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MP que proibiu bets pode perder validade ou ser suspensa pelo STF, diz associação

MP 1.394/2026 proibiu as bets no Brasil e está em análise no Congresso; ações contra a medida também tramitam no STF

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Futuro das bets depende do Congresso e do STF
Futuro das bets depende do Congresso e do STF — Crédito: Divulgação

A medida provisória que proibiu as bets no Brasil pode perder a validade no Congresso ou ser suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na avaliação de Paulo Ganime, diretor-executivo da Associação pelo Livre Mercado, em entrevista ao Poder 360.

A MP 1.394 de 2026 foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de setembro. O texto proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país.

A medida passou a valer imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias. Caso contrário, perde a validade.

Fux analisa pedidos contra a medida

O ministro Luiz Fux é o relator, no STF, das ações que questionam a proibição. Entidades ligadas ao setor pediram a suspensão da MP e alegaram que a mudança ocorreu de forma abrupta.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) estão entre as entidades que contestaram a medida.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também acionou o STF. A entidade aponta impactos sobre a publicidade de apostas veiculada pelas emissoras.

A Advocacia-Geral da União (AGU), por outro lado, pediu a Fux que mantenha a proibição. O órgão também solicitou que o ministro aguarde a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de analisar os pedidos de suspensão.

Associação defende regulamentação

Para Ganime, uma regulamentação mais rígida seria uma alternativa à proibição das plataformas. Ele afirmou que a medida pode aumentar a atuação de sites clandestinos de apostas.

O diretor da associação também criticou a falta de um período de transição para empresas e setores que mantinham contratos com as bets.

Segundo ele, clubes de futebol e emissoras de rádio e televisão podem enfrentar problemas com contratos já firmados. Ganime citou ainda possíveis dificuldades para transmissões de campeonatos internacionais com publicidade de casas de apostas.

A Associação pelo Livre Mercado atua como braço técnico da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado.

AGU cita aumento de atendimentos

Ao defender a manutenção da proibição, a AGU citou dados sobre os efeitos relacionados ao jogo problemático.

Segundo o órgão, os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados a transtornos de jogo patológico e mania de apostas aumentaram 140% entre 2018 e 2025.

A AGU também citou uma estimativa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), segundo a qual os custos sociais e de saúde relacionados ao jogo problemático chegam a R$ 30,6 bilhões.

O governo afirmou ainda que o modelo anterior de regulamentação não foi suficiente para conter os problemas associados às apostas. A plataforma oficial de autoexclusão já tinha mais de 1,29 milhão de inscritos, sendo que 36,41% apontaram perda de controle financeiro como motivo para o bloqueio.

Congresso ainda precisa analisar a MP

Na avaliação de Ganime, o cenário mais provável é que o Congresso deixe a medida provisória perder a validade, em vez de aprovar a proibição.

Ele considera menos provável uma rejeição formal da MP seguida da elaboração de um projeto de lei sobre o tema. Para o diretor, um projeto permitiria uma discussão mais ampla sobre as regras para o setor.

Enquanto o Congresso não concluir a análise, a proibição continua em vigor. As plataformas tiveram até 5 de outubro para permitir o resgate voluntário dos valores pelos usuários e começaram a sair do ar no dia seguinte.

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