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Projeto na Alep quer proibir devedor de pensão em show e jogo no Paraná Créditos: Divulgação / Assessoria Parlamentar

Projeto na Alep quer proibir devedor de pensão em show e jogo no Paraná

Proposta da deputada Ana Júlia Ribeiro prevê que organizadores de eventos esportivos e culturais consultem bancos de dados no momento da compra do bilhete

Uma proposta protocolada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pretende impedir que pessoas com dívidas de pensão alimentícia comprem ingressos ou tenham acesso a eventos esportivos e culturais no Estado. O projeto de lei foi apresentado pela deputada estadual Ana Júlia Ribeiro e altera a legislação estadual de defesa do consumidor.

Pela proposta, a restrição seria aplicada a pessoas com inadimplência reconhecida pela Justiça ou registrada em bancos públicos de proteção ao crédito e de protesto de títulos.

O texto prevê que a verificação possa ser realizada no momento da compra dos ingressos, tanto em plataformas digitais quanto em pontos físicos de venda. Caberia aos organizadores dos eventos, administradores dos espaços e empresas responsáveis pela comercialização adotar mecanismos de consulta para identificar eventuais débitos.

A proposta também determina que, em caso de impedimento, a negativa de venda ou acesso seja feita de forma reservada, sem exposição pública ou qualquer tipo de constrangimento ao consumidor.

Segundo a autora do projeto, a medida busca reforçar a responsabilidade familiar e ampliar a proteção de crianças e adolescentes que dependem da pensão alimentícia para o próprio sustento.

Na justificativa apresentada à Alep, a deputada argumenta que o não pagamento da pensão compromete diretamente condições básicas de vida, como alimentação, saúde e educação, além de sobrecarregar os responsáveis que assumem sozinhos os custos da criação dos filhos.

O projeto também autoriza a celebração de convênios entre órgãos públicos, Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, cartórios e entidades ligadas aos setores esportivo e cultural para viabilizar o compartilhamento das informações necessárias ao cumprimento da futura lei.

Além disso, o texto estabelece que o tratamento dos dados pessoais deverá seguir as regras previstas na Lei Geral de Proteção de Dados.

Ao defender a proposta, Ana Júlia sustenta que não é razoável que pessoas que deixam de cumprir obrigações alimentares continuem frequentando atividades de lazer de maior custo enquanto deixam de contribuir para o sustento dos próprios filhos. A parlamentar também cita decisões do Superior Tribunal de Justiça que reconhecem a possibilidade de adoção de medidas coercitivas para garantir o pagamento da pensão alimentícia.

O projeto ainda será analisado pelas comissões da Assembleia Legislativa antes de seguir para votação em plenário. Se aprovado pelos deputados e sancionado pelo governo estadual, passará a valer em todo o Paraná.

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