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Comprimido contra obesidade amplia alternativas às canetas nos EUA; entenda o Foundayo

Medicamento da Eli Lilly dispensa jejum e apresentou perda média de peso de 11,2% na maior dose estudada; aprovação americana não autoriza venda no Brasil

Julia Maraschi · · 3 min de leitura
Tratamentos orais ampliam as alternativas contra a obesidade. Imagem ilustrativa.
Tratamentos orais ampliam as alternativas contra a obesidade. Imagem ilustrativa. — Crédito: Divulgação

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O tratamento da obesidade ganhou uma alternativa oral nos Estados Unidos com a aprovação do Foundayo, nome comercial da orforgliprona, desenvolvido pela Eli Lilly. Autorizado pela agência reguladora americana, a Food and Drug Administration (FDA), em 1º de abril de 2026, o medicamento é utilizado uma vez ao dia e dispensa jejum.

A indicação aprovada é para adultos com obesidade ou com sobrepeso associado a pelo menos uma condição de saúde relacionada ao peso. O tratamento deve ser combinado com alimentação de menor teor calórico e atividade física. 

A possibilidade de tomar o comprimido sem organizar a rotina em torno das refeições é uma das diferenças apresentadas pela fabricante. Segundo a Eli Lilly, o produto pode ser utilizado em qualquer horário, sem restrições de alimentos ou água. Essa flexibilidade pode tornar o uso mais conveniente, mas não significa que a adesão ou os resultados estejam garantidos. 

O que os estudos mostraram

O estudo de fase 3 ATTAIN-1 avaliou o medicamento durante 72 semanas em adultos com obesidade ou sobrepeso acompanhado de problemas de saúde, sem diabetes. Os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine.

Na análise que considerou os participantes independentemente da interrupção do tratamento, a redução média do peso foi de 11,2% no grupo que recebeu a maior dose, contra 2,1% entre os participantes que receberam placebo. Todos os grupos tiveram orientação sobre alimentação e atividade física. 

A fabricante também divulgou uma redução média de 12,4%, calculada por uma análise que estima o efeito caso os participantes mantivessem o tratamento conforme previsto. Os dois números correspondem a métodos diferentes de avaliação do mesmo estudo e não devem ser apresentados como resultados idênticos. 

Esses percentuais representam médias de pesquisa, não uma previsão individual de emagrecimento.

Comprimido também exige acompanhamento

O Foundayo atua no receptor de GLP-1, alvo de medicamentos utilizados no controle do peso. A apresentação oral não elimina efeitos adversos nem contraindicações.

Entre as reações descritas pela FDA estão náusea, diarreia, constipação, vômitos e dor abdominal. A agência também alerta para riscos como pancreatite, problemas na vesícula e lesão renal associada à desidratação. 

A bula contraindica o medicamento para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Também não recomenda o uso simultâneo com outro agonista do receptor de GLP-1. A escolha do tratamento exige avaliação médica. 

Não é o primeiro medicamento oral dessa classe

Antes do Foundayo, a FDA já havia aprovado o Wegovy em comprimidos, à base de semaglutida, em dezembro de 2025. Portanto, a novidade amplia as opções orais disponíveis nos Estados Unidos, mas não inaugura essa modalidade de tratamento. 

Os dados apresentados também não permitem concluir que o Foundayo seja superior às canetas: o ATTAIN-1 comparou a orforgliprona com placebo, e não diretamente com esses medicamentos.

E no Brasil?

A autorização da FDA vale para os Estados Unidos e não equivale a um registro brasileiro. Nesta apuração, não foi localizada confirmação oficial de aprovação do Foundayo pela Anvisa, nem uma data oficial para comercialização no país. A situação regulatória deve ser acompanhada pelo sistema de consultas da Anvisa, que reúne informações sobre registros e processos de medicamentos.

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