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Sergio Moro é eleito governador do Paraná no primeiro turno

Senador chega ao Palácio Iguaçu com pouco mais de 50% dos votos válidos após uma campanha marcada pela disputa com Sandro Alex e Requião Filho e uma apuração decidida no limite

Gazeta do Paraná · · 6 min de leitura
Sergio Moro
Sergio Moro — Crédito: Divulgação

Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná neste domingo (4), no primeiro turno. O senador conseguiu permanecer acima da barreira de 50% dos votos válidos até a reta final da apuração e encerrou sem necessidade de uma segunda votação uma das principais disputas estaduais das eleições de 2026.

Às 19h30, com 99,17% das seções totalizadas, Moro tinha 3.106.644 votos, equivalentes a 50,18% dos votos válidos. Sandro Alex (PSD) aparecia em segundo lugar, com 1.565.324 votos e 25,29%, enquanto Requião Filho (PDT) somava 1.452.389 votos, ou 23,46%.

A diferença entre Sandro Alex e Requião Filho era de 112.935 votos. Mas a principal disputa matemática da noite não ocorreu entre o segundo e o terceiro colocados. Durante praticamente toda a reta final da contagem, a pergunta foi se Moro conseguiria permanecer acima dos 50% necessários para encerrar a eleição neste domingo.

Vitória decidida no limite

A apuração transformou a eleição paranaense em uma disputa contra a casa decimal. Moro permaneceu pouco acima dos 50% enquanto milhares de urnas ainda eram processadas.

Com 94,06% das seções totalizadas, por exemplo, ele aparecia com 50,32%, somando 2.952.491 votos. À medida que novas urnas foram incorporadas, o percentual recuou gradualmente.

Quando a totalização chegou a 99,17%, Moro estava em 50,18%. Restavam apenas 225 das 27.142 seções eleitorais do Paraná para serem processadas.

Naquele momento, haviam sido contabilizados 6.189.062 votos válidos. Moro tinha 3.106.644, uma diferença de pouco mais de 24 mil votos em relação à metade dos válidos contabilizados até então.

Foi uma vitória muito diferente daquela sugerida pela distância entre o primeiro e o segundo colocado. Moro terminou com praticamente o dobro da votação individual de Sandro Alex, mas, para liquidar a eleição no primeiro turno, precisava superar a soma de todos os adversários.

Uma sucessão aberta após oito anos de Ratinho Junior

A eleição encerra um ciclo de oito anos de Ratinho Junior à frente do Paraná. Impedido constitucionalmente de disputar um terceiro mandato consecutivo, o governador deixou uma sucessão que reorganizou as principais forças políticas do estado.

Sandro Alex entrou na corrida pelo PSD e buscou representar a continuidade do grupo que comandou o Palácio Iguaçu desde 2019. Deputado federal e ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística, chegou à eleição apoiado pela estrutura partidária construída durante os dois mandatos de Ratinho Junior.

Moro percorreu outro caminho. Eleito senador pelo Paraná em 2022, deixou o União Brasil, filiou-se ao PL e construiu sua candidatura ao governo em uma aliança que reuniu também Novo e Podemos. Edson Vasconcelos integrou a chapa como candidato a vice.

Requião Filho completou o trio que concentrou praticamente todos os votos válidos. Deputado estadual e filho do ex-governador Roberto Requião, ele disputou pelo PDT e tentou levar novamente ao Palácio Iguaçu um nome ligado a uma das famílias mais tradicionais da política paranaense.

Somados, Moro, Sandro e Requião Filho concentravam quase 99% dos votos válidos na reta final da apuração.

Pesquisas desenharam cenários diferentes

A campanha foi acompanhada por uma sequência de pesquisas que nem sempre apresentaram o mesmo retrato da disputa.

Moro permaneceu entre os principais nomes desde o período pré-eleitoral e chegou à reta final liderando diferentes levantamentos. A grande dúvida passou a ser se conseguiria alcançar votos suficientes para liquidar a disputa no primeiro turno.

Os institutos divergiram especialmente sobre o tamanho das candidaturas de Sandro Alex e Requião Filho e, consequentemente, sobre a distância que separava Moro da soma dos adversários.

A campanha também foi marcada por disputas judiciais envolvendo levantamentos eleitorais. Pesquisas foram questionadas no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e algumas chegaram a ter a divulgação suspensa, colocando a metodologia e a regularidade dos levantamentos no centro do debate eleitoral.

As urnas acabaram produzindo um cenário peculiar: uma enorme distância entre Moro e cada adversário individualmente, mas uma diferença mínima entre o candidato do PL e os 50% necessários para evitar o segundo turno.

Da Lava Jato ao Palácio Iguaçu

A vitória acrescenta mais um capítulo a uma trajetória que levou Sergio Moro do Judiciário ao centro da política nacional.

Natural de Maringá, Moro ganhou projeção como juiz federal responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância, em Curitiba. Deixou a magistratura após as eleições de 2018 para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro.

A passagem pelo governo terminou em abril de 2020, quando Moro pediu demissão após um rompimento político com Bolsonaro.

Em 2022, disputou pela primeira vez uma eleição. Candidato ao Senado pelo Paraná, recebeu cerca de 1,95 milhão de votos e conquistou um mandato de oito anos.

Quatro anos depois, deixou o Senado para disputar o governo. A campanha de 2026 também foi marcada por uma reaproximação com o grupo político de Bolsonaro e pela filiação ao PL.

A vitória deste domingo faz com que Moro deixe o Legislativo antes da metade do mandato para assumir, pela primeira vez, o comando de uma administração estadual.

Aliança também vence para o Senado

O desempenho da coligação de Moro não ficou restrito à eleição para governador. A aliança também conquistou as duas vagas paranaenses em disputa no Senado.

Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) foram eleitos neste domingo. No caso de Deltan, entretanto, a validade definitiva do resultado permanece vinculada à disputa judicial sobre seu registro de candidatura, que ainda depende de decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

A saída de Moro do Senado também provocará outra mudança na representação paranaense. Seu suplente deverá assumir o restante do mandato iniciado em 2023.

Assim, a eleição de 2026 redesenha simultaneamente o comando do Executivo estadual e a representação do Paraná no Congresso Nacional.

Abstenção passa de 20%

Outro número relevante da eleição foi o contingente de paranaenses que não compareceu às urnas. Às 19h30, nas seções já totalizadas, a Justiça Eleitoral registrava 1.756.092 abstenções, equivalentes a 20,59% do eleitorado contabilizado.

O comparecimento estava em 79,41%, com 6.770.821 eleitores registrados nas seções já processadas. Foram contabilizados ainda 275.947 votos em branco e 304.297 nulos.

O Paraná possui 8.600.624 eleitores aptos. Nas seções já totalizadas naquele momento estavam registrados 8.526.913 eleitores.

Do Senado para o Palácio Iguaçu

Sergio Moro assumirá o governo do Paraná em 1º de janeiro de 2027 para um mandato de quatro anos.

A vitória encerra oito anos de Ratinho Junior no comando estadual e coloca no Palácio Iguaçu um político que, até agora, havia construído sua trajetória pública principalmente no Judiciário, no governo federal e no Congresso.

Mas o dado que ficará registrado na eleição de 2026 é também o tamanho da margem necessária para chegar lá. Moro abriu mais de 1,5 milhão de votos sobre o segundo colocado, mas precisou acompanhar praticamente até as últimas urnas para saber se essa vantagem seria suficiente.

A eleição não foi apertada entre o primeiro e o segundo colocado. Foi apertada entre Sergio Moro e a barreira dos 50%.

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