Agro do Paraná ganha espaço em expansão de 700 mercados internacionais abertos pelo Brasil
Estado exportou US$ 18,7 bilhões entre janeiro e setembro, com destaque para soja e carne de frango; abertura de novos destinos amplia oportunidades para produtores e cooperativas paranaenses
O Paraná, um dos principais polos agroindustriais do Brasil, está entre os estados com potencial para ampliar suas vendas internacionais após o país alcançar a marca de 700 novos mercados abertos para produtos agropecuários desde 2023. O resultado foi anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (13), durante cerimônia no Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília, e ocorre em um momento de crescimento das exportações paranaenses, que somaram US$ 18,7 bilhões nos primeiros nove meses de 2026.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), as exportações do Paraná cresceram 5,5% entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período de 2025, quando o estado havia comercializado US$ 17,7 bilhões com o exterior.
A soja liderou a pauta exportadora paranaense, com US$ 3,9 bilhões, seguida pela carne de frango in natura, com US$ 3,3 bilhões, e pelo farelo de soja, com US$ 1,1 bilhão. Os três segmentos registraram crescimento nas vendas internacionais, de 6%, 25,8% e 13,3%, respectivamente.
O desempenho da avicultura chama atenção. A participação da carne de frango nas exportações estaduais passou de 14,7% para 17,5% em um ano, consolidando a importância do setor para a economia paranaense. Outro destaque foi o óleo de soja bruto, cujas vendas cresceram 78,9%, passando de US$ 419,5 milhões para US$ 750,5 milhões.
Os números ajudam a dimensionar a importância da abertura de mercados internacionais para um estado que concentra grandes cooperativas agroindustriais, frigoríficos e empresas exportadoras, especialmente nas regiões Oeste, Sudoeste e Norte.
Novos destinos
As 700 aberturas de mercado anunciadas pelo governo brasileiro ocorreram em 99 destinos, entre países e blocos econômicos. O resultado envolve negociações sanitárias e fitossanitárias que permitiram a entrada de produtos brasileiros em mercados anteriormente fechados para determinadas mercadorias.
O número não representa 700 países diferentes, mas autorizações para a comercialização de produtos específicos em determinados destinos. Uma mesma nação pode autorizar a entrada de diferentes mercadorias, contabilizadas como aberturas distintas.
Durante a cerimônia, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, comparou o desempenho com o registrado na administração federal anterior. Segundo ele, foram 700 aberturas desde 2023, contra 241 no governo precedente.
Entre as autorizações recentes está a concedida pela China para a importação de miúdos suínos brasileiros, medida que pode criar novas oportunidades para a cadeia de proteína animal. A possibilidade é especialmente relevante para o Paraná, que possui uma indústria de processamento de carnes com forte presença no comércio exterior.
Entretanto, a abertura de um mercado não significa, necessariamente, que empresas paranaenses já estejam exportando para ele. A efetiva comercialização depende de fatores como habilitação de estabelecimentos, competitividade, demanda internacional e condições logísticas.
Paraná já exporta para 208 mercados
O alcance internacional da produção paranaense também aparece nos dados estaduais. Entre janeiro e setembro deste ano, produtos do Paraná foram comercializados com 208 mercados internacionais, colocando o estado na sexta posição entre os maiores exportadores brasileiros.
A China permaneceu como principal destino das mercadorias paranaenses, com compras de US$ 4,3 bilhões, equivalentes a 23,1% das exportações estaduais no período.
Além dos grandes parceiros comerciais, os produtos do estado chegaram a destinos como Mônaco, Quirguistão e Zimbábue, demonstrando a diversificação geográfica das vendas.
Os 208 mercados atendidos pelo Paraná não devem ser confundidos com as 700 aberturas anunciadas pelo governo federal. O primeiro indicador representa destinos comerciais das exportações estaduais; o segundo contabiliza autorizações para produtos agropecuários brasileiros desde 2023.
Mercosul e União Europeia
A expansão das exportações brasileiras também foi impulsionada pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio deste ano, após quase 27 anos de negociações.
De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, as exportações brasileiras para o bloco europeu cresceram 30,7% entre maio e setembro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.
No acumulado de janeiro a setembro, as vendas brasileiras à União Europeia chegaram a US$ 44,17 bilhões, crescimento de 20% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que o comércio bilateral entre Mercosul e União Europeia aumentou mais de US$ 6 bilhões desde a entrada em vigor do acordo.
Para o Paraná, a ampliação das relações comerciais com a Europa representa uma oportunidade para setores como o agronegócio, a indústria de alimentos e a produção de derivados de soja. No entanto, os dados nacionais não permitem determinar quanto desse crescimento corresponde especificamente às exportações paranaenses.
Perspectivas de crescimento
Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o Brasil já exportou US$ 5,8 bilhões para os mercados abertos desde 2023. A projeção da agência é que as vendas para esses destinos alcancem US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.
Durante o anúncio, o ministro André de Paula afirmou que a safra brasileira de grãos 2026/2027 poderá alcançar 366 milhões de toneladas e destacou a expectativa de o Brasil encerrar o ano como maior exportador mundial de alimentos.
O avanço das negociações comerciais ocorre em um cenário de disputas geopolíticas, barreiras tarifárias e busca por diversificação dos destinos das exportações. Para o Paraná, a abertura de mercados pode representar novas oportunidades para cooperativas e agroindústrias, mas seus efeitos dependerão da capacidade das empresas de conquistar compradores e ampliar as vendas.
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