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Exportações de óleo de soja do Paraná crescem quase 80% e chegam a US$ 750 milhões

Vendas externas do produto aumentaram US$ 331 milhões entre janeiro e setembro de 2026, superando o ritmo de crescimento das exportações totais do Estado, segundo levantamento do Ipardes

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Soja
Soja — Crédito: CNA/WENDERSON ARAUJO/TRILUX

As exportações de óleo de soja bruto do Paraná cresceram 78,9% nos primeiros nove meses de 2026 e movimentaram US$ 750,5 milhões, contra US$ 419,5 milhões registrados no mesmo período do ano passado. O aumento de US$ 331 milhões foi o maior avanço percentual entre os principais produtos da pauta exportadora paranaense, segundo levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), divulgado na sexta-feira (9).

O desempenho do óleo de soja foi significativamente superior ao crescimento das exportações totais do Estado, que avançaram 5,5% na comparação anual, alcançando US$ 18,7 bilhões entre janeiro e setembro. Os números têm como base os registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A expansão chama atenção para a importância dos derivados da soja na economia paranaense. Além da comercialização do grão, a cadeia produtiva envolve o processamento industrial para obtenção de óleo e farelo, produtos que também ocupam posições relevantes no comércio exterior.

O levantamento mostra, entretanto, a evolução dos valores negociados em dólares. Portanto, a alta de 78,9% não deve ser interpretada automaticamente como crescimento equivalente do volume embarcado, já que os resultados financeiros também podem ser influenciados pelos preços internacionais.

 

Derivados ganham espaço

A soja em grão continuou entre os principais produtos exportados pelo Paraná, com vendas de US$ 3,9 bilhões nos nove primeiros meses do ano, crescimento de 6% em relação a 2025. O farelo de soja, outro produto obtido no processamento industrial, respondeu por US$ 1,1 bilhão em exportações, avanço de 13,3%.

O óleo de soja bruto, embora tenha movimentado um valor inferior ao dos outros dois produtos, apresentou crescimento percentual muito mais expressivo.

Somadas, as exportações de soja em grão, farelo e óleo bruto alcançaram aproximadamente US$ 5,75 bilhões no período. O resultado evidencia a participação da cadeia da oleaginosa na pauta comercial paranaense, que reúne tanto produtos agrícolas quanto mercadorias industrializadas.

A diferença entre o desempenho dos três itens também mostra que os segmentos da mesma cadeia produtiva podem apresentar trajetórias distintas no mercado internacional.

Para compreender as razões específicas do salto nas exportações de óleo, seria necessário analisar separadamente os volumes embarcados, os preços médios e os principais países compradores do produto.

 

Paraná exporta US$ 18,7 bilhões

No conjunto da economia estadual, as exportações paranaenses passaram de US$ 17,7 bilhões nos primeiros nove meses de 2025 para US$ 18,7 bilhões em 2026.

O Paraná ocupa a sexta posição entre os estados exportadores do Brasil e comercializou produtos com 208 mercados internacionais ao longo do período.

Além da soja e de seus derivados, a carne de frango in natura teve participação expressiva, com US$ 3,3 bilhões em vendas externas, crescimento de 25,8% na comparação com o ano anterior.

A participação da carne de frango na pauta exportadora estadual passou de 14,7% para 17,5%. Já a soja em grão respondeu por 20,9% das exportações e o farelo por 5,8%.

Os dados reforçam a presença do agronegócio entre os principais componentes da balança comercial do Paraná, ao lado de produtos industriais, como papel, celulose, máquinas e veículos.

 

China lidera compras

A China permaneceu como principal destino das exportações paranaenses, com compras de US$ 4,3 bilhões entre janeiro e setembro, equivalentes a 23,1% do total vendido pelo Estado ao exterior.

Na sequência aparecem Argentina, com US$ 1 bilhão; Estados Unidos, com US$ 840,4 milhões; Índia, com US$ 774 milhões; e México, com US$ 716,3 milhões.

Esses valores correspondem às exportações totais do Paraná para cada país, e não exclusivamente às vendas de óleo de soja.

O Japão também apresentou crescimento expressivo nas compras de produtos paranaenses, com alta de 65,3% em relação aos três primeiros trimestres de 2025, impulsionada principalmente pelos negócios envolvendo carne de frango.

Segundo o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, a ampliação dos mercados compradores contribuiu para o crescimento das exportações estaduais, mesmo diante das barreiras comerciais internacionais.

 

Importações também aumentam

Enquanto as exportações cresceram 5,5%, as importações do Paraná avançaram 10,4% entre janeiro e setembro, passando de US$ 15,3 bilhões para US$ 16,9 bilhões.

Com isso, o Estado registrou saldo comercial positivo de aproximadamente US$ 1,8 bilhão no período.

Os adubos e fertilizantes permaneceram entre os principais itens importados, com compras de US$ 2,1 bilhões, embora o levantamento tenha identificado redução de 10,1% no volume adquirido do exterior.

No caso do óleo de soja, o aumento das receitas com exportações representa um dos destaques do comércio exterior paranaense em 2026. A evolução dos próximos meses permitirá verificar se o ritmo de crescimento será mantido até o fechamento do ano.

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