Endividamento, seguro rural e infraestrutura estão entre as prioridades do agro para o próximo presidente
Setor cobra crédito acessível, proteção contra eventos climáticos, redução da dependência de fertilizantes importados e investimentos em logística; especialistas alertam que soluções exigem políticas de longo prazo
O agronegócio brasileiro chega à próxima eleição presidencial com uma série de desafios que exigem respostas do poder público e investimentos da iniciativa privada. Endividamento dos produtores, juros elevados, baixa cobertura do seguro rural, perdas provocadas por eventos climáticos e gargalos de infraestrutura estão entre os principais problemas que o setor espera ver enfrentados pelo próximo governo.
O diagnóstico também inclui a dependência de insumos importados, dificuldades para ampliar a conectividade no campo e a necessidade de fortalecer a presença dos produtos brasileiros no mercado internacional. Para a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o enfrentamento dessas questões passa pela construção de políticas públicas permanentes, capazes de ultrapassar os limites de um mandato presidencial.
Na área de financiamento, o custo do crédito e o aumento da inadimplência preocupam especialistas. Prejuízos acumulados em safras consecutivas, provocados por problemas climáticos, juros elevados e custos de produção, têm comprometido a capacidade de pagamento dos produtores e levado instituições financeiras a adotar critérios mais rigorosos na concessão de empréstimos.
Outro ponto crítico é a baixa cobertura do seguro rural. Segundo especialistas ouvidos na análise do setor, apenas 3% da produção agropecuária brasileira está protegida por esse instrumento. A ampliação dos recursos disponíveis e a criação de mecanismos para enfrentar catástrofes climáticas estão entre as medidas defendidas para reduzir os riscos da atividade.
A legislação sancionada em 2026 estabeleceu um novo marco regulatório para o seguro rural, incluindo regras relacionadas ao Fundo de Catástrofes e à subvenção ao prêmio do seguro. A efetividade das medidas, porém, dependerá da regulamentação e da disponibilidade de recursos para garantir a proteção dos produtores.
A dependência externa também representa um desafio estratégico. O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes químicos que consome, o que deixa a produção vulnerável a conflitos internacionais, dificuldades logísticas e oscilações de preços. O Plano Nacional de Fertilizantes busca ampliar a produção nacional, mas os resultados dependem de investimentos e da disponibilidade de matérias-primas.
Na infraestrutura, a expansão da produção agrícola pressiona a capacidade de armazenamento, o transporte e o escoamento das safras. Estradas em condições precárias, falta de armazéns e demora na liberação de licenças para obras elevam os custos e reduzem as margens dos produtores. A integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias é apontada como alternativa para melhorar a logística.
A conectividade rural também aparece entre as demandas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que mais de 1,3 milhão de domicílios rurais não tinham acesso à internet em 2024, o equivalente a 15% do total. A ampliação da infraestrutura digital é considerada essencial para o avanço da agricultura de precisão e para o uso de tecnologias no campo.
Além dos desafios econômicos e estruturais, o setor busca melhorar a percepção sobre a agroindústria brasileira. A proposta é ampliar a comunicação sobre a contribuição do agronegócio para a economia, a segurança alimentar, a inovação e a sustentabilidade, sem deixar de enfrentar problemas relacionados às práticas produtivas e ambientais.
No comércio exterior, a prioridade é diversificar os destinos das exportações e ampliar os acordos comerciais para reduzir a exposição a barreiras tarifárias e sanitárias. Especialistas avaliam que a atuação coordenada entre governo, entidades representativas, instituições de pesquisa e empresas pode fortalecer a competitividade brasileira e ampliar a previsibilidade para os investimentos.
As propostas apresentadas pela Abag estão organizadas em cinco frentes: financiamento e seguro rural; fortalecimento das cadeias estratégicas da agroindústria; planejamento e financiamento da infraestrutura; comunicação e valorização do setor; e inserção internacional.
A avaliação dos especialistas é que os problemas não serão resolvidos de forma imediata. A continuidade das políticas públicas, a segurança jurídica e a participação do setor privado serão determinantes para reduzir os custos de produção, ampliar a resiliência diante dos eventos climáticos e sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro.
Foto: Divulgação
Matérias relacionadas
Feira da Agroindústria Familiar reúne produtos do Paraná em Curitiba
FPA confirma apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e cobra compromissos para o agro
Coopavel é habilitada pelo Iraque como fornecedora preferencial de frango
Sistema FAEP parabeniza Sergio Moro pela vitória na eleição para governador do Paraná
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.