Câncer que causou a morte de Netinho deve atingir mais de 12,5 mil brasileiros por ano, aponta Inca
Linfoma não Hodgkin é mais frequente entre homens e pessoas idosas; regiões Sul e Sudeste apresentam algumas das maiores taxas de incidência da doença no país
O Brasil deverá registrar aproximadamente 12,5 mil novos casos de linfoma não Hodgkin por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença, que provocou a morte do cantor Netinho, na terça-feira (13), aos 60 anos, está entre os tipos de câncer mais incidentes no país, com maior frequência entre homens e pessoas de idade avançada.
De acordo com o levantamento, são esperados 12.560 novos diagnósticos anuais, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres. A taxa estimada é de 5,87 casos por 100 mil habitantes, chegando a 6,30 entre os homens e 5,45 entre as mulheres.
O cantor Netinho, conhecido por sucessos como "Milla" e "Menina", enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, diagnosticado em 2025. O artista morreu em Salvador, na Bahia, após complicações associadas à doença, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A morte do músico chama atenção para um grupo de cânceres que atingem o sistema linfático, responsável por participar das defesas do organismo. A doença reúne diferentes subtipos, que podem apresentar evolução lenta ou comportamento agressivo.
Sul e Sudeste apresentam maiores taxas de incidência
As estimativas do Inca apontam diferenças na distribuição do linfoma não Hodgkin entre as regiões brasileiras. Sul e Sudeste apresentam algumas das maiores taxas de incidência da doença, com destaque para a Região Sul, que lidera tanto entre homens quanto entre mulheres.
No Sul, o linfoma não Hodgkin ocupa a décima posição entre os cânceres mais incidentes na população masculina e a oitava entre as mulheres, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
No Centro-Oeste, a doença também aparece entre os dez tipos de câncer mais frequentes entre os homens.
A incidência aumenta com o envelhecimento, embora o diagnóstico possa ocorrer em qualquer fase da vida, incluindo crianças e adolescentes.
Segundo as projeções nacionais, os homens deverão representar aproximadamente 52,4% dos novos casos anuais, enquanto as mulheres corresponderão a 47,6%.
Brasil registra milhares de mortes pela doença
Além das estimativas de novos diagnósticos, os dados de mortalidade mostram o impacto do linfoma não Hodgkin na saúde pública brasileira.
Em 2024, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer, foram registrados 5.046 óbitos associados à doença, sendo 2.753 homens e 2.293 mulheres.
Os números de mortalidade correspondem a registros efetivos de 2024, enquanto as estimativas de incidência representam projeções anuais para o período de 2026 a 2028.
Em escala mundial, dados referentes a 2022 apontaram aproximadamente 553 mil novos diagnósticos de linfoma não Hodgkin, o equivalente a 2,8% de todos os casos de câncer identificados naquele ano.
As maiores taxas internacionais foram observadas na América do Norte, Austrália, Nova Zelândia e Europa.
O que é o linfoma não Hodgkin?
O linfoma não Hodgkin é um conjunto de cânceres que se desenvolvem nas células do sistema linfático, estrutura que integra o sistema imunológico e participa da proteção do organismo contra infecções e outras doenças.
O sistema linfático está presente em diferentes regiões do corpo. Por isso, os tumores podem surgir nos linfonodos, conhecidos popularmente como gânglios ou ínguas, e também atingir órgãos e outros tecidos.
A doença se desenvolve quando determinadas células do sistema imunológico passam a se multiplicar de maneira descontrolada.
Existem mais de 50 tipos de linfoma não Hodgkin, com características e comportamentos diferentes. Entre os mais conhecidos estão o linfoma difuso de grandes células B e o linfoma folicular.
Alguns subtipos apresentam crescimento lento e podem permanecer por longos períodos sem provocar sintomas intensos. Outros evoluem rapidamente e exigem tratamento imediato.
A identificação do subtipo é fundamental para definir a abordagem terapêutica e avaliar as perspectivas de recuperação.
Quais são os principais sintomas?
Um dos sinais mais comuns do linfoma não Hodgkin é o aumento dos gânglios linfáticos, que pode provocar o surgimento de caroços ou ínguas no pescoço, nas axilas e na virilha.
Outras manifestações incluem febre persistente sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso involuntária, cansaço, fraqueza, coceira na pele e, em alguns casos, tosse ou desconforto abdominal.
Os sintomas variam de acordo com o tipo de linfoma e os órgãos afetados. Nem todos os pacientes apresentam os mesmos sinais, e algumas manifestações também podem estar relacionadas a outras doenças.
Por isso, o aparecimento de ínguas persistentes, especialmente quando acompanhadas de febre, emagrecimento inexplicável ou suor noturno, deve motivar uma avaliação médica.
Fatores de risco incluem alterações na imunidade
O desenvolvimento de determinados tipos de linfoma não Hodgkin pode estar associado a condições que comprometem o sistema imunológico.
Entre os fatores de risco identificados estão doenças hereditárias que afetam a imunidade, infecção pelo HIV, uso prolongado de medicamentos imunossupressores após transplantes e algumas doenças autoimunes.
Exposições ocupacionais ou ambientais a determinadas substâncias químicas, como pesticidas, solventes orgânicos e benzeno, também são investigadas ou associadas a subtipos específicos da doença.
Essas condições não significam que uma pessoa necessariamente desenvolverá câncer. Além disso, muitos pacientes recebem o diagnóstico sem apresentar fatores de risco conhecidos.
Tratamento pode incluir quimioterapia e imunoterapia
As possibilidades de tratamento dependem principalmente do subtipo de linfoma, da extensão da doença e das condições clínicas do paciente.
Entre as alternativas estão quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, terapias-alvo e transplante de células-tronco hematopoéticas, também conhecido como transplante de medula óssea.
Em situações específicas, pode ser utilizada a terapia CAR-T, que emprega células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer e combater células cancerígenas.
De acordo com informações da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), as chances de cura podem ficar, em média, entre 60% e 70%, dependendo do subtipo e das características clínicas. Esse percentual, porém, não representa o prognóstico individual de todos os pacientes.
A resposta ao tratamento e o intervalo entre a primeira terapia e uma eventual recaída também influenciam a evolução da doença.
O hematologista Guilherme Duffles, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Comitê de Linfomas da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), explica que recaídas precoces geralmente estão associadas a um prognóstico menos favorável.
A diversidade dos linfomas não Hodgkin reforça a importância do diagnóstico preciso e do acompanhamento especializado. Embora algumas formas sejam agressivas, diferentes subtipos apresentam possibilidades de tratamento e cura, especialmente quando recebem a abordagem adequada.
Matérias relacionadas
James Spader retorna como vilão Ultron em nova série da Marvel após mais de dez anos
Preços de carros usados caem até 15,7% no Brasil com avanço de marcas chinesas e promoções de veículos novos
Quase 30 anos após o crime, homem é condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Tupac Shakur
Encontro Municipal de Corais reúne 13 grupos e emociona público no Teatro Municipal de Toledo
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.