Caso Icaraíma: Polícia Civil indicia família por morte de quatro homens
Inquérito aponta quatro integrantes da família Buscariollo por homicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa
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A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito sobre a morte de quatro homens que foram a Icaraíma, no Noroeste do estado, para cobrar uma dívida de R$ 255 mil. Os investigadores apontam quatro integrantes da família Buscariollo por homicídio qualificado, ocultação de cadáver por quatro vezes, fraude processual e associação criminosa.
As vítimas são Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. Os quatro desapareceram em agosto de 2025 e foram encontrados mais de um mês depois, enterrados em um bunker na propriedade rural ligada à família investigada.
O inquérito foi concluído nesta terça-feira (27) e encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que agora poderá decidir se oferece denúncia contra os investigados. A Polícia Civil informou que não descarta a participação de outras pessoas.
Antônio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo estão presos preventivamente.
Como ocorreu o crime, segundo a investigação
A apuração aponta que três dos homens viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma em 4 de agosto de 2025. O objetivo era encontrar Alencar e cobrar da família Buscariollo uma dívida relacionada à negociação de uma propriedade rural.
O valor havia sido dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil, mas nenhuma parcela teria sido paga. Caso conseguissem receber a dívida, os cobradores ficariam com metade do dinheiro arrecadado.
No primeiro contato, realizado no distrito de Vila Rica, Antônio e Paulo teriam tentado oferecer uma casa localizada na área urbana como forma de pagamento. As partes, porém, não chegaram a um acordo.
No dia seguinte, os quatro foram vistos com vida pela última vez. Uma câmera de segurança de uma panificadora de Icaraíma registrou o grupo durante a manhã.
Segundo a Polícia Civil, por volta do meio-dia eles tiveram o último contato com as famílias. Cerca de 30 minutos depois, teriam retornado à propriedade rural dos suspeitos, onde foram surpreendidos por uma emboscada.
A investigação aponta que os quatro foram mortos com disparos de armas de diferentes calibres. Depois, os corpos foram enterrados, assim como o veículo utilizado pelas vítimas.
A esposa de Robishley procurou a polícia de São Paulo no dia 6 de agosto para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos. Naquele momento, ela ainda não sabia que os quatro haviam sido assassinados.
Polícia aponta quem teria comandado o crime
De acordo com o delegado Thiago Andrade Inácio, Carlos Henrique Buscariollo teria sido o responsável por determinar o crime. Ele era quem administrava a dívida que havia sido cobrada pelas vítimas.
A polícia afirma que, depois disso, os familiares teriam dividido entre si as tarefas relacionadas ao assassinato e à ocultação dos corpos.
A investigação foi encerrada após centenas de diligências, segundo o delegado. O inquérito reuniu informações utilizadas pelos investigadores para reconstruir a dinâmica do crime.
Suspeitos ficaram mais de um ano foragidos
As prisões dos investigados ocorreram depois de mais de um ano de buscas.
Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo foram encontrados em 18 de agosto, em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP). Segundo a Polícia Civil, os dois tentaram fugir durante a abordagem e foram capturados em uma área de mata.
Eles estavam na lista vermelha da Interpol.
Carlos Henrique Buscariollo foi localizado e preso em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Já Carlos Eduardo Buscariollo estava preso por tráfico de drogas em São Bernardo do Campo (SP) e também passou a ser alvo da investigação sobre as quatro mortes.
Segundo a Polícia Civil, o paradeiro de Antônio e Paulo foi descoberto por meio de levantamentos de inteligência e monitoramento.
Defesa contesta demora e diz que indiciamento não significa culpa
A defesa dos quatro investigados afirmou que esperava havia muito tempo pela conclusão do inquérito. Os advogados sustentam que a demora, diante da prisão preventiva dos clientes, configurou constrangimento ilegal.
Segundo a defesa, a complexidade da investigação não elimina a necessidade de duração razoável do procedimento, principalmente quando há pessoas presas.
Os advogados afirmaram ainda que vão aguardar a manifestação do Ministério Público e um eventual oferecimento de denúncia. Também ressaltaram que o indiciamento não representa reconhecimento de culpa e que a presunção de inocência permanece assegurada.
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