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Deepfakes e acusações falsas marcam nova onda de desinformação no segundo turno

Vídeo manipulado atribui a Flávio Bolsonaro cortes em benefícios sociais; imagem fabricada mostra eleitores petistas com tornozeleiras e publicações associam Lula a facções criminosas sem apresentar provas.

Ana Zimermann · · 3 min de leitura
Deepfakes e acusações falsas marcam nova onda de desinformação no segundo turno
— Crédito: GDJ, Wikimedia Commons/Pixabay

A circulação de conteúdos falsos sobre os candidatos à Presidência ganhou novos episódios na primeira semana do segundo turno das eleições de 2026. Entre 8 e 12 de outubro, verificações publicadas por agências especializadas identificaram vídeos manipulados, fotografias produzidas por inteligência artificial e acusações sem sustentação documental. Diferentemente das narrativas sobre a apuração eleitoral, já abordadas pela Gazeta do Paraná em 7 de outubro, os novos casos concentram-se em declarações atribuídas aos presidenciáveis e em imagens criadas para provocar reações negativas entre eleitores.

Vídeo manipulado atribui a Flávio cortes no 13º e em programas sociais

Classificação: FALSO — DEEPFAKE

Uma gravação divulgada nas redes sociais mostra Flávio Bolsonaro supostamente anunciando cortes em pensões, no 13º salário e no programa Pé-de-Meia.

A declaração sobre os cortes não aparece no pronunciamento original, feito pelo candidato no dia 4, logo após o anúncio do segundo turno. Trata-se, portanto, de manipulação feita com inteligência artificial. 

Publicações afirmam que Flávio pretende acabar com o Farmácia Popular

Classificação: FALSO — DECLARAÇÃO NÃO COMPROVADA

Outra publicação atribui ao candidato do PL a promessa de encerrar o Farmácia Popular e cobrar por medicamentos atualmente distribuídos gratuitamente. Não foram encontrados, pelas agências especializadas em checagens, registros confiáveis da declaração. A assessoria do candidato negou que ele tenha feito a afirmação. A inexistência de um registro verificável da fala, somada à negativa da campanha, impede que a alegação seja apresentada como uma proposta efetivamente anunciada pelo presidenciável.

Imagem criada por IA apresenta eleitores petistas usando tornozeleiras

Classificação: FALSO — IMAGEM SINTÉTICA

Uma fotografia divulgada nas redes sociais apresenta dois supostos eleitores do PT utilizando tornozeleiras eletrônicas enquanto aguardam para votar. A imagem foi produzida artificialmente, e não corresponde a um registro fotográfico de uma seção eleitoral. A publicação explora uma associação visual entre preferência partidária e criminalidade, sem apresentar qualquer evidência de um acontecimento real.

Postagens associam Lula a suposto apoio de facções criminosas

Classificação: FALSO

Mensagens compartilhadas nas redes sociais afirmam que o PCC e o Comando Vermelho teriam declarado apoio à candidatura de Lula no segundo turno. Segundo a checagem publicada pelo Aos Fatos, fontes consultadas nos Ministérios Públicos de São Paulo e do Rio de Janeiro não confirmaram a alegação. Não foram apresentados documentos ou manifestações autênticas que comprovassem o suposto apoio das organizações criminosas ao candidato.

Inteligência artificial amplia desafios da checagem eleitoral

Os episódios evidenciam dois mecanismos distintos de desinformação. No primeiro, imagens reais são combinadas com áudio artificial para atribuir declarações inexistentes a figuras públicas. No segundo, fotografias e narrativas são fabricadas para associar candidatos ou seus eleitores a comportamentos e organizações socialmente rejeitados.

A identificação dessas manipulações exige a comparação com gravações originais, a busca por fontes primárias e a avaliação do contexto em que cada publicação surgiu. A simples circulação de uma fotografia, áudio ou vídeo nas redes sociais não comprova a autenticidade do conteúdo. Da mesma forma, o volume de compartilhamentos não substitui a necessidade de evidências documentais.

 

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