PF deixará para novembro relatório sobre ministros do STF e Daniel Vorcaro
Documento será encaminhado a Edson Fachin após análise de mensagens e conversas do ex-banqueiro; eventual abertura de investigações dependerá de deliberação do plenário da Corte
A Polícia Federal (PF) deve entregar apenas em novembro ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o relatório sobre possíveis irregularidades envolvendo ministros da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A previsão foi definida em reunião entre Fachin e o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, realizada na terça-feira (13).
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (14), o adiamento busca evitar novos desgastes institucionais durante o período eleitoral. O cronograma também prevê uma análise detalhada dos nomes de magistrados mencionados em mensagens e conversas atribuídas a Vorcaro.
O relatório deverá incluir os nomes para os quais forem identificados elementos que indiquem possíveis irregularidades. A documentação será encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por emitir parecer, antes de ser submetida ao plenário do STF.
A eventual abertura de investigações contra ministros dependerá da avaliação dos elementos reunidos e da decisão colegiada. Segundo investigadores ouvidos pela imprensa, esse procedimento é considerado o caminho adequado para que o tribunal examine a existência de indícios de crimes relacionados ao caso.
Eleição pode influenciar ambiente no Supremo
O adiamento ocorre em meio a divergências internas no STF sobre a condução das apurações envolvendo Vorcaro. Conforme relatos de ministros e investigadores, o resultado da eleição presidencial também poderá influenciar o ambiente político e institucional em que o caso será analisado.
As fontes ouvidas apontam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) produziria cenários distintos para as discussões internas da Corte, inclusive sobre possíveis investigações.
Nos bastidores, também existe a possibilidade de arquivamento, caso a análise conclua que os elementos reunidos não são suficientes para justificar a abertura de procedimentos investigativos.
Até a conclusão das análises e a eventual deliberação do plenário, não há, com base nas informações divulgadas, decisão definitiva sobre a abertura de investigações contra ministros. A citação de nomes em mensagens ou conversas, por si só, não comprova a prática de irregularidades.
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