Mecabô e Paranhos dizem que não houve “golpe” na disputa pela Câmara de Cascavel
Deputados eleitos, afirmam que apenas respaldaram aliados em movimento para eleger Alécio Espínola à presidência e Rondinelli Batista à secretaria da Mesa
O deputado federal eleito Henrique Mecabô e ex-prefeito, Leonaldo Paranhos se manifestaram sobre a disputa pela presidência da Câmara de Vereadores de Cascavel. Em entrevista à uma rádio local, os dois negaram que tenham articulado qualquer tentativa de ruptura ou movimento contra a atual direção do Legislativo e afirmaram que apenas deram respaldo a vereadores aliados que participaram da construção de uma chapa alternativa.
A eleição da Mesa Diretora ocorreu na terça-feira (6) e terminou com a manutenção de Thiago Almeida na presidência da Câmara. Antes da votação, porém, houve uma movimentação para formar uma chapa com Alécio Espínola na presidência e Rondinelli Batista na secretaria. A composição não avançou até o registro formal, e a chapa liderada por Thiago acabou vencedora.
Paranhos explicou que Alécio havia sido apontado anteriormente como possível candidato à presidência em um acordo político construído quando Mecabô aceitou ser vice na chapa que elegeu Renato Silva para a Prefeitura. Segundo ele, o compromisso não pôde ser concretizado na eleição anterior porque Thiago Almeida conseguiu reunir as assinaturas necessárias para disputar a Mesa.
O ex- prefeito afirmou que, desta vez, Alécio o procurou dizendo que havia um grupo de vereadores interessado em apoiá-lo. Paranhos respondeu que não faria oposição à candidatura caso o grupo conseguisse reunir os votos necessários.
“Se você tiver o número suficiente de votos, acho que é um processo natural”, relatou Paranhos sobre a conversa com Alécio.
Paranhos também afirmou que procurou integrantes do governo e da base para saber se eles tinham conhecimento da movimentação. Disse ter conversado com Thiago Almeida, com o prefeito Renato Silva e com outros integrantes do grupo político.
Paranhos destacou ainda que orientou Hudson Moreschi, líder do governo na Câmara e seu ex-secretário, a não integrar uma eventual chapa de oposição à presidência, justamente para evitar um conflito político dentro da base.
“Não fizemos nenhuma articulação de sacanagem. Eu liguei para o Thiago, falei com o Renato e procurei saber o que estava acontecendo”, afirmou.
Mecabô apresentou uma justificativa semelhante. Ele disse que foi procurado por Rondinelli Batista, vereador de seu partido, que teria informado sobre a possibilidade de assumir a secretaria da Mesa. O deputado eleito afirmou que, como Rondinelli e Alécio integravam o grupo político que o apoiou durante a campanha, considerou natural respaldar a iniciativa.
“Minha posição foi de apoio ao Rondinelli. Eu tive o apoio de dois vereadores nesse pleito eleitoral: o Rondinelli, do meu partido, e o Fão, que agora é deputado estadual”, afirmou Mecabô.
Segundo ele, a eventual composição teria como objetivo ampliar a participação do PL na direção da Câmara, sem representar uma oposição ao governo municipal.
Mecabô também criticou a classificação do movimento como um “golpe”. Para ele, tratava-se de uma articulação política legítima que não chegou a ser formalizada.
“A chapa nem sequer foi registrada. Houve uma articulação alternativa que não prosperou”, afirmou.
O deputado eleito avaliou que a movimentação pode ter servido para provocar uma repactuação interna entre os vereadores. Na avaliação dele, parte da insatisfação que motivou a formação da chapa estaria relacionada à distribuição de espaços e ao protagonismo de alguns parlamentares dentro da Câmara.
Para Mecabô, cabe aos próprios vereadores e à presidência do Legislativo resolver essas questões internas.
“Se isso tudo serviu para que a Câmara fique melhor balanceada de novo, é positivo para a cidade”, disse.
Relação com Thiago
Tanto Mecabô quanto Paranhos fizeram questão de preservar a relação política com Thiago Almeida, que continuará presidindo a Câmara. Paranhos lembrou que Thiago teve participação importante em sua campanha e afirmou que, justamente por isso, fez questão de comunicar ao vereador que havia uma movimentação em torno de Alécio.
“Eu liguei para ele. O homem que tem palavra faz isso. Falei: Thiago, você está sabendo dessa articulação?”, relatou.
Mecabô também afirmou considerar Thiago um aliado e avaliou positivamente sua atuação à frente do Legislativo.
“Até aqui tem sido um amigo e entendo que vem fazendo um bom mandato na presidência”, declarou.
Os dois negaram que tenham procurado vereadores para oferecer cargos ou qualquer vantagem em troca de apoio. Paranhos reforçou que não tinha autoridade para impedir Alécio de disputar a presidência e que não faria esse tipo de interferência.
A eleição acabou mantendo Thiago Almeida no comando da Câmara. Para Mecabô e Paranhos, o resultado deve ser respeitado e a prioridade agora é evitar que a disputa interna prejudique a administração municipal e os interesses de Cascavel.
Relação política após a eleição
A entrevista também serviu para os dois políticos sinalizarem uma possível aproximação após a disputa eleitoral. Mecabô e Paranhos estiveram em lados diferentes na eleição, mas afirmaram que o resultado das urnas exige uma nova etapa de diálogo.
Mecabô disse que já conversou com o prefeito Renato Silva após a eleição e que pretende manter uma relação institucional voltada aos interesses do município. Ele destacou ainda que seu grupo político saiu fortalecido no Paraná e em Cascavel.
Paranhos também defendeu maturidade política para os próximos anos. Segundo ele, qualquer discussão sobre 2028 deve envolver as principais lideranças políticas de Cascavel e considerar os interesses do município acima das disputas partidárias.
Para Paranhos, o momento político do Paraná abre uma oportunidade para Cascavel ampliar sua influência nas decisões estaduais.
“Cascavel tem que atingir esse grau de maturidade. Pela primeira vez nós temos um vice-governador pela segunda vez, um vice-governador que é da cidade. É hora de muita maturidade para aproveitar o momento que estamos vivendo”, afirmou.
Ao final da entrevista, os dois reforçaram que a disputa pela Mesa Diretora deve ficar restrita ao ambiente político e que o foco, daqui para frente, deve ser o trabalho pela cidade.
Mecabô, que já estava em Brasília para iniciar a articulação do mandato de deputado federal, afirmou que sua prioridade será buscar resultados para Cascavel e para o Oeste do Paraná. Paranhos, por sua vez, disse que também pretende concentrar sua atuação nos interesses do município.
A avaliação compartilhada pelos dois é que a disputa pela Câmara não representa um rompimento político, mas uma movimentação interna que expôs divergências entre vereadores e pode resultar em uma nova composição de forças no Legislativo.
Foto: Divulgação
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