Empresa de Virginia Fonseca recebe R$ 17,7 milhões de firma ligada a Willer Tomaz, alvo da PF
Cinco transferências Pix de empresa associada a Willer Tomaz levaram o Santander a avisar o Coaf
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A Talismã Digital, empresa da influenciadora Virginia Fonseca, recebeu R$ 17,7 milhões de uma companhia associada ao advogado Willer Tomaz, alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas. O dinheiro chegou em cinco transferências via Pix, entre março e setembro de 2024, e levou o Banco Santander a avisar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que monitora movimentações financeiras suspeitas.
No período dos pagamentos, Virginia tinha contrato de publicidade com a Blaze, casa de apostas que também aparece nas apurações sobre as movimentações de Tomaz.
A revista piauí revelou os repasses, e a Folha de S.Paulo confirmou os dados e identificou a possível ligação entre o advogado e a empresa que pagou.
A assessoria da influenciadora disse que o dinheiro veio de campanhas publicitárias contratadas de forma regular, mas não informou quais serviços foram prestados. Afirmou ainda que Virginia não conhece Willer Tomaz e jamais negociou com ele.
Por que o banco estranhou os pagamentos
O dinheiro saiu da AMP Pay Marketing e Negócios, empresa registrada em Itajaí (SC) com capital social de R$ 50 mil. Documentos vistos pela Folha mostram que o Santander considerou as transferências atípicas por um motivo objetivo: a AMP Pay estava no Simples Nacional, regime tributário simplificado para empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. Os R$ 17,7 milhões enviados à Talismã Digital ultrapassam esse teto.
Essa diferença motivou a comunicação ao Coaf, mas, sozinha, não prova que as transferências tenham sido irregulares.
Segundo o cadastro da Receita Federal, o dono da AMP Pay é Guilherme Maciel. Ao ser procurado pela Folha, ele negou conhecer Willer Tomaz ou ter qualquer relação com o advogado. Maciel disse que a empresa trabalhou de forma regular como intermediadora de pagamentos entre 2024 e 2025, mas não explicou quais serviços justificariam os repasses à empresa de Virginia.
O elo com Willer Tomaz
A PF localizou um e-mail enviado por Tomaz ao Magnum Bank, em 2024, no qual ele se apresentava como sócio ou acionista da AMP Pay. A mensagem foi incorporada à investigação sobre o uso de empresas e plataformas financeiras para movimentar dinheiro de origem suspeita.
Para os investigadores, a AMP Pay reúne características que justificam verificar se era uma empresa de fachada, isto é, que existe formalmente, mas pode servir apenas para dar aparência legal a movimentações financeiras. A PF a colocou entre as pessoas jurídicas que poderiam ter servido à primeira etapa da circulação do dinheiro.
A investigação envolvendo a Blaze
A apuração também analisa possíveis conexões entre Tomaz e a Blaze. Uma das hipóteses é que plataformas de apostas tenham sido usadas para dificultar o rastreamento do dinheiro, por meio de depósitos, apostas em sequência e retiradas de valores.
Dados do Ministério da Fazenda indicam que Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas em 2025, o que o tornou o maior apostador identificado no país naquele ano. O valor inclui dinheiro que circulou várias vezes nas plataformas, como prêmios reapostados, e não equivale necessariamente ao que o advogado desembolsou do próprio bolso.
Segundo a investigação, Tomaz usou uma conta na fintech A55 para enviar recursos à Blaze, em operações consideradas atípicas. A PF também notou que a Foggo Entertainment, responsável pela operação da Blaze, passou a usar um endereço antes registrado por empresas ligadas ao advogado e a antigos sócios dele. Os investigadores ressaltam que a coincidência não comprova participação societária nem controle oculto de Tomaz sobre a casa de apostas, e que a relação ainda é apurada.
Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial de outubro, e o senador é citado em investigação relacionada ao advogado.
Procurado pela Folha sobre as transferências à Talismã Digital, Tomaz não respondeu. Em manifestações anteriores sobre suas apostas, afirmou que os recursos movimentados tinham origem lícita.
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