unidades de atendimento à população.

Em Guarapuava, a obra do Conselho Tutelar aparece como paralisada, embora o contrato esteja em processo de recebimento parcial e já tenha sido extinto. O valor do contrato é de R$ 27,5 mil.

Também constam na lista um contrato relacionado ao Centro de Socioeducação (Cense) de Foz do Iguaçu, com valor de R$ 277 mil, e a implantação de Centros Logísticos de Ajuda Humanitária para atendimento de emergências em Guarapuava, Quedas do Iguaçu e Londrina. Neste último caso, o contrato soma R$ 113 mil.

Na área da saúde, além do Hospital Regional do Litoral, figura a obra do Núcleo de Entomologia de Porto Rico. O contrato de aproximadamente R$ 175 mil registra apenas 5,4% de execução física.

Falta de previsão para retomada

Um dos aspectos que mais chama atenção no relatório é a ausência de cronogramas para reativação dos contratos. Em praticamente todas as observações registradas pelo governo aparece a expressão “sem data prevista para retomada da obra”.

Em alguns casos, a administração estadual informa que analisa soluções jurídicas ou procedimentos de rescisão. Em outros, apenas registra a inexecução parcial dos serviços sem detalhar quais medidas serão adotadas para garantir a conclusão dos empreendimentos.

Os dados também mostram que as paralisações ocorrem em diferentes estágios de execução. Enquanto algumas obras avançaram pouco mais de 2%, outras ultrapassaram 80% de conclusão antes de serem interrompidas.

Segurança pública concentra maior volume financeiro

A área de segurança pública responde pela maior parcela dos recursos envolvidos. Apenas as obras vinculadas à Secretaria da Segurança Pública e ao programa financiado pelo BID representam mais de R$ 43 milhões em contratos paralisados.

O BPFron de Marechal Cândido Rondon e o quartel dos bombeiros de Pato Branco lideram a lista em valores. Há ainda a obra de reparos na Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba, com contrato de R$ 416 mil.

O levantamento demonstra que, embora o número de obras oficialmente classificadas como paralisadas seja relativamente reduzido diante do conjunto de contratos de engenharia do Estado, os valores envolvidos são expressivos e atingem projetos considerados estratégicos para áreas como segurança, saúde e infraestrutura administrativa.

Enquanto parte dos contratos aguarda análises jurídicas ou processos de rescisão, o Portal da Transparência indica que a maior parte dessas intervenções segue sem prazo definido para ser retomada ou concluída.

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