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Acesso ao aborto legal entra na pauta da Alep após denúncia de serviço suspenso em Cascavel

Deputado afirma que atendimento está interrompido há meses e cita projeto em tramitação que amplia exigências sobre registro de procedimentos no Paraná

Por Gazeta do Paraná

Acesso ao aborto legal entra na pauta da Alep após denúncia de serviço suspenso em Cascavel Créditos: EBC

O acesso ao aborto legal no Paraná voltou ao centro do debate na Assembleia Legislativa nesta terça-feira, 7, após o deputado Goura afirmar, em plenário, que o serviço está interrompido em Cascavel, um dos municípios que integram a rede de atendimento no estado.

Segundo o parlamentar, o hospital responsável pelo atendimento na cidade não estaria realizando o procedimento há vários meses. “Aqui no Paraná são quatro estabelecimentos apenas que realizam o aborto legal e o hospital de Cascavel está com esse serviço interrompido há vários meses”, declarou.

O tema foi abordado durante discurso em que o deputado tratou o aborto legal como uma questão de saúde pública e defendeu a necessidade de garantir o atendimento nos casos previstos na legislação brasileira. Ele afirmou ainda que acionou a Secretaria de Estado da Saúde e a Defensoria Pública para apurar a situação e buscar a retomada do serviço.

No Brasil, o aborto é permitido em casos de gravidez resultante de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. O atendimento nesses casos deve ser realizado pelo Sistema Único de Saúde.

Durante a fala, Goura também mencionou um projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa que, segundo ele, pode dificultar o acesso ao aborto legal. Trata-se do Projeto de Lei nº 830/2025, de autoria do deputado Márcio Pacheco, que estabelece a obrigatoriedade de hospitais, clínicas e maternidades da rede pública e privada enviarem relatórios periódicos à Secretaria de Estado da Saúde com informações sobre abortamentos realizados.  

De acordo com o texto, os estabelecimentos deverão encaminhar, a cada 30 dias, dados anonimizados sobre os procedimentos, incluindo número de casos, idade gestacional, método utilizado e a indicação clínica, com classificação que abrange situações previstas na legislação, como risco à vida da gestante, gravidez decorrente de estupro e anencefalia fetal.  

O projeto também prevê o registro de atendimentos decorrentes de complicações relacionadas a abortamentos, além de informações sobre eventuais óbitos. Os dados deverão ser organizados pela Secretaria de Estado da Saúde e disponibilizados em bases oficiais, conforme o texto da proposta.

A matéria tramita desde setembro de 2025 e já passou por comissões da Assembleia. Na Comissão de Constituição e Justiça, o projeto recebeu parecer favorável, com votos contrários de parlamentares. Em outras etapas da tramitação, também houve divergências e pedidos de análise técnica por órgãos como a Secretaria de Saúde, o Conselho Regional de Medicina, a OAB e o Conselho Estadual da Mulher.  

O texto chegou a ser aprovado em primeiro turno em dezembro de 2025, mas foi retirado de pauta no segundo turno e, mais recentemente, retornou à Comissão de Constituição e Justiça após receber emendas em plenário no início de abril deste ano.  

Durante o discurso, Goura afirmou que apresentou emendas à proposta e disse que o governo do Estado já teria se posicionado contra o projeto, sem detalhar oficialmente esse posicionamento.

A discussão ocorre em meio à denúncia sobre a interrupção do serviço em Cascavel, que, se confirmada, afeta a rede de atendimento no estado, que conta com número reduzido de unidades habilitadas para realizar o procedimento.

Procurado, o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, foi questionado pela Gazeta do Paraná sobre a situação do serviço de aborto legal na unidade, eventual suspensão do atendimento e os motivos para isso. Nossa equipe de reportagem aguarda o retorno.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp