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Um ano após megaoperação com 122 mortos no Rio, 33 alvos seguem foragidos

Ação nos complexos do Alemão e da Penha reduziu os registros de tiroteios, mas especialistas afirmam que não há evidências de perda de território pelo Comando Vermelho; relatório também aponta possíveis excessos policiais

Repórter Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Um ano após megaoperação com 122 mortos no Rio, 33 alvos seguem foragidos
— Crédito: Divulgação

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Um ano após a megaoperação policial que deixou 122 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, 33 dos alvos de mandados de prisão continuam foragidos. Entre eles estão lideranças do Comando Vermelho (CV), como Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, além de Gardenal e Pedro Bala, que, segundo informações apuradas pela imprensa, permanecem na região.

Realizada em 28 de outubro de 2025, a Operação Contenção mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares para cumprir mandados contra integrantes da facção. A ação terminou com 122 mortos, entre eles 5 agentes de segurança, e se tornou um marco no debate sobre a política de segurança pública do estado.

Apesar da letalidade, os dados reunidos nos meses seguintes apontam redução nos registros de tiroteios e em alguns indicadores de violência. Especialistas, porém, alertam que essa queda não comprova o enfraquecimento do Comando Vermelho nem uma mudança no controle territorial das comunidades.

Alvos continuam foragidos
Antes da operação, a Justiça havia determinado a prisão de 51 pessoas apontadas como integrantes da facção. No dia da ação, 17 alvos foram presos, enquanto outras 82 pessoas acabaram detidas em flagrante. Um dos investigados morreu antes da operação.

Um ano depois, 33 dos alvos com mandados de prisão permanecem foragidos. Entre eles está Doca, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho.

A operação também resultou na apreensão de 122 armas de fogo, incluindo 96 fuzis, 25 pistolas e 1 revólver, além de munições, carregadores e 12 artefatos explosivos. O prejuízo relacionado aos armamentos foi estimado em R$ 12 milhões.

Tiroteios diminuíram, mas controle territorial permanece
Levantamento do Instituto Fogo Cruzado identificou 41 tiroteios nos complexos da Penha e do Alemão nos 12 meses anteriores à operação. Nessas ocorrências, 12 pessoas morreram e 17 ficaram feridas.

Nos 11 meses e 15 dias posteriores à ação, foram registrados 16 tiroteios, com 1 morto e 1 ferido. A redução no número de ocorrências foi de 61%, embora os períodos comparados tenham durações ligeiramente diferentes.

Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro também apontaram queda de 23% nos registros de letalidade violenta em uma área mais ampla, que abrange os complexos e outros bairros da região. Os registros passaram de 71 para 55 entre os períodos analisados, com outubro de 2025 excluído da comparação.
Para especialistas, entretanto, os números não permitem atribuir diretamente à megaoperação a redução dos indicadores. A pesquisadora Carolina Grillo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que a presença policial após a ação não resultou em perda territorial do Comando Vermelho.

O analista de segurança Alessandro Visacro também defende que operações isoladas não são suficientes para desmontar organizações criminosas. Para ele, o enfrentamento precisa atingir as estruturas financeiras, o armamento e as condições que permitem às facções manter o domínio territorial.

Violência continua afetando escolas
Os efeitos da insegurança também aparecem na rotina dos moradores. Dados da Secretaria Municipal de Educação do Rio mostram que, no Complexo do Alemão, o número de escolas municipais que fecharam ao menos uma vez por causa de operações policiais ou confrontos passou de 25 para 29 na comparação entre os períodos de outubro de 2024 a setembro de 2025 e de outubro de 2025 a setembro de 2026.

Na Penha, o total permaneceu em 16 unidades escolares afetadas em cada período. Os números contabilizam escolas que tiveram ao menos um fechamento, não o total de dias sem aulas ou de estudantes prejudicados.

Relatório aponta possíveis abusos policiais
Um relatório divulgado pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, com base na análise de imagens de câmeras corporais utilizadas durante a Operação Contenção, apontou indícios de possíveis excessos policiais.

Entre os episódios descritos no documento estão denúncias de agressões, ameaças de morte, tortura, choques elétricos em civis, intimidação de moradores e destruição de provas. Os apontamentos reforçam a necessidade de apuração das circunstâncias da ação.

Um ano depois, a megaoperação deixa um cenário contraditório: os registros de tiroteios diminuíram, mas dezenas de alvos continuam foragidos, e especialistas questionam se houve mudança efetiva no domínio territorial da facção. A permanência dos impactos da violência sobre moradores e escolas mantém em debate os resultados e os custos da estratégia de segurança adotada.

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