Produtor perde 450 mil peixes após 23 horas sem energia no Paraná
Sistema FAEP cobra soluções da Copel; em São João do Ivaí, produtor perdeu cerca de 450 mil peixes após ficar 23 horas sem energia elétrica
A falta de energia elétrica e as oscilações de tensão na zona rural colocam em risco a piscicultura do Paraná, principal produtor de tilápia do Brasil. Os problemas comprometem a oxigenação dos viveiros, provocam a queima de equipamentos e já causaram a morte de milhares de peixes, com prejuízos milionários para produtores. Diante do cenário, o Sistema FAEP cobra medidas da Copel para garantir a qualidade e a continuidade do fornecimento no campo.
Segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, o Paraná produziu mais de 273 mil toneladas de pescado em 2025, o equivalente a quase 70% da produção nacional de tilápia. O Estado também respondeu por metade das 12 mil toneladas do produto exportadas pelo Brasil no período, movimentando mais de US$ 28 milhões.
A atividade depende diretamente da energia elétrica para manter os aeradores responsáveis pela oxigenação da água. Quando o fornecimento é interrompido ou apresenta oscilações, os equipamentos podem parar de funcionar, comprometendo a sobrevivência dos peixes e o resultado de meses de trabalho.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que a falta de energia de qualidade ameaça a sustentabilidade econômica da atividade e exige respostas da concessionária. Além das perdas com os animais, os produtores precisam arcar com combustível para geradores, manutenção e substituição de equipamentos.
De acordo com Edio Chapla, presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP e piscicultor em Marechal Cândido Rondon, as oscilações de tensão são recorrentes em propriedades rurais. Em algumas situações, a energia não chega a ser totalmente interrompida, mas a baixa tensão impede o acionamento automático dos geradores e o funcionamento adequado dos motores.
O problema aumenta os custos de produção e a insegurança dos produtores. Segundo Chapla, a energia já representa mais de 55% do custo de um lote, pressionando as margens de rentabilidade.
Produtor perde 450 mil peixes
Um dos casos mais graves foi registrado em São João do Ivaí, no Norte do Paraná. O piscicultor Edilson Pini perdeu cerca de 450 mil peixes, equivalentes a 230 toneladas, após uma sequência de falhas no fornecimento de energia. A propriedade produz aproximadamente 800 toneladas de pescado por ano, em 15 viveiros, e conta com frigorífico próprio.
A produção abastece contratos com órgãos públicos e instituições. Antes do incidente, o produtor entregava semanalmente peixes para a merenda escolar de 22 municípios paranaenses, além de atender o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, o Sesc e o Senac. Com a perda do plantel, os contratos passaram a correr risco.
Segundo Pini, os problemas começaram em 29 de setembro, quando a energia caiu por volta das 14h. O primeiro chamado à Copel foi registrado às 15h16. Diante das oscilações, o gerador da propriedade foi acionado para manter os equipamentos em funcionamento, mas sofreu uma pane por volta das 20h. Dois motores de arranque queimaram e a placa de automação ficou inutilizada, gerando um custo de reparo estimado em R$ 20 mil.
Durante a noite, o produtor, a esposa e dois funcionários tentaram manter os peixes vivos com procedimentos manuais, inclusive o uso de oxigênio granulado. A medida, porém, não foi suficiente para compensar a falta de funcionamento dos aeradores. O fornecimento de energia só foi restabelecido às 13h do dia seguinte, após aproximadamente 23 horas.
Pini afirma que realizou 28 contatos por WhatsApp e pelo telefone 0800, além de procurar representantes e técnicos da concessionária. Para ele, uma resposta mais rápida da equipe de manutenção poderia ter evitado parte das perdas.
Reposição pode custar R$ 2,5 milhões
O piscicultor estima que a reposição do plantel exigirá cerca de R$ 2,5 milhões. A perda representa aproximadamente seis meses de trabalho e compromete o planejamento financeiro da propriedade, que mantém compromissos com clientes, fornecedores e instituições de crédito.
O produtor afirma que busca alternativas para reorganizar a atividade e cumprir as obrigações assumidas. A situação também levanta preocupações sobre a continuidade de negócios familiares e o abastecimento de instituições atendidas pela produção rural.
O Sistema FAEP defende que a Copel apresente soluções para reduzir as interrupções e as oscilações de tensão nas propriedades rurais. Para o setor, a regularidade do fornecimento é fundamental para proteger os investimentos, manter a produção e evitar novas perdas.
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