🗳️ Eleições 2026: confira o resultado final da apuração Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
Policial › Estado

Gaeco cumpre 15 mandados em operação contra facção que trocava drogas por assinaturas no Paraná

Segunda fase da Operação Umbra cumpriu sete prisões preventivas e oito mandados de busca em quatro cidades paranaenses e duas paulistas; investigação também apura tráfico de armas e possível participação em duplo homicídio

Repórter Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Gaeco cumpre 15 mandados em operação contra facção que trocava drogas por assinaturas no Paraná
— Crédito: Divulgação

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), cumpriu sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão nesta quarta-feira (28), durante a segunda fase da Operação Umbra. A investigação apura a atuação regional de uma facção criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, comércio de armas e distribuição de entorpecentes em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular.

As diligências foram realizadas em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, em São Paulo. Os mandados foram autorizados pelo Juízo das Garantias da 5ª Vara Criminal de Londrina.

A investigação busca esclarecer a estrutura e o funcionamento da organização criminosa na região abrangida pelo DDD 43, no Norte do Paraná. Segundo o Ministério Público, o grupo teria uma divisão de funções entre integrantes responsáveis pela disciplina interna, supervisão financeira, coordenação do tráfico e negociação de armamentos.

FACÇÃO TROCAVA DROGAS POR ASSINATURAS
Um dos principais pontos da investigação é uma campanha de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que pretendia flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais.

De acordo com o Gaeco, integrantes da facção promoviam a iniciativa em Londrina e região com o objetivo de pressionar o sistema prisional. Mensagens apreendidas durante a apuração indicavam a meta de reunir 290 mil assinaturas em todo o país.
Para incentivar a participação, os investigados distribuíam porções de drogas às pessoas que apresentassem assinaturas coletadas. Os entorpecentes seriam fornecidos pelos responsáveis pelos pontos de venda, conhecidos como “donos de quebradas”.

A prática era chamada internamente de “trabalho de revertimento”. Planilhas apreendidas detalhavam a quantidade de drogas disponibilizada por cada ponto de venda e sua relação com o número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína correspondia a oito assinaturas.

INVESTIGAÇÃO IDENTIFICOU HIERARQUIA
Segundo as apurações, a estrutura regional da facção seria comandada por dois irmãos com atribuições distintas.
Um deles ocuparia a função de “Geral da Região 43”, responsável pela disciplina dos integrantes, pela transmissão de ordens da cúpula da organização e pela autorização ou veto de punições e transferências internas.

O outro seria o “Final 100% do Estado do Paraná”, com atribuições de supervisão financeira e operacional das atividades ilícitas. Ele também seria responsável por coordenar o comércio de drogas a partir da zona sul de Londrina.

Os demais investigados teriam funções específicas, como contabilidade da organização, administração de pontos de venda, gestão do chamado “tribunal do crime” e negociação de armas de fogo de grosso calibre, incluindo fuzis.

SUSPEITOS CONTINUAVAM ATUANDO DE DENTRO DE PRESÍDIOS
O Gaeco identificou indícios de que parte dos investigados continuava exercendo funções na organização criminosa mesmo estando presa em unidades penitenciárias do Paraná e de São Paulo.

Conforme a investigação, alguns suspeitos supostamente repassavam orientações, negociavam armamentos e administravam a distribuição de drogas a partir das unidades prisionais. Para dificultar a identificação, utilizariam linhas telefônicas registradas em nome de terceiros.

As buscas realizadas nesta quarta-feira também tiveram como objetivo apreender celulares, drogas, armas, dinheiro e documentos que possam contribuir para esclarecer a atuação do grupo.

Os suspeitos poderão responder por crimes como favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas, conforme o Ministério Público.

DUPLO HOMICÍDIO EM ROLÂNDIA
O material reunido durante a investigação também aponta a possível participação de dois investigados em um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná.
De acordo com a linha investigativa, o crime teria sido cometido em nome da facção contra um homem apontado como integrante de um grupo rival. Uma criança também foi morta na ocasião.
Um dos suspeitos relacionados ao caso teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça.

SEGUNDA FASE DA OPERAÇÃO UMBRA
A Operação Umbra teve sua primeira fase deflagrada em maio de 2025, quando o Gaeco cumpriu três mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre um homem suspeito de liderar uma organização criminosa na região de Londrina.

Nesta quarta-feira, a segunda fase ampliou as diligências para outros municípios e aprofundou a apuração sobre a estrutura regional da facção, suas atividades financeiras e a possível participação de integrantes em crimes violentos.

A investigação continua em andamento. As suspeitas apresentadas pelo Ministério Público ainda deverão ser analisadas no curso dos procedimentos judiciais, com garantia do direito à defesa e ao contraditório.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.