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Vorcaro nega à PF envolvimento com grupos de intimidação

Daniel Vorcaro negou à Polícia Federal participação em grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos” e pediu para responder às investigações em liberdade

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Caso Master: Vorcaro nega à PF envolvimento com “A Turma”
Caso Master: Vorcaro nega à PF envolvimento com “A Turma” — Crédito: Divulgação

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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou nesta quarta-feira (30), em depoimento à Polícia Federal (PF), qualquer participação em atos violentos ou de intimidação contra desafetos. Ele também afirmou não conhecer ou ter participado dos grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”.

O depoimento ocorreu no âmbito do inquérito que investiga a atuação dos grupos. Segundo a defesa, após ter acesso aos autos, os advogados concluíram que as expressões não identificavam estruturas organizadas e que não há prática criminosa que possa ser atribuída a Vorcaro.

Em nota, a defesa afirmou que eventuais mensagens atribuídas ao ex-banqueiro foram retiradas de contexto e classificou as manifestações como desabafos feitos em momentos de indignação. Os advogados sustentam que não houve consequência prática nem risco à integridade física de terceiros.

O que investiga a PF

A investigação sobre “A Turma” começou a partir de mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro. Segundo a corporação, o grupo teria atuado na coleta de informações, monitoramento e intimidação de pessoas consideradas desafetos do ex-banqueiro.

Documentos mencionados durante a investigação também incluem conversas encontradas no celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Na época da prisão de Vorcaro, o ministro André Mendonça, que era o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), descreveu “A Turma” como uma estrutura que teria sido usada para monitoramento, coleta de informações, coação e intimidação de concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas.

Entre os episódios investigados está uma conversa sobre um possível plano para simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, que teria publicado informações que desagradaram Vorcaro. A referência faz parte dos elementos investigados pela PF e não representa uma condenação judicial.

Segundo a PF, Henrique Vorcaro, pai de Daniel, seria um dos envolvidos na estrutura. As investigações também apontaram Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, como integrante ligado ao grupo.

Relação com Sicário

Durante o depoimento, Daniel Vorcaro afirmou conhecer apenas Mourão. De acordo com seus advogados, ele explicou que mantinha com Sicário um contrato formal de prestação de serviços de inteligência e segurança digital.

Mourão havia sido preso em uma fase anterior da Operação Compliance Zero. Ele morreu após cometer suicídio na cela da Superintendência da PF em Belo Horizonte.

A defesa de Vorcaro afirmou que nunca houve ameaça ou risco à integridade física de outras pessoas. Os advogados também pediram a soltura do ex-banqueiro.

Segundo a defesa, não existem mais motivos para manter Vorcaro preso enquanto as investigações continuam.

Henrique Vorcaro também depôs

Henrique Vorcaro também prestou depoimento à PF nesta quarta-feira. Ele negou ser o articulador de “A Turma” e afirmou que manteve apenas relações comerciais com três pessoas apontadas como integrantes do grupo.

A defesa do pai de Daniel também pediu a revogação da prisão preventiva. Os advogados alegam haver um impasse no STF e afirmam que pedidos apresentados anteriormente ao ministro André Mendonça, quando ele ainda era relator do caso, não foram analisados.

As investigações seguem em andamento, e as alegações apresentadas pelas defesas ainda serão analisadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

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