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Debate 2º turno: Lula e Flávio vão finalmente se enfrentar na TV?

Com Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, os debates voltam ao centro da eleição presidencial; presidente sinaliza participação, enquanto aliados do senador ainda discutem a estratégia

Gabriel Porta · · 5 min de leitura
O que se sabe sobre os debates do 2º turno
O que se sabe sobre os debates do 2º turno — Crédito: Reprodução / OGlobo

A definição de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da eleição presidencial recolocou os debates televisivos no centro da disputa. Depois de uma primeira etapa marcada pela ausência dos dois principais candidatos nos confrontos, a expectativa agora é saber se os adversários finalmente ficarão frente a frente.

O segundo turno será realizado em 25 de outubro. Flávio terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%.

Apesar da diferença, a participação de Flávio nos debates ainda é discutida dentro de sua campanha. Parte dos aliados defende que o senador seja seletivo e participe apenas dos encontros considerados mais importantes. A avaliação é que, na condição de candidato mais votado no primeiro turno, ele deve evitar uma exposição excessiva que possa aumentar sua rejeição.

A principal tendência discutida entre os aliados é a participação no debate da TV Globo, caso a emissora promova um confronto no segundo turno. Há, porém, integrantes da campanha que defendem uma estratégia ainda mais restritiva, com a ausência em outros debates.

Por que os debates voltaram ao centro da eleição

No primeiro turno, Lula e Flávio não participaram de nenhum debate juntos.

A ausência dos dois ficou mais evidente no debate que seria realizado pela TV Globo em 1º de outubro. Lula já havia informado que não participaria e optou por conceder uma entrevista ao Flow Podcast. Flávio também desistiu do encontro horas antes da transmissão.

A decisão ocorreu depois de mudanças determinadas pela Justiça Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal envolvendo a composição do debate e as regras para a ausência de candidatos. A Globo acabou cancelando o encontro.

O episódio encerrou o primeiro turno sem que Lula e Flávio tivessem um confronto direto em um debate televisivo. Foi a primeira vez em duas décadas que os principais líderes de uma eleição presidencial chegaram ao fim da primeira etapa sem se enfrentarem em um debate televisionado.

Agora, o cenário é diferente. Com apenas dois candidatos na disputa, desaparece o argumento de que um confronto reuniria diversos adversários interessados em atacar um mesmo candidato.

Flávio divide aliados sobre participação

Dentro da campanha de Flávio, há duas avaliações principais.

Um grupo considera que o candidato deve preservar a vantagem conquistada no primeiro turno e concentrar a campanha em propostas, principalmente nas áreas de economia, custo de vida e segurança pública.

A estratégia é evitar uma sequência de confrontos que possa ampliar a rejeição e, ao mesmo tempo, buscar os votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno.

Outra ala avalia que os debates podem ser uma oportunidade para Flávio consolidar a liderança e responder diretamente às críticas de Lula. Nesse entendimento, os encontros da Band e da Globo seriam especialmente importantes.

A discussão ganhou força justamente porque Flávio chegou ao segundo turno à frente de Lula. A campanha precisa decidir agora se vale transformar essa vantagem em uma postura mais cautelosa ou utilizar os debates para tentar ampliar a diferença.

Lula sinaliza que pretende participar

Do lado de Lula, a sinalização é diferente.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, afirmou neste domingo (4), em Salvador, que o presidente não teria problema em participar dos debates caso enfrentasse Flávio no segundo turno.

“O presidente Lula não tem nenhum problema. Caso aconteça o segundo turno, ele vai para os debates”, afirmou Sidônio. Segundo o ministro, Lula pretende utilizar os encontros para confrontar o adversário.

Lula não participou dos debates do primeiro turno. A avaliação da campanha foi de que o formato poderia favorecer ataques de vários candidatos contra o presidente, sem tempo suficiente para que ele respondesse às críticas.

A estratégia, porém, pode mudar agora que a disputa está reduzida a dois candidatos.

O que está em jogo nos debates

Além do confronto direto entre Lula e Flávio, os debates podem se tornar um dos principais espaços para a disputa pelo eleitor que votou em outros candidatos no primeiro turno.

Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) ficaram fora da disputa presidencial na segunda etapa. As campanhas de Lula e Flávio agora terão de buscar parte desses votos.

A movimentação já começou. Zema declarou oposição ao PT, enquanto Cury afirmou que não pretende apoiar nenhum dos dois candidatos. O PSD, por sua vez, liberou seus filiados para decidirem individualmente sobre apoios.

Nesse cenário, os debates podem servir tanto para apresentar propostas quanto para tentar reduzir resistências entre eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos no primeiro turno.

Primeiro turno teve ausência dos líderes

A campanha de 2026 foi marcada por uma mudança na estratégia tradicional dos debates presidenciais.

Lula não compareceu aos encontros com os demais candidatos. Flávio, por sua vez, chegou a condicionar sua participação à presença do presidente e afirmou, no primeiro debate da Band, que queria enfrentar Lula diretamente.

A ausência dos dois acabou impedindo que os eleitores acompanhassem um confronto direto entre os principais nomes da disputa. O cancelamento do debate da Globo, já na reta final, ampliou essa situação.

Agora, com apenas dois candidatos, a pressão para que o confronto aconteça tende a aumentar.

A definição sobre quais debates serão realizados e quem participará deve ocupar espaço importante na campanha até 25 de outubro, data marcada para o segundo turno.

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