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Safra de soja do Paraná deve crescer 4% e chegar a 22,75 milhões de toneladas

Deral estima aumento na produção de soja, mas aponta perdas nas culturas de inverno causadas pelo excesso de chuvas durante o ciclo

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Produção de soja tem previsão de aumento em 4% no Paraná
Produção de soja tem previsão de aumento em 4% no Paraná — Crédito: Gilson Abreu/AEN

A produção de soja do Paraná deve chegar a 22,75 milhões de toneladas na safra 2026/2027, segundo nova estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A projeção representa aumento de 4% em relação ao ciclo anterior.

A área destinada à cultura está estimada em 5,74 milhões de hectares. Até esta quinta-feira (29), o plantio havia alcançado 62% da área prevista.

Entre as lavouras já implantadas, 88% estão em boas condições, enquanto 11% apresentam situação considerada média e 1% está em condição ruim. A estimativa ainda pode sofrer alterações ao longo do ciclo, principalmente em função do comportamento do clima nos próximos meses.

Segundo Larissa Nahirny, coordenadora da Divisão de Estatísticas do Deral, os efeitos das condições climáticas foram mais fortes nas culturas de inverno. Houve perdas tanto na produtividade quanto na qualidade dos grãos. Para as culturas de verão, as projeções ainda podem mudar conforme a evolução do clima.

Trigo tem queda de 34% na produção

A produção paranaense de grãos de inverno está estimada em 2,84 milhões de toneladas, queda de 28% em comparação com 2025, quando foram produzidas aproximadamente 3,9 milhões de toneladas.

O resultado é influenciado principalmente pelo excesso de chuvas durante o desenvolvimento e a colheita das lavouras. As condições prejudicaram tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.

No caso do trigo, a produção estimada é de 1,9 milhão de toneladas, redução de 34% em relação às 2,88 milhões de toneladas colhidas em 2025.

A área cultivada com trigo diminuiu 12%, enquanto a produtividade projetada caiu de 54 para 44 sacas por hectare.

As chuvas frequentes durante a colheita também afetaram a qualidade do cereal. Segundo o Deral, o cenário pode reduzir a disponibilidade de trigo com características adequadas para a indústria de panificação.

Canola amplia produção no Paraná

Em meio às perdas das culturas de inverno, a canola apresenta um cenário diferente. A estimativa do Deral indica que a produção da oleaginosa deve dobrar em relação ao ciclo anterior.

O resultado está relacionado principalmente ao aumento da área cultivada no Estado. A expansão da cultura ajuda a compensar parcialmente a redução registrada em outras lavouras de inverno.

Milho tem 94% da área plantada

O plantio da primeira safra de milho 2026/2027 chegou a 94% dos pouco mais de 372 mil hectares previstos.

A produção estimada é de 4,08 milhões de toneladas. Entre as áreas já plantadas, 78% estão em boas condições, 20% apresentam condição mediana e 2% estão em situação ruim.

O ritmo de plantio também é acompanhado pelo Deral nas principais culturas de hortaliças. A batata chegou a 77% da área prevista, abaixo da referência de 90% para outubro.

No tomate, o plantio alcançou 66%, enquanto a referência para o período era de 77%.

A cebola tem produção estimada em 96,5 mil toneladas. O volume representa redução de 23,3% em relação a 2018, período em que a área cultivada também era 50,5% maior.

Custos pressionam produtores de aves e suínos

O Boletim Conjuntural da semana 44, também divulgado pelo Deral nesta quinta-feira, aponta pressão dos custos de produção sobre as cadeias de aves e suínos.

Em setembro, o custo do frango vivo chegou a R$ 4,96 por quilo, enquanto o preço médio recebido pelo produtor foi de R$ 4,75.

Na suinocultura, o custo de produção ficou em R$ 6,13 por quilo, acima do preço médio de R$ 5,17 recebido pelos produtores.

No setor de lácteos, os preços do leite longa-vida, do leite pasteurizado e do queijo muçarela recuaram no varejo paranaense em outubro.

As importações estaduais de derivados de leite também aumentaram. Entre janeiro e setembro de 2026, o crescimento foi de aproximadamente 19% em relação ao mesmo período do ano passado.

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