Gaeco denuncia cinco PMs por suspeita de tortura durante abordagem em Curitiba
Policiais são acusados de invadir casa sem mandado, agredir jovem e registrar versão falsa para encobrir abordagem
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná, denunciou cinco policiais militares por suspeita de tortura, abuso de autoridade, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e falso testemunho em Curitiba.
Segundo a denúncia, os fatos ocorreram na noite de 6 de outubro de 2025 e na madrugada do dia seguinte. A investigação aponta que os policiais entraram em uma residência no bairro Capão Raso sem mandado judicial e sem uma situação de flagrante.
A justificativa apresentada pelos agentes teria sido a procura por drogas que estariam com um dos moradores, um jovem que vivia no imóvel com os pais e a irmã.
De acordo com o Gaeco, os policiais teriam ameaçado o pai do jovem com o uso de violência física para obrigá-lo a gravar um vídeo e assinar um documento autorizando a entrada na residência.
Jovem teria sido agredido na sede da PM
Depois da passagem pela casa, o jovem foi levado para a sede da 3ª Companhia do 20º Batalhão da Polícia Militar. Conforme a denúncia, ele permaneceu no local por aproximadamente 40 minutos e teria sido submetido a agressões físicas.
O Ministério Público afirma que a intenção seria obrigá-lo a fornecer informações sobre outras pessoas supostamente envolvidas com o tráfico de drogas na região e a admitir participação nos crimes.
A denúncia também aponta que a versão registrada posteriormente pelos policiais teria apresentado uma dinâmica diferente da relatada pela investigação.
Gaeco aponta suposta falsificação de registros
Segundo o Ministério Público, o boletim de ocorrência informou que a abordagem havia acontecido em uma via pública, durante um patrulhamento de rotina. O documento também teria registrado que os moradores autorizaram voluntariamente a entrada dos policiais na casa.
A passagem do jovem pela sede da Polícia Militar, ainda de acordo com a denúncia, não teria sido registrada nos documentos oficiais.
O Gaeco afirma que essa mesma versão teria sido apresentada pelos policiais em depoimentos prestados à autoridade policial e durante audiência judicial.
Além da condenação pelas acusações apresentadas, o Ministério Público pediu à Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual medidas cautelares contra os cinco policiais.
Entre os pedidos estão o afastamento do policiamento ostensivo, com permanência em atividades administrativas, o recolhimento de armas, fardas e identificações funcionais e a suspensão do porte de armas particulares.
O Gaeco também solicitou que os denunciados sejam impedidos de acessar sistemas restritos da Secretaria de Estado da Segurança Pública.
Medidas para proteger vítimas e testemunhas
O Ministério Público pediu ainda a proibição de contato dos policiais com as vítimas e testemunhas do processo.
Outra solicitação é que os moradores da residência recebam indenização por danos morais, como forma de reparação pelos fatos descritos na denúncia.
Em caso de condenação, o Gaeco requer a perda dos cargos públicos dos policiais e a proibição de exercerem funções pelo dobro do período das penas aplicadas, conforme previsão da Lei de Tortura (Lei 9.455/1997).
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